Ciência

Altman, Zuckerberg e Bezos: como bilionários da tecnologia estão mudando a ciência

Fortunas do setor impulsionam pesquisas sobre longevidade, câncer e IA e ampliam a influência do capital privado sobre os rumos da ciência

Sam Altman: executivo investiu cerca de US$ 180 milhões na Retro Biosciences, empresa dedicada a pesquisas sobre longevidade (Heather Diehl / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP/AFP)

Sam Altman: executivo investiu cerca de US$ 180 milhões na Retro Biosciences, empresa dedicada a pesquisas sobre longevidade (Heather Diehl / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP/AFP)

Publicado em 27 de outubro de 2026 às 05h00.

Priorizar nos meus resultados Google
Tudo sobreBiotecnologia
Saiba mais

Os bilionários da tecnologia estão ampliando os investimentos em pesquisas médicas, com fortunas destinadas a estudos sobre câncer, envelhecimento, inteligência artificial (IA) e doenças neurodegenerativas. O movimento pode transformar a forma como a ciência biomédica é financiada, mas também levanta questionamentos sobre quem define as prioridades das pesquisas.

Empreendedores como Jeff Bezos, Mark Zuckerberg, Bill Gates e Sam Altman estão entre os investidores que destinam recursos a empresas de biotecnologia, laboratórios e organizações científicas.

Segundo uma reportagem publicada na revista científica Nature, o crescimento dessas iniciativas ocorre em um momento de incertezas sobre o financiamento público da ciência, sobretudo nos Estados Unidos.

Diferentemente das agências governamentais, os investidores privados têm maior liberdade para financiar projetos de longo prazo e pesquisas consideradas de alto risco.

Quanto os bilionários estão investindo em pesquisas médicas?

Os aportes incluem investimentos em empresas privadas e doações destinadas a instituições científicas. Entre os principais exemplos apresentados pela análise estão:

  • Jeff Bezos e Yuri Milner: participaram do financiamento da Altos Labs, empresa voltada à longevidade que iniciou suas atividades em 2022 com US$ 3 bilhões em investimentos.
  • Mark Zuckerberg e Priscilla Chan: a Iniciativa Chan Zuckerberg (CZI) já destinou cerca de US$ 4 bilhões à pesquisa científica básica e outras causas, com previsão de investir até US$ 10 bilhões adicionais na próxima década.
  • Sam Altman: investiu aproximadamente US$ 180 milhões na Retro Biosciences, empresa dedicada a pesquisas sobre envelhecimento.
  • Sergey Brin: cofundador do Google, destinou mais de US$ 1 bilhão a pesquisas sobre a doença de Parkinson.
  • Sean Parker: ex-executivo do Facebook, doou centenas de milhões de dólares para estudos sobre imunoterapia contra o câncer.

A Fundação Gates também se destaca no financiamento de pesquisas sobre vacinas e doenças infecciosas. Em 2025, Bill Gates anunciou a intenção de destinar aproximadamente US$ 200 bilhões ao longo de duas décadas.

Como a inteligência artificial está mudando a pesquisa biomédica?

A inteligência artificial está entre as principais áreas de interesse dos investidores do setor tecnológico. Em abril, a CZI anunciou um investimento de US$ 500 milhões para financiar o desenvolvimento de modelos de IA capazes de prever o comportamento de células humanas.

A OpenAI Foundation também anunciou iniciativas voltadas à pesquisa científica. A organização prometeu destinar US$ 25 bilhões a áreas como saúde, cura de doenças e resiliência da inteligência artificial.

Em 2026, foram anunciados mais de US$ 100 milhões para pesquisas sobre Alzheimer e outros US$ 125 milhões para projetos de dados em ciências da vida.

Além do desenvolvimento de tecnologias, parte dos recursos financia estruturas de pesquisa que reúnem profissionais de diferentes áreas. É o caso do Arc Institute, fundado em 2021 com US$ 650 milhões em doações, e da Convergent Research, que organiza equipes para desenvolver ferramentas e métodos científicos.

Por que os bilionários investem em longevidade e câncer?

O interesse dos investidores envolve tanto o desenvolvimento de novas tecnologias quanto questões pessoais relacionadas à saúde.

Empresas como Altos Labs, Calico Life Sciences e Retro Biosciences investigam mecanismos biológicos associados ao envelhecimento e possibilidades de intervenção nesses processos.

Outras iniciativas concentram recursos em tratamentos contra o câncer, doenças neurodegenerativas e tecnologias reprodutivas.

Segundo a Nature, alguns investidores também financiam projetos controversos, como pesquisas sobre edição genética de embriões humanos. Um exemplo é a empresa Preventive, que recebeu apoio do executivo Brian Armstrong, da Coinbase, para investigar técnicas de edição genética hereditária com o objetivo de prevenir doenças.

Quais são os riscos do financiamento privado da ciência?

A expansão dos investimentos privados também provoca debates sobre transparência, prestação de contas e definição de prioridades científicas.

Especialistas destacados Nature apontam que doadores privados podem direcionar recursos para áreas de interesse pessoal, sem necessariamente considerar as necessidades de saúde da população em geral.

A cientista política Rob Reich, da Universidade Stanford, destaca que organizações filantrópicas não estão submetidas aos mesmos mecanismos de responsabilização aplicados a instituições públicas.

Outra preocupação envolve a dificuldade de avaliar os resultados dos investimentos. Segundo Joshua Graff Zivin, da Universidade da Califórnia em San Diego, a ausência de relatórios padronizados dificulta a comparação entre diferentes modelos de financiamento.

Também existe o risco de que grandes aportes criem expectativas financeiras difíceis de sustentar, sobretudo em setores de biotecnologia que dependem de pesquisas prolongadas.

O dinheiro dos bilionários pode substituir o financiamento público?

Apesar do crescimento da filantropia científica, especialistas afirmam que os recursos privados não são suficientes para substituir o financiamento governamental.

Em 2024, organizações filantrópicas e outras instituições sem fins lucrativos financiaram aproximadamente US$ 25 bilhões em pesquisa e desenvolvimento nos Estados Unidos, o equivalente a cerca de 11% do total, segundo dados apresentados pela reportagem. O financiamento público também possui características diferentes, como maior abrangência geográfica e exigências formais de transparência.

Um estudo publicado no mesmo ano identificou que doações de instituições filantrópicas americanas tendem a se concentrar em regiões com as quais os financiadores mantêm vínculos pessoais.

Para os pesquisadores, os investimentos privados podem ampliar as possibilidades de pesquisa, especialmente em projetos de longo prazo, mas a continuidade do financiamento público permanece necessária para sustentar a produção científica.

Acompanhe tudo sobre:longevidadeBiotecnologiaBilionáriosSaúde

Mais de Ciência

Quarto frio ou quente? Como a temperatura pode afetar a qualidade do sono

Fungo gigante de até 50 cm pode ter ligação com extinção dos dinossauros

Eclipse solar de 2.700 anos revela mudança na rotação da Terra

Moeda rara de mil anos é encontrada em tesouro viking com 5.500 peças