Ciência

Arqueólogos encontram escola onde Aristóteles pode ter ensinado Alexandre, o Grande

Complexo de 2.300 anos na Grécia reúne salas com carteiras de pedra, área de treinamento físico, estádio e espaços para banquetes

Ginásio Real de Mieza: escavações revelaram estruturas de um complexo de ensino construído há mais de 2.300 anos (Divulgação/Ministério da Cultura da Grécia)

Ginásio Real de Mieza: escavações revelaram estruturas de um complexo de ensino construído há mais de 2.300 anos (Divulgação/Ministério da Cultura da Grécia)

Publicado em 26 de setembro de 2026 às 08h00.

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Arqueólogos encontraram no norte da Grécia um complexo de mais de 2,3 mil anos que pode ter abrigado a escola onde Aristóteles ensinou Alexandre, o Grande. As ruínas incluem salas com carteiras de pedra, espaços para exercícios físicos, áreas de convivência e grandes salões de banquetes.

O sítio fica na antiga cidade macedônia de Mieza. As evidências reforçam a hipótese de que o local seja o chamado Ginásio Real, construído em meados do século 4 a.C., durante o reinado de Filipe 2º, pai de Alexandre.

De acordo com informações do Ministério da Cultura da Grécia, as escavações começaram em 2024 e também revelaram moedas, cerâmicas, elementos arquitetônicos e quatro estiletes usados para escrever.

Escola reunia aulas e treinamento físico

O Ginásio Real de Mieza ocupa uma área de aproximadamente 30 acres e reunia diferentes espaços destinados à educação e à atividade física. Entre eles estava o Didaskaleio, área utilizada para aulas. Foi nessa parte do complexo que os arqueólogos encontraram salas equipadas com carteiras de pedra.

Outra estrutura era a palestra, destinada a exercícios e treinamento físico. O sítio também possui um estádio e um pórtico coberto com cerca de 200 metros.

Essa combinação reflete o funcionamento dos ginásios na Grécia Antiga. Esses espaços não serviam apenas para o ensino intelectual, mas também para a preparação física dos jovens, especialmente aqueles pertencentes às elites.

Salões preservavam mosaicos e espaços para banquetes

As escavações também revelaram uma área com mais de 160 metros quadrados formada por um salão e dois andronas, ambientes utilizados para banquetes. Os espaços preservam pisos de mosaico e bases elevadas destinadas aos divãs. Cada salão tinha capacidade para cerca de dez deles e poderia receber pelo menos 20 pessoas.

A existência desses ambientes oferece novas pistas sobre a convivência e a formação dos jovens que frequentavam o complexo. O vínculo com Alexandre aparece também em registros históricos. Na biografia do governante escrita por Plutarco, Filipe 2º teria mandado construir uma escola em Mieza para educar o filho e outros jovens nobres da Macedônia.

Foto: Divulgação/Ministério da Cultura da Grécia (Divulgação/Ministério da Cultura da Grécia)

Foto: Divulgação/Ministério da Cultura da Grécia (Divulgação/Ministério da Cultura da Grécia)

Ruínas sobreviveram à destruição da Macedônia

O complexo sofreu demolições após a Segunda Batalha de Pidna, em 168 a.C., quando a Macedônia foi derrotada por Roma. Apesar da destruição, estruturas importantes permaneceram preservadas sob camadas associadas a incêndios e demolições.

Os arqueólogos encontraram paredes construídas com argamassa de alta qualidade, pisos antigos e diferentes elementos arquitetônicos. Na área destinada aos exercícios apareceram fragmentos de um friso, uma coluna de estilo jônico e um capitel. Parte de uma estrutura dórica considerada rara também foi identificada.

Semelhanças entre esses elementos e a arquitetura do palácio de Aigai, onde Filipe 2º e Alexandre viveram, estão entre as pistas usadas pelos pesquisadores para compreender a importância do complexo.

Evidências ainda não comprovam presença de Alexandre

Apesar das descobertas, os arqueólogos ainda não comprovaram que Alexandre, o Grande, frequentou especificamente as estruturas encontradas. As características do complexo são compatíveis com a escola associada historicamente ao governante macedônio, mas os estudos ainda precisam avançar.

Até agora, nenhum dos objetos recuperados nas escavações foi diretamente relacionado a Alexandre.

O Ministério da Cultura da Grécia informou que as pesquisas continuarão, principalmente na parte leste do complexo. As próximas etapas devem ampliar o conhecimento sobre a arquitetura do Ginásio Real e sobre a educação oferecida à elite macedônia há mais de 2,3 mil anos.

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