Cães: pesquisa usou ressonância magnética para mostrar como o cérebro dos animais responde a diferentes emoções humanas (Freepik)
Redatora
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 19h24.
Os cães são capazes de identificar diferentes emoções no rosto humano e processá-las de maneiras distintas no cérebro. A conclusão é de um estudo publicado na revista iScience na última segunda-feira, 10, que utilizou exames de ressonância magnética funcional (fMRI) para analisar como os animais respondem a diferentes expressões faciais.
Os pesquisadores da Universidade de Viena afirmam que os resultados reforçam a hipótese de que milhares de anos de domesticação favoreceram o desenvolvimento de habilidades sociais que aproximaram a cognição de cães e humanos.
A pesquisa envolveu 20 cães de diferentes raças — principalmente border collies, além de labradores, golden retrievers e vira-latas.
Os animais foram treinados para permanecer imóveis dentro de aparelhos de ressonância magnética funcional enquanto observavam fotografias de pessoas desconhecidas exibindo diferentes expressões faciais.
De acordo com o estudo, a escolha de rostos desconhecidos foi intencional para evitar que o vínculo prévio entre cães e tutores influenciasse os resultados.
Os exames mostraram que os cérebros dos cães respondem de maneira diferente a rostos alegres e neutros, principalmente em regiões equivalentes ao córtex temporal direito.
Além disso, a análise revelou que os animais conseguem diferenciar algumas emoções negativas entre si. O cérebro canino apresentou padrões distintos ao comparar expressões de medo com raiva e de medo com tristeza.
Por outro lado, os pesquisadores não encontraram diferenças significativas entre as respostas cerebrais diante de rostos com expressão de raiva e de tristeza.
Segundo os autores, isso indica que os cachorros vão além de identificar apenas se uma emoção é positiva ou negativa, sendo capazes de distinguir algumas emoções específicas.
Os pesquisadores acreditam que a maior sensibilidade às expressões de alegria esteja relacionada ao processo de domesticação.
Durante milhares de anos de convivência com os seres humanos, reconhecer sinais positivos dos tutores pode ter oferecido vantagens para a cooperação entre as duas espécies. Expressões alegres estariam ligadas ao sistema de recompensa dos cães, ajudando-os a compreender quando determinado comportamento agrada às pessoas.
Já no caso das emoções negativas, os cientistas sugerem que os cães parecem identificar mais facilmente aquelas associadas a maior intensidade emocional, como medo e raiva, do que emoções mais sutis, como a tristeza.
Com isso, os autores destacam que, no dia a dia, os cães não dependem apenas das expressões faciais para interpretar o estado emocional das pessoas.
Tom de voz, postura corporal, gestos e outros sinais também fazem parte dessa comunicação. Assim, em situações reais, os animais provavelmente utilizam todas essas pistas em conjunto para compreender melhor as emoções humanas.