Cães: pesquisadores criaram beagles que não produzem a proteína Can f 1, associada às reações alérgicas em humanos (Freepik)
Redatora
Publicado em 8 de agosto de 2026 às 09h48.
Dois filhotes de beagle geneticamente modificados podem representar um avanço para as pessoas que sofrem de alergia a cães. Pesquisadores da startup Kindred Companion Sciences utilizaram a tecnologia de edição genética CRISPR para eliminar a principal proteína associada às reações alérgicas em humanos, criando animais que não produzem o alérgeno Can f 1.
De acordo com o estudo publicado na revista The CRISPR Journal, os cães nasceram saudáveis, não apresentaram anomalias e deixaram de produzir a proteína considerada a principal responsável por sintomas como espirros, coriza e lacrimejamento em pessoas alérgicas.
A equipe utilizou a ferramenta de edição genética CRISPR para desativar o gene responsável pela produção da proteína Can f 1 em células da pele de uma cadela da raça beagle.
Depois, essas células editadas foram usadas em um processo de clonagem conhecido como transferência nuclear de células somáticas. Ao todo, os pesquisadores produziram 25 embriões com a alteração genética e os implantaram em uma fêmea que atuou como barriga de aluguel.
Dois embriões completaram o desenvolvimento, dando origem aos filhotes Bailey e Alfie.
Após o nascimento, os pesquisadores sequenciaram o DNA dos animais para confirmar que a edição genética havia ocorrido conforme o planejado.
Também analisaram amostras de saliva e caspa dos filhotes. Os exames não detectaram a presença da proteína Can f 1, diferentemente do que ocorreu em amostras coletadas de cães não editados, incluindo um beagle, um poodle e um goldendoodle.
Para avaliar se os animais provocariam reações alérgicas, o fundador da empresa, Matt Walker — que sofre de alergia a cães — realizou um teste cutâneo utilizando extratos obtidos dos filhotes. Segundo o estudo, as amostras dos cães editados não provocaram reação, enquanto o material coletado de um cachorro não modificado desencadeou resposta alérgica.
Walker também afirma conviver com Bailey há cerca de um ano e meio sem apresentar sintomas de alergia.Segundo a startup, os beagles foram escolhidos por serem amplamente utilizados em pesquisas científicas, mas a empresa pretende aplicar a tecnologia em outras raças e também desenvolver cães de serviço com menor potencial alergênico.
Os pesquisadores destacam que todas as células dos filhotes carregam a edição genética, o que significa que a característica poderá ser transmitida aos descendentes caso dois animais editados sejam cruzados.
A equipe também investigou possíveis alterações genéticas indesejadas provocadas pelo CRISPR e informou que não encontrou evidências de edições fora do alvo. Os animais seguem sendo acompanhados por veterinários.