Ciência

Tubarão misterioso é visto vivo em águas profundas, mostra vídeo

Registros feitos a mais de 1.200 metros de profundidade mostram pela primeira vez o Tubarão-duende em seu ambiente natural

Tubarão-duende: espécie foi filmada em seu habitat natural (Imagem gerada por IA/EXAME)

Tubarão-duende: espécie foi filmada em seu habitat natural (Imagem gerada por IA/EXAME)

Publicado em 16 de junho de 2026 às 13h35.

Um dos tubarões mais misteriosos do planeta foi registrado vivo em seu habitat natural pela primeira vez. Imagens captadas em expedições científicas no Oceano Pacífico revelaram o comportamento do tubarão-duende (Mitsukurina owstoni) nas profundezas marinhas e ajudaram a ampliar o conhecimento sobre a distribuição da espécie.

Os resultados foram publicados na revista científica Journal of Fish Biology e descrevem dois avistamentos inéditos realizados em 2019 e 2024, marcando um avanço importante no estudo desse raro predador de águas profundas.

Primeiros registros no ambiente natural

Desde sua descrição científica no século XIX, todos os tubarões-duende observados vivos haviam sido capturados e levados à superfície. As novas imagens são as primeiras obtidas diretamente no ambiente onde a espécie vive.

O primeiro registro ocorreu em 2019, durante uma expedição do navio de pesquisa E/V Nautilus próxima à Ilha Jarvis, no Pacífico Central. Um veículo operado remotamente filmou um macho solitário a cerca de 1.237 metros de profundidade.

Os pesquisadores estimaram que o animal media aproximadamente 3,43 metros de comprimento.

Já o segundo avistamento foi realizado em 2024 na encosta da Fossa de Tonga, uma das regiões mais profundas do planeta. Embora a qualidade das imagens não tenha permitido a identificação completa do indivíduo, os cientistas acreditam que se tratava de uma fêmea.

Características do tubarões-duende que intrigam os cientistas

O tubarão-duende é facilmente reconhecido pelo focinho longo e achatado e pela mandíbula altamente móvel.

A espécie possui a capacidade de projetar rapidamente a mandíbula para frente durante a captura de presas, um mecanismo considerado um dos mais eficientes entre os tubarões.

Segundo os pesquisadores, esse movimento pode atingir velocidades próximas de 3,1 metros por segundo, permitindo capturar peixes, crustáceos e cefalópodes mesmo em ambientes onde o alimento é escasso.

Essa adaptação é especialmente importante, uma vez que o animal vive em regiões profundas do oceano, onde a disponibilidade de presas costuma ser limitada.

O que os registros revelaram sobre a espécie

Além das imagens inéditas, os avistamentos trouxeram novas informações sobre a distribuição do tubarão-duende. De acordo com os autores do estudo, o registro realizado na Fossa de Tonga aumentou em 697 metros a profundidade máxima conhecida para a espécie.

A observação também ampliou a área de ocorrência documentada do tubarão-duende no Oceano Pacífico e estendeu o limite de profundidade registrado para tubarões da ordem Lamniformes.

Diante disso, os pesquisadores destacam que compreender onde essas espécies vivem é fundamental para orientar futuras estratégias de conservação.

Os ecossistemas de águas profundas enfrentam pressões crescentes provocadas por atividades humanas, mas ainda permanecem entre os ambientes menos estudados do planeta.

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