Câncer: relatório internacional aponta mudanças na incidência de diferentes tipos de tumor entre adultos mais jovens (Unsplash)
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Publicado em 19 de outubro de 2026 às 10h42.
Os casos de câncer em pessoas com menos de 50 anos aumentaram nas últimas duas décadas, segundo uma análise divulgada pelo World Cancer Research Fund (WCRF). O levantamento identificou crescimento na incidência de diferentes tipos de tumores em três países e aponta possíveis fatores associados à tendência.
O relatório reuniu pesquisas sobre 12 tipos de câncer e analisou dados dos Estados Unidos e da Holanda entre 2000 e 2023, além de informações da Inglaterra entre 2001 e 2023.
Entre os resultados, o câncer colorretal, que afeta o intestino grosso e o reto, apresentou aumento entre homens e mulheres nos três países. Também foram observadas altas nos casos de câncer de rim e fígado.
Apesar do crescimento, os pesquisadores ressaltam que o câncer continua sendo mais frequente em pessoas de idade avançada, que permanece como um dos principais fatores de risco para a doença.
A análise identificou diferenças nos tipos de câncer que apresentaram crescimento de acordo com o país e o sexo dos pacientes. Nos Estados Unidos, houve aumento de casos de câncer colorretal, de rim e de fígado entre homens e mulheres. Ainda entre as mulheres, também cresceram os diagnósticos de câncer de mama, útero, pâncreas e estômago.
Na Inglaterra, o levantamento apontou aumento de câncer de mama, colo do útero, útero, pâncreas e estômago entre as pessoas do sexo feminino. Já em relação aos homens, foram registrados aumentos nos casos de câncer de pâncreas e próstata.
O câncer colorretal, de rim e de fígado também apresentou crescimento nos dois sexos na Inglaterra e na Holanda.
Os dados indicam que a tendência não ocorre de maneira uniforme: determinados tumores registraram aumentos em grupos específicos, enquanto outros não apresentaram o mesmo comportamento.
Segundo o World Cancer Research Fund, não existe uma explicação única para o crescimento dos diagnósticos de câncer em adultos mais jovens. Uma das hipóteses envolve mudanças nos hábitos de vida, como a redução da atividade física e o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, fatores que podem contribuir para o sobrepeso e a obesidade.
O excesso de peso está associado a um risco maior de desenvolvimento de diferentes tipos de câncer. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade entre adultos dobrou desde a década de 1990 e quadruplicou entre adolescentes. Atualmente, uma em cada oito pessoas no mundo vive com obesidade.
Outros fatores de risco conhecidos para o câncer incluem tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e exposição excessiva à radiação ultravioleta.
O relatório também chama a atenção para a percepção de que o câncer é uma doença exclusiva de pessoas mais velhas. Essa associação pode fazer com que adultos jovens não reconheçam sinais de alerta ou demorem a procurar atendimento médico.No entanto, a demora na busca por atendimento não explica, por si só, o aumento da incidência da doença. A investigação das possíveis causas exige considerar diferentes fatores ambientais, comportamentais e biológicos.
Embora alguns tipos de câncer estejam aumentando entre pessoas com menos de 50 anos, isso não significa que a doença tenha se tornado mais frequente nessa faixa etária do que entre os idosos.
A idade continua sendo um dos principais fatores de risco para o câncer, e a maior parte dos diagnósticos ocorre em pessoas mais velhas.
O que os dados mostram é uma mudança na frequência de determinados tumores entre adultos jovens, incluindo alguns que historicamente eram menos comuns nessa população.
Também é importante distinguir o aumento da incidência, que corresponde ao número de novos casos, de mudanças na mortalidade ou nas chances de sobrevivência. O levantamento apresentado pelo WCRF trata das tendências de novos diagnósticos.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) recomenda medidas de prevenção que podem ajudar a reduzir o risco de câncer e de outras doenças crônicas. Entre as principais orientações estão:
O diagnóstico precoce pode ampliar as possibilidades de tratamento de diferentes tipos de câncer. Por isso, conhecer os fatores de risco e seguir as recomendações de acompanhamento médico continua sendo importante, inclusive antes dos 50 anos.