Fungo gigante: espécie apelidada de ‘D-rex’ foi encontrada em florestas de Yunnan, na China (Instituto de Botânica de Kunming / Academia Chinesa de Ciências)
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Publicado em 26 de outubro de 2026 às 19h12.
Cientistas descobriram um fungo gigante nas florestas de Yunnan, na China, capaz de atingir 50 centímetros de altura e pesar até 2,2 quilos. Batizada de Dianjunus rex e apelidada de D-rex, a espécie pertence a uma linhagem evolutiva que surgiu há aproximadamente 65 milhões de anos, pouco depois da extinção dos dinossauros.
A descoberta foi realizada por pesquisadores do Instituto de Botânica de Kunming e publicada na revista científica Frontiers in Fungal Biology. O fungo apresenta as maiores estruturas reprodutivas conhecidas entre os integrantes do filo Ascomycota, grupo que reúne mais de 64 mil espécies reconhecidas.
Além do tamanho, as análises genéticas revelaram diferenças tão significativas em relação a outros fungos que os cientistas precisaram estabelecer um novo gênero e uma nova família para classificá-lo.
O Dianjunus rex apresenta estruturas reprodutivas esbranquiçadas e eretas, conhecidas como estromas, que podem alcançar meio metro de altura. Os pesquisadores encontraram essas estruturas crescendo sobre raízes lenhosas de sobreiros chineses, na região do solo que envolve as raízes das plantas.
Antes da descoberta, as maiores estruturas reprodutivas conhecidas entre os ascomicetos atingiam aproximadamente 20 a 30 centímetros. Diferentemente dos cogumelos mais conhecidos, os fungos desse grupo produzem esporos dentro de pequenas estruturas semelhantes a sacos, localizadas em seus corpos de frutificação.
Para investigar a espécie, os cientistas coletaram amostras, cultivaram esporos em laboratório e realizaram análises genéticas. Os resultados mostraram que o fungo era suficientemente distinto de seus parentes conhecidos para justificar a criação da família Dianjunaceae, dentro da ordem Xylariales.
O nome Dianjunus rex faz referência ao antigo reino de Dian e ao tamanho da espécie.
A análise genética revelou que a linhagem evolutiva do fungo provavelmente surgiu há cerca de 65 milhões de anos, aproximadamente um milhão de anos depois da extinção em massa que eliminou os dinossauros não aviários.
Para chegar à estimativa, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada relógio molecular, que compara informações genéticas de diferentes organismos para calcular quando suas linhagens se separaram. A proximidade entre os dois acontecimentos levantou uma hipótese sobre a evolução do fungo.
Segundo Indunil C. Senanayake, pesquisador do Instituto de Botânica de Kunming e autor correspondente do estudo, as transformações ambientais após a extinção podem ter favorecido os ancestrais da espécie.
A grande quantidade de matéria vegetal morta disponível naquele período teria criado oportunidades para fungos capazes de decompor madeira e obter nutrientes desse material.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que essa possível relação ainda é uma hipótese. A análise indica quando a linhagem surgiu, mas não comprova que a extinção dos dinossauros tenha provocado sua evolução.
O tamanho do Dianjunus rex ainda é uma questão em investigação. Uma das hipóteses é que suas estruturas reprodutivas elevadas facilitem a dispersão de esporos pelo vento, sobretudo em florestas densas.
Ao crescer acima da vegetação e dos materiais acumulados no solo, o fungo poderia aumentar as chances de espalhar seus esporos pelo ambiente. Essa estratégia, entretanto, exige uma quantidade considerável de energia para sustentar estruturas tão grandes.
De acordo com Senanayake, o crescimento pode ter evoluído em ambientes nos quais as vantagens da dispersão superaram os custos energéticos.
Os pesquisadores também acreditam que o fungo possua enzimas capazes de decompor madeira morta, como ocorre com outros integrantes da ordem Xylariales. Essa possibilidade ainda precisa ser investigada.
A identificação do D-rex reforça o potencial das florestas de Yunnan para a descoberta de organismos ainda desconhecidos pela ciência. A região reúne diferentes tipos de ambientes florestais, condições climáticas relativamente estáveis e interações complexas entre espécies.
Apesar dessa diversidade, muitos fungos locais ainda foram pouco estudados. Segundo os pesquisadores, o terreno de difícil acesso, o aparecimento sazonal das estruturas reprodutivas e a concentração histórica das pesquisas em espécies de interesse econômico dificultam a identificação de novos organismos.
A equipe considera que novas expedições às florestas da região podem revelar outras espécies com características físicas e histórias evolutivas ainda desconhecidas.