Alzheimer: defesa natural do cérebro pode ajudar no combate à doença (krisanapong detraphiphat/Getty Images)
Redatora
Publicado em 24 de março de 2026 às 06h36.
Bactérias presentes no intestino podem ser capazes de alcançar o cérebro ao percorrer estruturas do sistema nervoso, segundo novas evidências científicas. A descoberta reforça a conexão entre microbiota intestinal e doenças neurológicas, como o Alzheimer, e levanta hipóteses sobre novas formas de tratamento.
A constatação vem de um estudo conduzido por cientistas da Emory University, nos Estados Unidos, publicado na revista PLOS Biology. A pesquisa investigou como microrganismos podem se mover entre órgãos por meio do sistema nervoso.
Os pesquisadores identificaram que determinados microrganismos podem utilizar o nervo vago como uma espécie de via de conexão entre o intestino e o cérebro.
No experimento, realizado com camundongos, foi induzido um quadro de intestino permeável — condição que permite a passagem de bactérias pela barreira intestinal. Mesmo sem presença detectável no sangue, esses microrganismos foram encontrados no cérebro dos animais.
Quando o nervo vago foi bloqueado, a presença de bactérias no cérebro caiu significativamente, indicando que essa estrutura pode ser uma das principais rotas de transporte.
A descoberta amplia a compreensão sobre o Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas ao sugerir que a microbiota intestinal pode ter influência direta no cérebro.
Estudos anteriores já haviam encontrado vestígios de bactérias em cérebros humanos afetados pela doença, mas as novas evidências mostram a presença de microrganismos vivos em animais também vivos.
Ainda assim, os cientistas destacam que a quantidade observada foi muito baixa e não permite afirmar que esse processo cause doenças.
O chamado eixo intestino-cérebro tem sido amplamente estudado e envolve a interação entre o sistema nervoso, o sistema imunológico e a microbiota.
Pesquisas apontam que alterações no intestino podem estar associadas a condições de ansiedade, depressão e doenças neurodegenerativas, embora os mecanismos ainda não estejam totalmente definidos.
Apesar de ainda estar em fase inicial, o estudo sugere que, no futuro, intervenções no microbioma intestinal possam contribuir para o tratamento de doenças cerebrais.
A hipótese inclui o desenvolvimento de terapias capazes de modificar a microbiota para influenciar o funcionamento do cérebro.
Com isso, os pesquisadores ressaltam que mais estudos são necessários para verificar se esse mecanismo também ocorre em humanos.