Ciência

Vômito fossilizado de 160 milhões de anos revela hábito de répteis marinhos do Jurássico

Mais de 20 blocos fossilizados encontrados na Noruega indicam que plesiossauros regurgitavam partes duras de presas que não conseguiam digerir

Plesiossauros: material preservado ajuda pesquisadores a reconstruir a alimentação de antigos répteis marinhos (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Plesiossauros: material preservado ajuda pesquisadores a reconstruir a alimentação de antigos répteis marinhos (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)

Publicado em 24 de setembro de 2026 às 18h44.

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Há mais de 160 milhões de anos, grandes répteis marinhos podem ter adotado um hábito curioso depois das refeições. Cientistas encontraram na Noruega mais de 20 blocos de vômito fossilizado que sugerem que esses animais nadavam até regiões próximas à costa para eliminar partes de presas que não conseguiam digerir.

Os fósseis, datados do período Jurássico, continham conchas de moluscos, estruturas produzidas por vermes e fragmentos de outros invertebrados. As evidências, publicadas na revista científica Geological Magazine, apontam os plesiossauros como os candidatos mais prováveis a terem produzido o material.

Vômito fossilizado revelou uma pista inesperada

Além do conteúdo dos blocos, o local onde eles foram encontrados chamou a atenção dos pesquisadores. As presas identificadas nos fósseis viviam em águas com níveis relativamente estáveis de sal. O material, porém, foi preservado em uma área que, durante o Jurássico, correspondia a um delta de rio.

A entrada frequente de água doce provocaria grandes mudanças na quantidade de sal da água. Essa diferença levou o paleontólogo Dirk Knaust, autor do estudo, a propor que os animais caçavam em águas mais profundas e depois se deslocavam para regiões próximas à costa.

As partes duras das presas permaneceriam no estômago até serem compactadas e posteriormente eliminadas pela boca.

Por que os plesiossauros são os principais suspeitos

Para descobrir quais animais poderiam ter produzido o material, Knaust comparou os fósseis com diferentes espécies que habitavam os oceanos do período Jurássico.

Peixes provavelmente produziriam blocos pequenos demais. Tubarões e crocodilos também foram considerados, mas se alimentavam principalmente de peixes. Os pesquisadores não encontraram restos de esqueletos desses animais nas amostras analisadas.

O tamanho dos blocos e a combinação de invertebrados encontrados se encaixaram melhor no perfil alimentar dos plesiossauros. Esses répteis provavelmente procuravam alimento no fundo do mar. Como seus dentes não eram adequados para triturar conchas, partes resistentes das refeições poderiam permanecer no estômago.

O processo seria semelhante ao observado atualmente em algumas aves, que regurgitam partes das presas que não conseguem digerir.

Plesiossauros podem ter ido à costa após caçar

O local onde os fósseis foram preservados também oferece pistas sobre o comportamento desses animais. Knaust considera possível que os plesiossauros se aproximassem da costa para descansar ou dormir depois da caça. Esse poderia ser o momento em que eliminavam o material acumulado no estômago.

O comportamento teria semelhanças com o observado em focas e crocodilos marinhos atuais. Os plesiossauros, porém, provavelmente permaneciam dentro da água por causa do tamanho e do formato do corpo.

Os cientistas também precisaram diferenciar os possíveis vômitos de coprólitos, nome dado às fezes fossilizadas. Os blocos regurgitados apresentavam mais restos de alimentos não digeridos, formato irregular e composição mineral diferente.

Como o vômito fossilizado sobreviveu por 160 milhões de anos

A preservação desse tipo de material é rara. Grande parte provavelmente desapareceu pela ação das ondas e marés. Segundo o estudo, os restos de alimentos teriam sido compactados e envolvidos por muco antes de serem expelidos.

Os exemplares encontrados podem ter sobrevivido porque foram rapidamente cobertos por sedimentos transportados pelos rios. Alguns também ficaram preservados em buracos deixados por crustáceos no fundo do mar.

Esses fósseis oferecem informações que vão além da alimentação. Para os pesquisadores, eles podem ajudar a reconstruir como animais extintos se comportavam depois das refeições e revelar novas pistas sobre a vida nos oceanos do período Jurássico.

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