Ciência

Pesquisa encontra associação surpreendente entre GLP-1 e comportamento violento

Novo estudo com mais de 800 usuários de medicamentos GLP-1 encontrou associações mais fracas entre impulsividade, consumo de álcool e agressões

GLP-1: estudo sugere que medicamento pode influenciar comportamentos ligados à impulsividade (Imagem gerada por IA/EXAME)

GLP-1: estudo sugere que medicamento pode influenciar comportamentos ligados à impulsividade (Imagem gerada por IA/EXAME)

Publicado em 22 de junho de 2026 às 09h16.

Medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, como Ozempic e Wegovy, podem estar associados a efeitos que vão além do controle do diabetes e da perda de peso. Um novo estudo da Universidade Rutgers sugere que esses tratamentos podem enfraquecer a relação entre impulsividade e comportamento violento.

Os resultados foram publicados na revista científica Criminology e indicam que usuários atuais desses medicamentos apresentaram associações significativamente menores entre impulsividade, consumo de álcool e atos violentos quando comparados a pessoas que já haviam interrompido o tratamento.

O que o estudo descobriu

A pesquisa analisou dados de 7.521 adultos dos Estados Unidos coletados em 2025. Entre eles, 821 participantes haviam utilizado medicamentos da classe GLP-1, incluindo semaglutida e outros tratamentos semelhantes.

Diante disso, os cientistas examinaram a relação entre impulsividade, ingestão de álcool e episódios de violência relatados pelos participantes. As ocorrências avaliadas incluíam envolvimento em brigas, agressões físicas e roubos.

Os resultados mostraram que níveis mais elevados de impulsividade estavam associados a uma maior probabilidade de comportamentos agressivos. No entanto, essa ligação apareceu de forma muito menos intensa entre os usuários atuais dos medicamentos.

Segundo os autores, a associação entre impulsividade e violência foi cerca de 62% mais fraca entre os participantes que utilizavam agonistas do GLP-1 no momento da pesquisa do que entre aqueles que já haviam interrompido o tratamento.

Relação entre álcool e violência também foi menor

Os pesquisadores identificaram um padrão semelhante ao analisar o consumo de bebidas alcoólicas.

Embora a ingestão de álcool continuasse relacionada a uma maior frequência de comportamentos agressivos, essa associação foi aproximadamente 52% menor entre os usuários atuais dos medicamentos.

A equipe destaca, porém, que esse resultado apresentou menor consistência em análises complementares e precisa ser confirmado por estudos futuros.

O que pode explicar essa associação

Os autores sugerem que os agonistas do GLP-1 podem influenciar regiões do cérebro envolvidas no controle de impulsos, na tomada de decisões e nos mecanismos de recompensa.

De acordo com a hipótese levantada pelos pesquisadores, esses tratamentos não eliminariam características impulsivas, mas poderiam reduzir a probabilidade de que determinados impulsos fossem convertidos em ações.

Essa interpretação está alinhada a pesquisas recentes que investigam possíveis efeitos dos medicamentos GLP-1 sobre comportamentos compulsivos e outras funções relacionadas ao autocontrole.

O estudo avalia que Ozempic reduz a violência?

Não. Os pesquisadores enfatizam que os resultados não permitem concluir que Ozempic, Wegovy ou outros medicamentos da mesma classe reduzam diretamente comportamentos violentos.

Como o estudo foi observacional e analisou dados coletados em um único momento, não é possível determinar se os medicamentos foram responsáveis pelas diferenças observadas.

Segundo os autores, serão necessários estudos de longo prazo e pesquisas experimentais para esclarecer se existe uma relação causal entre o uso de agonistas do GLP-1 e alterações em comportamentos ligados à impulsividade.

Acompanhe tudo sobre:OzempicGLPPesquisas científicas

Mais de Ciência

Fim dos espirros? Os cães geneticamente modificados que não causam alergias

Conheça o ‘grito’ da cigarra que parece um 'jato decolando'

Fóssil de 518 milhões de anos explica a origem das presas das aranhas

Núcleo 'derretido' da Terra inverte direção sob o Pacífico e intriga cientistas