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Com turismo sustentável, Vivalá movimentou R$ 8,5 milhões em economias locais desde 2015

Relatório de impacto é o primeiro divulgado pela empresa e chega em meio a uma demanda cada vez maior por viagens com benefício direto às comunidades visitadas

Em Alter do Chão (PA), gastos indiretos dos viajantes representaram 47,98% do valor pago à comunidade e se consolidou o maior efeito multiplicador entre os destinos da Vivalá (Leandro Fonseca/Exame)

Em Alter do Chão (PA), gastos indiretos dos viajantes representaram 47,98% do valor pago à comunidade e se consolidou o maior efeito multiplicador entre os destinos da Vivalá (Leandro Fonseca/Exame)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 19 de julho de 2026 às 14h00.

Em uma vila ribeirinha de Alter do Chão, no Pará, quase metade do que um turista gasta durante a viagem vai direto para as comunidades locais.

É um dinheiro que não aparece em nenhuma nota fiscal, mas que segundo a Vivalá, negócio social de turismo sustentável, é justamente onde mora o impacto real do setor.

A empresa acaba de tentar colocar esse tipo de fluxo no papel e divulgou seu primeiro relatório de impacto com um dado bastante positivo: as expedições injetaram cerca de R$ 8,5 milhões em economias locais de diferentes territórios brasileiros entre 2015 e 2025.

Só no ano passado, a Vivalá levou 1.928 viajantes para essas expedições e 66% eram mulheres. O levantamento estima que 1.344 pessoas foram impactadas diretamente pelos roteiros, e outras 2.553 de forma indireta.

A tendência encontra respaldo na mudança de comportamento dos viajantes brasileiros: um levantamento da Booking.com identificou que 83% buscam ativamente que suas viagens beneficiem as comunidades locais que visitam.

As experiências em parceria com povos indígenas tiveram peso relevante: mais de R$ 850 mil foram destinados diretamente a esses territórios, via contratação de serviços de base comunitária.

Fora esse valor direto, tem o que cada viajante gasta por conta própria durante a viagem: em média, R$ 361,70 por expedição, entre alimentação, transporte local e artesanato.

É esse gasto "espontâneo" que gera o que a empresa chama de efeito multiplicador e ele varia bastante de destino para destino.

Em Alter do Chão, os gastos indiretos representaram 47,98% do valor pago diretamente à comunidade, enquanto na na Chapada dos Veadeiros (GO), 44,97%. Foram os dois roteiros com maior impacto, concluiu o relatório.

O padrão, segundo a Vivalá, não é aleatório: o impacto indireto tende a ser maior em territórios que já têm mais empreendedores e alguma estrutura básica. Na prática, o turismo sustentável amplia a circulação de renda onde já existe a atividade econômica.

Como a empresa mediu o impacto

A metodologia da Vivalá se apoia em três frentes. A econômica soma os valores injetados via contratação de serviços e gastos dos viajantes.

A social conta pessoas impactadas, colaboradores envolvidos, participação das comunidades, liderança feminina, perfil de quem viaja e horas de capacitação oferecidas.

A ambiental e territorial olha para presença em Unidades de Conservação, biomas atendidos, escala territorial de cada operação e neutralização de carbono.

Os dados vieram de registros operacionais, formulários sociais e pesquisas com os próprios viajantes, com alguns critérios adotados para dar consistência à análise, como um número mínimo de viajantes por expedição considerada e o uso de médias para estimar valores indiretos.

Segundo Daniel Cabrera, cofundador e diretor executivo da Vivalá, há uma lacuna de dados do impacto do setor de turismo sustentável e o relatório quer mudar isso.

"Queremos incentivar o mercado, fazendo com que outras empresas façam o mesmo e o turismo brasileiro como um todo possa evoluir", diz.

Pedro Gayotto, diretor de operações da empresa, resume a lógica por trás da escolha de medir três frentes ao mesmo tempo: "A definição que mais gostamos da sustentabilidade é a do tripé ambiental, social e financeiro", conclui.

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