O Manchester City lidera a temporada atual da Premier League, mas enfrenta incertezas jurídicas após veredicto desfavorável sobre suas finanças. (Giuseppe Maffia/NurPhoto via Getty Images)
Redator na Exame
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 14h40.
RESUMO | O Manchester City foi considerado culpado em quase todas as 115 acusações de violações das regras financeiras da Premier League investigadas ao longo de mais de três anos.
O Manchester City foi considerado culpado na quase totalidade das acusações referentes a infrações das regulamentações financeiras da Premier League. De acordo com informações publicadas pelo jornalista David Ornstein no The Athletic, fontes anônimas ligadas ao processo confirmaram que o clube foi responsabilizado em 114 das 115 acusações formuladas em fevereiro de 2023, após uma longa investigação independente que analisou a gestão contábil da instituição entre os anos de 2009 e 2018.
As sanções cabíveis ainda não foram estipuladas por um painel independente, mantendo todas as possibilidades em aberto — desde pesadas multas e perdas drásticas de pontos na tabela até a hipotética exclusão do campeonato nacional ou a cassação retroativa de títulos conquistados no período. A expectativa nos bastidores do futebol inglês é de que a diretoria do clube adote uma postura de recurso imediato contra o veredito.
Em nota oficial enviada ao The Athletic, um porta-voz do clube declarou que o processo regulatório da Premier League permanece em andamento e sob estrita confidencialidade, reafirmando que a posição institucional segue alinhada à manifestação divulgada no início das investigações. Na época, os dirigentes expressaram surpresa com as acusações, mas resgataram a confiança na apuração imparcial de evidências.
As acusações centram-se na suposta omissão de informações financeiras precisas, falhas na divulgação de pagamentos reais a atletas e treinadores, além de descumprimentos sistemáticos das normas de lucro, sustentabilidade e do Fair Play Financeiro da UEFA. O escopo ganhou tração pública no final de 2018, após a divulgação de documentos vazados pelo jornal alemão Der Spiegel. Embora o clube tenha revertido com sucesso uma punição europeia no Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) em 2020 devido a prazos de prescrição, o inquérito conduzido pela liga inglesa seguiu adiante até o desfecho atual.
Enquanto o cenário jurídico atinge seu ponto mais crítico, a equipe comandada pelo técnico Enzo Maresca — sucessor de Pep Guardiola, que deixou o cargo ao término da última temporada — lidera a tabela da Premier League 2026/27 após um forte investimento de 450 milhões de libras (cerca de R$ 3,47 bilhões) na janela de transferências. No entanto, o futuro esportivo do clube agora depende da proporcionalidade das punições que serão definidas e dos desdobramentos legais nos tribunais esportivos.
O processo que culminou na condenação do Manchester City tem raízes em denúncias e investigações iniciadas há vários anos. O estopim ocorreu em novembro de 2018, quando a revista Der Spiegel publicou documentos financeiros vazados que detalhavam supostas irregularidades contábeis do clube. A partir disso, a Premier League abriu uma investigação minuciosa que durou quatro anos, resultando na formulação oficial de 115 acusações contra a instituição em fevereiro de 2023. O clube sempre negou veementemente todas as irregularidades apontadas.
As acusações englobam o período entre 2009 e 2018 — tempo em que o clube conquistou três títulos da Premier League sob a gestão do grupo Abu Dhabi United, liderado pelo xeque Mansour. A liga inglesa apontou falhas sistemáticas no envio de informações financeiras precisas, ocultação de detalhes de pagamentos a atletas e treinadores, além de descumprimento das regras de lucro e sustentabilidade (PSR) e das normas de Fair Play Financeiro da UEFA. Em paralelo, o clube também travou disputas jurídicas com a Premier League sobre as regulamentações de transações com partes associadas (APT), chegando a um acordo apenas em setembro de 2025.
No âmbito europeu, a tentativa de punição anterior ocorreu em fevereiro de 2020, quando a UEFA aplicou um banimento de dois anos e uma multa de 30 milhões de euros (cerca de R$ 185 milhões). No entanto, o Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) anulou a suspensão cinco meses depois, sob a justificativa de que as infrações alegadas prescreveram ou não puderam ser plenamente estabelecidas. Ainda assim, o CAS considerou grave a falta de cooperação do clube com as investigações europeias, mantendo uma multa de 8,8 milhões de libras (cerca de R$ 68 milhões).
A longa tramitação do processo gerou debates e pressões sobre o diretor-executivo da Premier League, Richard Masters, cobrando transparência e prazos. Enquanto a diretoria do clube criticava os parâmetros regulatórios, a gestão esportiva seguiu acumulando títulos e passando por transições no banco de reservas. O técnico Pep Guardiola estendeu seu vínculo em 2024 afirmando que permaneceria mesmo em caso de rebaixamento, mas encerrou seu ciclo de dez anos no comando ao fim da última temporada, sendo sucedido por Enzo Maresca, que comanda a equipe na liderança do campeonato atual.
O clube foi considerado culpado em 114 das 115 acusações relacionadas a violações das regras financeiras da Premier League.
A investigação abrangeu supostas irregularidades financeiras cometidas pelo clube entre as temporadas de 2009 e 2018.
Não. O painel independente ainda não anunciou as punições, mas o leque de opções inclui multas, perda de pontos e até expulsão da liga.
Sim, a expectativa nos bastidores jurídicos é de que o clube apresente recurso formal contra o veredito desfavorável.
Sob o comando do técnico Enzo Maresca, o Manchester City lidera o campeonato atual, tendo vencido seus primeiros cinco jogos.