AVC: estudo aponta que alterações nos pequenos vasos cerebrais podem estar por trás da condição (Westend61/Getty Images)
Redatora
Publicado em 10 de maio de 2026 às 01h03.
O AVC lacunar, um tipo comum de acidente vascular cerebral, pode não ser causado pelo bloqueio de artérias, como se pensava. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Edimburgo indica que o problema está associado à dilatação e ao alargamento de pequenos vasos sanguíneos no cérebro.
A descoberta ajuda a explicar por que alguns medicamentos amplamente utilizados, como a aspirina, não apresentam o mesmo efeito na prevenção desse tipo específico de AVC. O estudo foi publicado na revista científica Circulation.
O AVC lacunar é um subtipo de acidente vascular cerebral que afeta pequenas artérias no interior do cérebro. Ele representa cerca de um quarto de todos os casos registrados no Reino Unido e pode causar danos neurológicos significativos.
Tradicionalmente, esse tipo de AVC era associado ao acúmulo de gordura e ao bloqueio dos vasos sanguíneos, mecanismo comum em outros tipos da doença. No entanto, o estudo sugere um mecanismo diferente. Em vez de obstrução, os pesquisadores identificaram que o alargamento das artérias cerebrais está fortemente ligado aos casos de AVC lacunar.
Pacientes com esse tipo de alteração vascular apresentaram risco até quatro vezes maior de desenvolver a condição, segundo os dados analisados.
Segundo Joanna Wardlaw, professora de neuroimagem da Universidade de Edimburgo e líder do estudo, em entrevista ao The Guardian, a descoberta ajuda a esclarecer por que medicamentos antiplaquetários, como a aspirina, são menos eficazes nesses casos. Esses tratamentos atuam principalmente na prevenção de coágulos e bloqueios, o que não corresponde ao mecanismo identificado no estudo.
Para a especialista, reconhecer essa diferença é essencial para o desenvolvimento de terapias mais adequadas.
O estudo avaliou 229 pacientes que haviam sofrido AVC lacunar ou outros tipos leves de acidente vascular cerebral. A análise utilizou exames de imagem para comparar as características dos vasos sanguíneos no cérebro.
Os resultados mostraram que o estreitamento de grandes artérias era mais comum em outros tipos de AVC. Já nos casos lacunares foram identificados uma associação mais forte com o alargamento e a dilatação de pequenos vasos cerebrais.
A descoberta sugere que esse tipo de AVC está mais ligado a danos microvasculares do que ao acúmulo de gordura nas artérias, hipótese tradicionalmente associada à doença. Segundo a pesquisadora, isso pode ajudar a explicar por que medicamentos usados na prevenção de AVCs isquêmicos nem sempre apresentam a mesma eficácia nos casos lacunares.Diante dos resultados, Wardlaw defende o desenvolvimento de tratamentos voltados especificamente para os pequenos vasos sanguíneos do cérebro. Apesar disso, destacou haver lacunas importantes no entendimento do AVC, uma das principais causas de incapacidade e mortalidade no mundo.
Por fim, a pesquisa reforça a necessidade de ampliar os estudos na área para desenvolver terapias mais eficazes e melhorar a recuperação dos pacientes.