Alzheimer: pesquisa identificou um possível mecanismo que liga a obesidade ao desenvolvimento da doença (Imagem gerada por IA/EXAME/Exame)
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Publicado em 1 de agosto de 2026 às 09h50.
A obesidade pode contribuir para o desenvolvimento da doença de Alzheimer por meio de alterações nas moléculas de gordura presentes no organismo. Pesquisadores do Houston Methodist identificaram um possível mecanismo biológico que ajuda a explicar como problemas metabólicos podem afetar diretamente o cérebro e favorecer a progressão da doença.
Os resultados, publicados na revista científica Molecular Neurodegeneration, mostram que determinadas moléculas de gordura produzidas em maior quantidade durante a obesidade podem alcançar o cérebro, interferir no funcionamento do sistema imunológico e estimular o acúmulo de proteínas associadas ao Alzheimer.
Os pesquisadores concentraram a investigação nas fosfatidiletanolaminas (PEs), um grupo de lipídios que compõe as membranas das células do corpo.
Segundo o estudo, a obesidade aumenta os níveis dessas moléculas no tecido adiposo. Em seguida, elas são transportadas por pequenas partículas capazes de circular pela corrente sanguínea e chegar ao cérebro.
Uma vez no sistema nervoso, essas moléculas parecem prejudicar a comunicação entre as células cerebrais, reduzir a resposta imunológica do cérebro e favorecer o acúmulo da proteína beta-amiloide, uma das principais características da doença de Alzheimer.
Para os autores, esse mecanismo sugere que os efeitos da obesidade sobre o cérebro vão além das alterações metabólicas tradicionalmente conhecidas.
Além de identificar a possível ligação entre obesidade e Alzheimer, os pesquisadores também investigaram se seria possível reverter esse processo.
Ao restaurar o equilíbrio das fosfatidiletanolaminas, a equipe observou melhora na função cerebral e no desempenho cognitivo em modelos da doença de Alzheimer.
Segundo os autores, os resultados indicam que estratégias capazes de reduzir esse desequilíbrio lipídico ou bloquear o transporte dessas moléculas até o cérebro podem representar um caminho promissor para futuras terapias.