Moeda viking: peça traz o nome e o retrato do monarca que governou a Noruega entre 1015 e 1028 (Lill-Ann Chepstow-Lusty / Museu de História Cultural)
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Publicado em 26 de outubro de 2026 às 18h15.
Uma moeda rara de aproximadamente mil anos, com o retrato de um antigo rei da Noruega, foi identificada em um tesouro viking encontrado no leste do país. O exemplar faz parte de um conjunto com cerca de 5.500 peças de prata e está entre os menos de 20 conhecidos de seu período.
A descoberta ocorreu durante a análise do Tesouro de Mørstad, localizado em abril, nas proximidades da vila de Rena. Segundo comunicado do Museu de História Cultural da Universidade de Oslo, o conjunto inicialmente foi estimado em 3 mil moedas, mas a quantidade pode ultrapassar 6 mil.
A peça chamou a atenção dos pesquisadores por trazer o nome e o retrato de Olaf Haraldsson, conhecido como Olaf, o Santo, que governou a Noruega entre 1015 e 1028 e posteriormente se tornou o santo nacional do país.
A moeda foi cunhada entre 1024 e 1028, nos últimos anos do reinado de Olaf Haraldsson. Atualmente, são conhecidos menos de 20 exemplares produzidos durante seu governo, o que levou o museu a classificar a descoberta como um tesouro nacional.
A identificação foi feita pela pesquisadora Anne Skogsfjord, responsável pela catalogação das moedas. Inicialmente, a arqueóloga acreditou estar diante de um penny anglo-saxão (principal moeda de prata utilizada na Inglaterra medieval), mas a inscrição revelou uma origem diferente.
O texto gravado na peça identifica Olaf como rei dos noruegueses, confirmando que o exemplar foi produzido durante seu reinado. Além do nome do monarca, a moeda apresenta símbolos que ajudam a compreender as transformações políticas e religiosas da Noruega medieval.
De um lado, a moeda apresenta o perfil de Olaf Haraldsson acompanhado de uma inscrição que significa “Olaf, Rei dos Noruegueses”. No reverso, aparecem uma cruz e outra inscrição, traduzida como “Meu líder, meu senhor”.
O desenho combina influências anglo-saxãs e elementos associados à tradição bizantina, incluindo uma cruz representada sobre três degraus, conhecida como cruz de Gólgota.
Segundo Svein Gullbekk, especialista em numismática da Universidade de Oslo, a escolha dos símbolos estava relacionada à expansão do cristianismo na Noruega.
Olaf entrou em contato com a religião cristã durante incursões vikings pela Inglaterra e pela França. Por volta de 1013, foi batizado em Rouen, antes de assumir o trono norueguês em 1015.
Em aproximadamente 1024, o monarca proclamou que apenas o cristianismo seria legal no reino. A decisão, porém, não levou à conversão imediata da população, e comunidades continuaram seguindo tradições religiosas nórdicas.
Nesse contexto, a cunhagem de moedas com o retrato do rei e símbolos cristãos ajudava a associar a autoridade de Olaf à nova religião. De acordo com Gullbekk, a estratégia também permitia apresentar o governante como um rei cristão alinhado às monarquias europeias.
Olaf morreu em 1030 e foi canonizado pouco depois.
Os pesquisadores consideram possível que a moeda tenha passado pelas mãos do próprio Olaf Haraldsson, embora não existam evidências capazes de confirmar essa hipótese.
Segundo Gullbekk, o monarca provavelmente influenciou a aparência das moedas produzidas durante seu governo. São conhecidos apenas três tipos de exemplares, com pequenas diferenças nos desenhos.
A peça encontrada em Mørstad também apresenta marcas de corte nos dois lados, feitas para verificar se o metal era realmente prata. Essas incisões indicam que a moeda circulou em transações econômicas, além de carregar símbolos relacionados à autoridade real e à religião.
De acordo com o Museu de História Cultural, o exemplar permaneceu em circulação por aproximadamente 20 a 25 anos antes de ser depositado junto às demais moedas do tesouro. Após cerca de mil anos enterrada, a peça foi identificada durante o trabalho de catalogação do conjunto descoberto em 2026.