Ciência

Cientistas descobrem ‘armas metálicas’ que tornam escorpiões mais letais

Pesquisa mostra que zinco e manganês reforçam ferrões e pinças, aumentando eficiência na captura de presas

Escorpião: veneno foi usado para criar moléculas antibacterianas (Getty Images)

Escorpião: veneno foi usado para criar moléculas antibacterianas (Getty Images)

Publicado em 1 de maio de 2026 às 06h39.

Os escorpiões estão entre os predadores mais eficientes da natureza, mas um novo estudo revela que suas "armas" vão além do veneno. Pesquisadores identificaram a presença de metais como zinco, manganês e ferro em partes estratégicas do corpo desses animais, reforçando estruturas usadas para capturar presas e se defender.

A descoberta ajuda a explicar como esses artrópodes evoluíram mecanismos ainda mais eficazes ao longo de milhões de anos. As conclusões são de um estudo publicado na revista científica Journal of The Royal Society Interface.

Como o estudo foi feito

Para entender a distribuição desses elementos, cientistas analisaram 18 espécies diferentes de escorpiões utilizando técnicas como microscopia eletrônica e espectrometria de raios X. Os resultados mostraram que os metais não estão distribuídos de forma aleatória.

Nos ferrões, o zinco aparece concentrado nas pontas, seguido por camadas de manganês. Já nas pinças, esses elementos se acumulam principalmente nas bordas cortantes — áreas diretamente envolvidas na captura e imobilização das presas.

Metais aumentam resistência das 'armas'

A presença desses elementos funciona como um reforço natural, tornando ferrões e pinças mais resistentes ao desgaste. Isso é especialmente importante para estruturas usadas repetidamente durante a caça.

Os pesquisadores observaram que o papel dos metais vai além de aumentar a dureza. Eles também contribuem para a durabilidade, ajudando a evitar que essas partes se quebrem durante o uso.

A hipótese inicial era de que escorpiões com pinças mais robustas teriam maior concentração de metais. No entanto, o estudo revelou um padrão diferente.

Espécies com garras mais finas e alongadas apresentaram níveis mais elevados de zinco. Isso sugere que essas estruturas precisam de reforço adicional para suportar o esforço de segurar a presa antes da aplicação do veneno.

Evolução moldou estratégia de ataque

Os resultados indicam que há uma relação direta entre o uso das estruturas e sua composição química. Escorpiões que dependem mais do ferrão ou das pinças podem ter desenvolvido distribuições específicas de metais ao longo da evolução. Essa adaptação torna suas “armas” mais eficientes, aumentando as chances de sucesso na captura de presas e na defesa contra predadores.

Além disso, os cientistas destacam que essa estratégia não é exclusiva desses animais. Outros artrópodes, como aranhas, abelhas e vespas, também podem apresentar reforços metálicos em suas estruturas.

Com isso, a pesquisa abre caminho para novos estudos sobre como metais ajudam a moldar adaptações evolutivas em diferentes espécies.

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