Viagra: a famosa "azulzinha" tem potencial para atrasar o progresso do câncer pelo corpo (Chris Ratcliffe/Bloomberg/Bloomberg)
Repórter
Publicado em 1 de agosto de 2026 às 08h00.
Hoje conhecido mundialmente como Viagra, o sildenafil foi inicialmente desenvolvido para tratar problemas de circulação sanguínea. Todavia, o medicamento ganhou notoriedade após demonstrar eficácia no tratamento da disfunção erétil.
Agora, pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciência, em Tel Aviv, apontam um possível uso adicional da substância: um estudo indica que o sildenafil pode ajudar a reduzir a formação de metástases em pacientes com câncer.
A metástase é o processo pelo qual células cancerígenas se separam do tumor original e viajam pelo corpo, infectando novos órgãos. A metástase pode resultar em outros tumores e agravar seriamente os quadros clínicos da doença.
Com isso, os pesquisadores explicam que o colesterol é especialmente importante para as células tumorais que tentam se desprender do tumor original.
Segundo os cientistas, o medicamento interfere na capacidade das células cancerígenas de utilizar o colesterol. O composto é considerado essencial para a estrutura das membranas celulares, e sua ausência enfraquece significativamente as células.
Dessa forma, as células teriam mais dificuldade em formar metástases — esse mecanismo estaria relacionado ao efeito vasodilatador do sildenafil, já conhecido na prática clínica.
“O colesterol é particularmente importante para as células cancerígenas que buscam se desprender do tumor primário, migrar pelo corpo e invadir órgãos distantes”, apontam os pesquisadores. Os cientistas ainda afirmam que, se o acesso ao colesterol for limitado, as células, por sua vez, “têm mais dificuldade em formar metástases”.
O estudo sugere ainda que o efeito anticâncer pode ser ampliado quando o medicamento é combinado com estatinas. Essas medicações são amplamente utilizadas para reduzir a produção de colesterol no organismo.
Em artigo publicado na revista Cancer Research, a equipe analisou registros digitais de saúde. Os dados indicaram uma melhora significativa na sobrevivência entre os usuários de sildenafil.
A combinação poderia limitar tanto o colesterol já disponível quanto a produção de novas moléculas pelas células tumorais, e os efeitos foram observados principalmente em células de câncer de mama e de próstata.
“A combinação poderia não apenas limitar o acesso das células cancerígenas ao colesterol existente, mas também impedir que produzam novo colesterol, potencialmente potencializando o efeito antimetastático”, afirma o Instituto Weizmann.
Para a cientista Ayelet Erez, uma das autoras do estudo, do Instituto Weizmann, o trabalho reforça a ideia de que o câncer não é determinado apenas por mutações nas células tumorais. O estado metabólico do paciente e os medicamentos utilizados para outras doenças também podem influenciar a evolução do câncer.