Aditivos alimentares: substâncias comuns foram associadas a maior risco cardiovascular (Imagem gerada por IA/EXAME)
Redatora
Publicado em 22 de junho de 2026 às 07h04.
Alguns conservantes amplamente utilizados em alimentos industrializados podem estar associados a um risco maior de hipertensão e doenças cardiovasculares. A conclusão é de um estudo que acompanhou mais de 112 mil adultos na França e analisou detalhadamente a exposição a diferentes aditivos alimentares ao longo dos anos.
Os resultados foram publicados no periódico European Heart Journal por pesquisadores do INSERM, da Universidade Sorbonne Paris Nord e da Universidade Paris Cité, no âmbito do estudo NutriNet-Santé.
A pesquisa acompanhou 112.395 participantes e avaliou o consumo de alimentos e bebidas contendo conservantes alimentares. Os voluntários registravam regularmente sua alimentação, permitindo aos pesquisadores estimar a exposição a diferentes aditivos presentes nos produtos consumidos.
A saúde dos participantes foi monitorada por uma média de sete a oito anos para identificar casos de hipertensão e doenças cardiovasculares, incluindo infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e angina (dor ou desconforto no peito que ocorre quando o músculo do coração não recebe oxigênio suficiente).
Segundo os pesquisadores, quase todos os participantes consumiram pelo menos um conservante alimentar durante os dois primeiros anos de acompanhamento.
A análise mostrou que os voluntários com maior ingestão de conservantes classificados como não antioxidantes apresentaram um risco 29% maior de hipertensão e um risco 16% maior de doenças cardiovasculares quando comparados aos que consumiam menores quantidades. Já aqueles com maior consumo de conservantes antioxidantes apresentaram um risco 22% maior de hipertensão.
Os autores destacam que as associações mais fortes foram observadas entre os indivíduos com maior exposição aos aditivos.
Os pesquisadores avaliaram individualmente os 17 conservantes mais consumidos pelos participantes. Oito deles apresentaram associação específica com maior risco de hipertensão:
Entre esses aditivos, o ácido ascórbico (E300) também foi associado a um risco maior de doenças cardiovasculares.
Apesar dos resultados, os autores ressaltam que o trabalho é observacional e, portanto, não permite estabelecer uma relação direta de causa e efeito. Segundo os pesquisadores, os resultados indicam associações estatísticas que permaneceram mesmo após o ajuste para diversos fatores que poderiam influenciar o risco cardiovascular.
Eles afirmam, ainda, que serão necessárias novas pesquisas para compreender melhor os mecanismos biológicos envolvidos e confirmar os resultados observados.
De acordo com os autores, as descobertas reforçam recomendações já existentes para priorizar alimentos não processados ou minimamente processados e evitar o consumo desnecessário de aditivos alimentares.
A equipe também defende que órgãos reguladores avaliem continuamente os riscos e benefícios desses ingredientes à luz das novas evidências científicas.