Lito Sousa: influenciador decidiu gravar o vídeo enquanto ainda preservava a cognição (YouTube/Reprodução)
Repórter
Publicado em 26 de agosto de 2026 às 15h11.
Última atualização em 1 de outubro de 2026 às 23h11.
O especialista em aviação e produtor de conteúdo Lito Sousa divulgou nesta quarta-feira, 26, um vídeo gravado no dia em que recebeu a confirmação do diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição neurológica rara, degenerativa e sem tratamento conhecido. A gravação foi feita antes de ele e a esposa, a empresária Mila Seidl, tornarem o diagnóstico público.
Em pouco mais de 30 minutos, Lito fala sobre a possibilidade de morrer, o futuro de seus projetos e o impacto da doença sobre a família. Emocionado, afirma que não tem medo da morte, mas disse que o que mais o preocupa é a saudade que o filho poderá sentir.
“Eu não tenho medo de nada, eu não tenho medo de morrer. Eu não tenho. Não tenho, porque eu vivi uma vida boa, uma vida que eu nunca fiz mal para ninguém”, afirmou, emocionado.
Segundo Lito, ele decidiu gravar o vídeo enquanto ainda preservava a cognição. Antes do diagnóstico, ele já havia enfrentado um câncer e, posteriormente, uma encefalite que provocou perda de movimentos e dificuldade para andar.
“Eu quis gravar esse vídeo enquanto eu ainda tenho cognição, porque eu não sei quanto tempo [tenho]. Pode ser semanas, pode ser meses, não sei”, disse.
Lito afirmou que, diante da notícia, decidiu manter a perspectiva de que ainda poderia haver uma mudança no quadro. "Apesar da notícia que não é nada boa, o jogo só acaba quando termina”, afirmou. “Eu sou um homem de ciência, mas eu também sou um homem de muita fé e a gente nunca sabe o que pode acontecer. Milagres ocorrem.”
Ao falar sobre o filho, Lito se emocionou. Ele disse que não sabe como explicar que poderá morrer e que gostaria de acompanhar mais momentos da vida dele.
“Eu queria ter muito mais tempo com ele. Eu queria tomar muita caneta dele, que ele joga a bola me dando caneta”, afirmou, em referência às brincadeiras entre os dois. “Eu não sei como que eu falo para ele que eu vou virar estrelinha. Eu não sei a saudade que ele vai sentir.”
Apesar da possibilidade de morte, Lito disse considerar que teve uma vida feliz e que não guarda mágoas de outras pessoas. “Eu fui extremamente feliz em tudo que eu fiz. […] Então eu tive uma vida maravilhosa.”
O influenciador também falou sobre o futuro de seu canal e dos projetos ligados à aviação. Ele disse não saber se o canal continuará após sua morte, mas espera que a equipe dê sequência ao trabalho.
“Eu não sei o que vai acontecer no canal ainda. Eu não sei se ele vai parar, se ele vai continuar e se vai ter postagens antigas a respeito disso. Eu espero que continue", disse.
Para Lito, o principal legado está na escola que construiu. Ele afirmou que pretende que a Lito Academy continue formando profissionais. “O meu legado, o nosso legado é essa escola que eu construí”, afirmou.
Lito também citou o trabalho de sua esposa, Mila, e da equipe envolvida na operação da escola e na produção de conteúdo. Segundo ele, o projeto é resultado de um trabalho coletivo. “O Lito é só o conteúdo, o conhecimento, mas tudo foi planejado pela Mila, que é uma pessoa que não saiu do meu lado um segundo.”
O influenciador ainda afirmou que a escola está em processo de certificação e que pretende iniciar, em breve, inspeções não destrutivas em materiais aeronáuticos.
Antes de encerrar o vídeo, Lito se despediu da esposa e reafirmou o carinho por ela. “Te amo muito. […] Eu tive a sorte, muita sorte de te encontrar.”
A doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) é uma condição neurodegenerativa rara e fatal relacionada aos príons, proteínas anormais que provocam alterações no tecido cerebral. Ela costuma evoluir rapidamente e comprometer diferentes funções neurológicas.
Entre os primeiros sinais podem estar problemas de coordenação motora, tremores, espasmos musculares involuntários, conhecidos como mioclonias, e paralisias. O quadro também pode provocar perda de memória, confusão mental, demência, alterações na fala e na visão, além de mudanças no sono e fadiga.
Com a progressão da doença, os sintomas neurológicos se tornam mais intensos. O paciente pode apresentar dificuldades para caminhar e realizar atividades cotidianas, perda de autonomia e, em estágios avançados, dificuldade para engolir, ausência de fala e coma.
Não há atualmente tratamento capaz de interromper ou reverter a progressão da doença. O atendimento é voltado principalmente ao controle dos sintomas e aos cuidados paliativos, com acompanhamento de diferentes profissionais de saúde.
A DCJ é considerada uma doença rara e possui poucos registros. Entre 2005 e 2021, o Brasil contabilizou 1.576 notificações de casos suspeitos, segundo levantamento do Ministério da Saúde. Desse total, 34% foram confirmados, o que representa cerca de 547 casos no período.
São Paulo concentrou o maior número de casos confirmados, com 202 registros. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 57; Paraná, com 44; Rio de Janeiro, com 38; e Rio Grande do Sul, com 35.