Marmotas: vídeos dos animais ajudam a financiar pesquisas sobre comportamento e mudanças ambientais (Freepik)
Redatora
Publicado em 27 de julho de 2026 às 20h35.
Vídeos de marmotas correndo entre rochas, cavando tocas e se alimentando podem parecer um conteúdo improvável para o OnlyFans, plataforma conhecida por hospedar conteúdo adulto. No entanto, uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) decidiu usar o site para um objetivo diferente: arrecadar recursos para manter um estudo científico de longo prazo sobre esses roedores.
Batizado de OnlyMarms, o perfil publica vídeos das marmotas em seu habitat natural e aceita gorjetas dos assinantes. A iniciativa surgiu após sucessivos cortes no financiamento federal à pesquisa científica nos Estados Unidos, segundo reportagem do The New York Times.
A ideia partiu do biólogo Daniel Blumstein enquanto realizava trabalho de campo em Gothic, no estado do Colorado. Preocupado com a redução dos recursos destinados à pesquisa, ele se inspirou na série "Margo's Got Money Troubles" ("Margô Está em Apuros"na tradução para o português), cuja protagonista recorre ao OnlyFans para complementar a renda.
De volta ao laboratório, Blumstein contou em entrevista ao NYT que apresentou a proposta aos colegas. Um dos estudantes sugeriu o nome OnlyMarms, uma referência às marmotas (marmots, em inglês).
Segundo o pesquisador, o perfil não tem qualquer relação com conteúdo sexual. O objetivo é divulgar a pesquisa e incentivar doações para financiar o trabalho de campo.
A equipe acompanha populações de marmotas-de-barriga-amarela nas Montanhas Rochosas, no Colorado. O projeto é desenvolvido no Laboratório Biológico das Montanhas Rochosas, que monitora esses animais desde 1962.
Os pesquisadores analisam o comportamento, as relações familiares e a resposta das marmotas às mudanças ambientais. Para Blumstein, estudos de longa duração como esse são raros e permitem compreender como populações animais se adaptam ao longo das décadas.
O acesso ao OnlyMarms é gratuito, mas os visitantes podem fazer doações voluntárias. Até a publicação da reportagem, o perfil havia recebido cerca de 2.900 visitas, conquistado 112 assinantes e arrecadado aproximadamente US$ 650 em gorjetas, aproximadamente R$ 3.332,88.
Embora o valor esteja longe das dezenas de milhares de dólares necessárias para manter o projeto, os pesquisadores afirmam que a iniciativa demonstra o interesse do público em apoiar a ciência.
Segundo o jornal, a criação do perfil reflete as dificuldades enfrentadas por pesquisadores após mudanças no financiamento científico promovidas pelo governo do presidente Donald Trump.
Nos últimos meses, o governo reduziu verbas para programas de pesquisa, cancelou bolsas, promoveu demissões em agências científicas federais e anunciou maior prioridade para áreas como inteligência artificial, robótica e energia nuclear, diminuindo o foco em pesquisas das ciências da vida.