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Wagner Moura: de Salvador ao panteão de Hollywood

Dos palcos do teatro em Salvador aos estúdios de Hollywood, o baiano se tornou o primeiro brasileiro a vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama

Wagner Moura: de Salvador a Hollywood (Gareth Cattermole/Getty Images)

Wagner Moura: de Salvador a Hollywood (Gareth Cattermole/Getty Images)

Luiza Vilela
Luiza Vilela

Repórter de Casual

Publicado em 11 de janeiro de 2026 às 15h56.

Última atualização em 12 de janeiro de 2026 às 23h02.

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Muito antes do sucesso de Fernanda TorresAinda Estou Aqui nas premiações do ano passado, que marcaram uma retomada do cinema nacional, outro ator brasileiro já trilhava uma carreira sólida — e próspera — no exterior. Na noite deste domingo, 11, ele fez história como o primeiro brasileiro a vencer o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama.

A trajetória de Wagner Moura nas telonas, que é um dos favoritos à temporada de premiações pelo trabalho em O Agente Secretode Kleber Mendonça Filho, e já é vencedor de um batalhão de prêmios pela atuação no filme — incluindo o de Melhor Ator no Festival de Cannes —, começou, na verdade, no jornalismo.

O ator se formou na Universidade Federal da Bahia, em Salvador, e chegou a atuar como repórter em um programa de TV local, mas logo desistiu para focar em uma carreira no teatro.

"Eu tive uma passagem breve pelo jornalismo, mas que me auxiliou muito a saber como informar (até no cinema) e como encontrar informação", disse o ator à Casual EXAME em 2024, durante a pré-estreia de Guerra Civil no Brasil. "Eu tenho muita preocupação com relação ao estado do jornalismo hoje. É uma instituição essencial para a manutenção da democracia."

Aos 21 anos, o baiano chamou a atenção da mídia pela atuação na peça Abismo de Rosas, em 1997, pela qual ganhou a estatueta de Ator Revelação no Prêmio Braskem, e em A Máquina, em 2000, ao lado de Lázaro Ramos e Vladimir Brichta.

O trabalho que o levou para o Rio de Janeiro foi precursor para papéis que vieram nos anos seguintes e já alcançaram voo em premiações internacionais de cinema — o próprio Globo de Ouro, por exemplo.

O "molho" de Salvador no cinema começou cedo

Nos anos 2000, ainda na efervescência da ascensão do cinema brasileiro depois da vitória de Central do Brasil (1998) no Globo de Ouro e na indicação ao Oscar, veio o primeiro grande trabalho do ator nos cinemas.

Ele estrelou como coadjuvante no filme Sabor da Paixão, coprodução brasileira com os Estados Unidos e a Espanha que estreou na seção Un certain regard do Festival de Cannes daquele ano.

O elenco contava com atores como Penélope Cruz, Murilo Benício e Mark Feuerstein, e foi o portfólio ideal para que Moura deslanchasse no mercado.

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Depois da estreia, um dos primeiros cineastas a notá-lo, coincidentemente, foi o mesmo diretor de Ainda Estou Aqui, Walter Salles. Vinte e quatro anos antes de levar o Oscar de Melhor Filme Internacional, o cineasta tentava um espaço nas premiações de Hollywood com o longa Abril Despedaçado (2001)estrelado por Rodrigo Santoro. Moura interpretou Matheus, um papel coadjuvante.

A produção chegou a ser indicada ao Globo de Ouro de Melhor Filme de Língua Não-Inglesa e acabou perdendo a estatueta para Terra de Ninguém (2001), da Bósnia. Mas abriu portas tanto para Santoro quanto para Moura no cenário nacional e internacional.

"Walter é um desses caras sensacionais do nosso cinema e o que ele fez com Ainda Estou Aqui foi fantástico. É um dos cineastas que reconhece a importância do brasileiro se ver na tela, e como fazer isso", disse Wagner Moura em uma conversa com jornalistas, pouco antes da estreia de Ladrões de Drogas (2025), série da Apple TV+ na qual atua como coadjuvante.

