Síndrome de Guillain-Barré (Wikimedia Commons)
Repórter
Publicado em 31 de julho de 2026 às 19h12.
Última atualização em 31 de julho de 2026 às 19h12.
A Annexon Biosciences, empresa de biotecnologia sediada na Califórnia, nos Estados Unidos, apresentou resultados positivos de um estudo clínico de fase avançada para o tanruprubart, candidato a se tornar o primeiro tratamento direcionado contra a Síndrome de Guillain-Barré. Os dados foram divulgados no Congresso da Academia Europeia de Neurologia, em Genebra, em junho.
A doença autoimune rara costuma surgir após infecções, como intoxicação alimentar ou gripe, quando o sistema de defesa do corpo, por razões ainda pouco compreendidas, passa a atacar os próprios nervos. O quadro pode evoluir rapidamente para fraqueza, dificuldade para respirar, engolir ou falar, e em casos graves leva à paralisia ou à morte.
Hoje o tratamento padrão é feito com plasmaférese ou imunoglobulina intravenosa, terapias inespecíficas que atuam de forma geral sobre o sistema imunológico e têm eficácia limitada.
Segundo especialistas ouvidos pela revista New Science, não há uma novidade terapêutica relevante para a doença há cerca de 25 a 30 anos, o que abre espaço de mercado para quem chegar primeiro com uma solução mais precisa.
O tanruprubart é um anticorpo monoclonal que bloqueia uma proteína do sangue chamada C1q, desligando uma via específica do sistema imunológico, a via clássica do complemento, apontada como responsável pelo ataque equivocado aos nervos na Síndrome de Guillain-Barré.
No estudo, conduzido em Bangladesh e nas Filipinas com 241 pacientes recém-diagnosticados, quem recebeu uma única infusão intravenosa do medicamento precisou, em média, de 28 dias a menos de ventilação mecânica, sete dias a menos de UTI e recuperou a capacidade de andar sozinho 31 dias antes do que o grupo que tomou placebo.
No entanto, foi maior a proporção de pacientes que relatou melhora expressiva já na primeira semana, e o ganho em qualidade de vida e mobilidade se manteve superior após dois meses de acompanhamento.
Não houve efeitos colaterais graves associados ao tratamento. De acordo com Doug Love, executivo da Annexon, o fato de a aplicação ser uma dose única, sem bloqueio prolongado do sistema imunológico, reduz o risco de infecções decorrentes do próprio tratamento.
A Annexon já protocolou o pedido de aprovação do tanruprubart junto à Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e espera uma resposta no início de 2027. O registro junto à agência regulatória americana, a FDA, deve ser submetido nos próximos meses. Se aprovado, o composto se tornaria a primeira terapia com mecanismo de ação específico para a síndrome.