Espaço: velocidade, combustível e radiação estão entre os maiores obstáculos das viagens espaciais (Freepik)
Redatora
Publicado em 1 de junho de 2026 às 07h49.
A possibilidade de civilizações extraterrestres visitarem a Terra pode ser muito menor do que sugere a ficção científica. Pesquisadores afirmam que os desafios físicos e de engenharia envolvidos em viagens interestelares podem tornar esse tipo de missão extremamente difícil — ou até inviável.
O debate ganhou força após o Pentágono divulgar novos vídeos e imagens de objetos voadores não identificados anteriormente classificados como secretos. Apesar do aumento do interesse público sobre OVNIs, chegar à Terra exigiria superar obstáculos extremos relacionados à distância, velocidade, energia e sobrevivência no espaço profundo.
De acordo com o The Conversation, o cientista aeroespacial Kai James argumenta que não existe evidência de vida inteligente no Sistema Solar. Isso significa que qualquer possível civilização extraterrestre teria que vir de outro sistema estelar.
A estrela mais próxima do Sol, Proxima Centauri, fica a cerca de 4,25 anos-luz da Terra — aproximadamente 40 trilhões de quilômetros. Mesmo viajando em velocidades extremamente altas, uma missão interestelar levaria décadas ou séculos para ser concluída.
O cientista explica que nenhuma nave consegue ultrapassar a velocidade da luz, limite imposto pelas leis da física. Ainda assim, pesquisadores consideram que uma velocidade equivalente a cerca de 10% da velocidade da luz — aproximadamente 30 mil quilômetros por segundo — poderia ser um cenário teoricamente plausível para futuras viagens interestelares.
Mesmo nesse ritmo, uma jornada de 10 anos-luz levaria cerca de 100 anos. Segundo James, viagens tão longas aumentariam o risco de falhas técnicas, acidentes e danos aos sistemas da nave.
Outro obstáculo envolve a quantidade de energia necessária para mover uma espaçonave em velocidades tão extremas. O pesquisador analisa diferentes formas de propulsão espacial, incluindo foguetes químicos, energia nuclear, antimatéria e sistemas impulsionados por lasers.
Segundo a análise, foguetes químicos tradicionais seriam inviáveis para esse tipo de viagem, já que exigiriam quantidades absurdas de combustível. A propulsão por antimatéria aparece como uma alternativa teoricamente eficiente, mas ainda extremamente cara, instável e limitada tecnologicamente.
Já motores de fusão nuclear poderiam gerar muito mais energia do que foguetes atuais, embora ainda não existam sistemas operacionais desse tipo.
Mesmo o espaço interestelar não é completamente vazio. Segundo o pesquisador, partículas microscópicas de poeira e átomos presentes no espaço poderiam atingir uma nave em altíssima velocidade com energia comparável à de projéteis.
Além disso, o bombardeio contínuo de partículas poderia gerar radiação intensa e corroer materiais da estrutura da espaçonave. Para sobreviver à viagem, seria necessário desenvolver sistemas de blindagem extremamente resistentes e leves ao mesmo tempo — outro grande desafio de engenharia.
O cientista destaca que nenhuma lei conhecida da física impede totalmente viagens interestelares. O problema, segundo ele, é que a soma de centenas de limitações tecnológicas e exigências de engenharia pode tornar esse tipo de missão praticamente impossível na prática.
Ainda assim, o pesquisador reconhece que civilizações muito mais avançadas poderiam desenvolver tecnologias desconhecidas atualmente pela humanidade.
Mesmo nesse cenário, porém, essas soluções provavelmente também enfrentariam limitações físicas e desafios técnicos próprios.