Antes de alçar voo para fora do Brasil, no entanto, o baiano firmou os pés em solo nacional para estrelar em novelas e algumas das maiores produções da história do cinema brasileiro.

Em 2003, teve papéis em quatro filmes: O Caminho das Nuvens, O Homem do Ano, Deus é Brasileiro e Carandiru  este último um clássico nacional que despontou nas críticas da época como um dos maiores trabalhos de Moura nas telonas.

A virada do Capitão Nascimento

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Mas foi em 2007 que a posição entre os grandes atores brasileiros realmente "pegou" para ele. Além dos papéis em Saneamento Básico, Ó Pai, Ó e Ópera do Mallandro, Moura foi protagonista de Tropa de Elite, no icônico papel do Capitão Nascimento.

Dirigido por José Padilha, o filme, que faz uma dura crítica à atuação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) nas favelas do Rio de Janeiro, ganhou repercussão internacional ao vencer o Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim (2008), e fez mais de R$ 25 milhões em bilheteria.

A continuação, que veio em 2010, passou dos R$ 100 milhões e entrou para a história das maiores arrecadações do cinema do Brasil.

De Salvador para Hollywood

O sucesso das duas produções catapultou a carreira de Wagner Moura para fora do Brasil. Em 2013, o baiano fez a estreia na primeira produção inteiramente norte-americana, Elysium, no papel coadjuvante como Spider. E dali para frente, a ascensão foi inevitável, sobretudo em Hollywood.

Em 2015, Moura foi chamado pela Netflix para estrelar a série Narcostrabalho que o tornou mundialmente reconhecido e alcançou números expressivos de audiência.

No papel de Pablo Escobar, o artista recebeu a indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator em Série de Drama, em 2016, mas acabou perdendo o prêmio para Jon Hamm, por Mad Man. 

Mesmo sem a estatueta, o nome do baiano já estava consolidado no cenário de Hollywood. Na carreira como diretor, fez a estreia de Marighellaem 2019. Depois, chegaram trabalhos como O Gato de Botas 2 (dublagem), Guerra Civil (2024), Shining Girls (2022), Sr. e Sra. Smith (2024) e até Ladrões de Droga (2025), produzido por Ridley Scott.

"É uma coisa de louco pensar que eu fiquei por horas conversando com ele [Scott]. Ele foi super aberto, conversamos sobre cinema, sobre direção de filmes. Um privilégio sem fim", disse Moura à EXAME no início de 2025.

Para os próximos anos, Moura tem como projeto a direção de um filme norte-americano estrelado por Elizabeth Moss, ele próprio, Sofia Carson, entre outros.

O Agente Secreto e o fenômeno nordestino

Agora é vez do baiano ganhar destaque com O Agente Secreto (2025), inclusive no Oscar. O longa, ambientado em Recife dos anos 1977, vem colecionando uma porção de prêmios em inúmeros festivais de cinema espalhados pelo mundo.

Na noite deste domingo, no Globo de Ouro, levou as estatuetas de Melhor Filme de Língua Não-Inglesa e sagrou Moura como o primeiro brasileiro a vencer a categoria de Melhor Ator em Filme de Drama. O longa concorria, ainda, a Melhor Filme de Drama — mas perdeu o prêmio para Hamnet - A Vida Antes de Hamletde Chloé Zhao. 

Também saiu vencedor de Cannes com quatro estatuetas, incluindo a de Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Direção para Kleber Mendonça Filho. E levou o Critics Choice Awards deste ano na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

A mira da vez, agora, é o Oscar. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas revela os indicados deste ano no dia 22 de janeiro. A cerimônia de premiação está marcada para o dia 15 de março. E o "molho" da Bahia tem grandes chances.

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