Ciência

A ciência revela o que realmente aproxima cães e tutores

Mais do que jogar a bolinha, estudo mostra que brincadeiras com interação social são as que mais fortalecem o vínculo com o pet

Cachorro (MirasWonderland/Getty Images)

Cachorro (MirasWonderland/Getty Images)

Publicado em 23 de abril de 2026 às 06h21.

Alguns minutos a mais por dia podem mudar silenciosamente a relação entre tutor e cachorro. Sem treino novo, sem petiscos extras e sem grandes alterações na rotina, o vínculo emocional pode se tornar mais forte até mesmo em cães adultos.

É o que indica um estudo publicado no periódico Royal Society Open Science. A pesquisa, conduzida por Lina Roth, da Universidade de Linköping, na Suécia, mostra que aumentar o tempo de brincadeira pode gerar mudanças perceptíveis na relação.

Segundo Roth, o estudo identificou uma relação causal entre o aumento do tempo de brincadeira e a melhora do vínculo emocional. O adestramento, por outro lado, não apresentou o mesmo efeito, mesmo quando realizado com recompensas.

A pesquisadora destaca que muitos cães mudam de lar ao longo da vida. Em casos de adoção, o tutor não acompanha a fase inicial de socialização. Nesse cenário, a brincadeira pode ajudar a construir a relação.

Como o estudo foi feito

Para isso, os tutores responderam a um questionário detalhado sobre o relacionamento com seus cães. As perguntas abordavam confiança, convivência e rotina com o animal.

Os pares foram divididos em três grupos:

  • Grupo 1: brincou mais do que o habitual;
  • Grupo 2: intensificou o adestramento com petiscos como recompensa;
  • Grupo 3: grupo de controle, sem mudanças no comportamento.

Após quatro semanas, os participantes responderam novamente ao questionário. Apenas o grupo que aumentou o tempo de brincadeira apresentou melhora no vínculo emocional.

Os outros dois grupos não apresentaram nenhuma melhora em comparação com o período anterior. O treinamento com recompensas, isoladamente, não teve o mesmo efeito.

Mais interação muda comportamento do cão

Os donos do grupo de brincadeiras relataram que os cães passaram a demonstrar maior interesse pelo contato e iniciavam as interações com mais frequência. Segundo os pesquisadores, isso indica que a brincadeira pode influenciar não apenas a percepção do tutor, mas também o comportamento do animal.

Tipos de brincadeira recomendadas

Roth afirmou que simplesmente jogar uma bola não é suficiente. Como o estudo buscava interação social entre o cão e o humano, as brincadeiras propostas incluíram:

  • cabo de guerra
  • perseguição
  • esconde-esconde
  • pega-pega
  • provocação leve com as mãos

Qualidade da brincadeira é o principal fator

Diante disso, os resultados indicam que a qualidade da interação tem mais impacto do que a duração. Segundo a pesquisadora, não é necessário brincar por longos períodos. O mais importante é observar o comportamento do cão e encontrar uma brincadeira à qual o animal responda positivamente.

Apenas alguns minutos de brincadeira, realizados de forma consistente, já são suficientes para fortalecer o vínculo entre tutor e animal.

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