Revista Exame

"Carta de amor ao jornalismo", diz Wagner Moura sobre novo filme

Wagner Moura vive um repórter em filme que mostra os Estados Unidos imersos em uma guerra civil. Confira a entrevista com o ator

Wagner Moura: primeiro trabalho com a premiada produtora A24 (Leandro Fonseca/Exame)

Wagner Moura: primeiro trabalho com a premiada produtora A24 (Leandro Fonseca/Exame)

Publicado em 25 de abril de 2024 às 06h00.

Wagner Moura é a estrela brasileira que desponta em Guerra Civil, novo filme da A24, responsável por Zona de Interesse e Moonlight, ambos vencedores do Oscar em 2024 (melhor filme internacional) e 2017 (melhor filme), respectivamente. Sob direção de Alex Garland (Ex Machina), o filme já é o maior lançamento da produtora nos Estados Unidos e alcançou quase 1 milhão de reais em bilheteria no primeiro dia de estreia no Brasil.

Na trama, o ator baiano interpreta Joel, um repórter especializado em cobertura de guerra, viciado na adrenalina da caça à notícia, que viaja de Nova York a ­Washington D.C., acompanhado de Lee (Kirsten Dunst), Jessie (Cailee Spaney) e Sammy (Stephen McKinley Henderson) com o objetivo de entrevistar o presidente dos Estados Unidos, país imerso em uma guerra civil.

Confira a seguir a entrevista com Wagner Moura.

Por que aceitou o papel em Guerra Civil?

Assim que li o roteiro do Alex Garland achei o assunto muito forte. É um filme que fala sobre o perigo da polarização política, que hoje é a maior ameaça às democracias, quando os dois lados já não conseguem se comunicar mais e desumanizam uns aos outros. Ao mesmo tempo, é um filme bem político, mas que não tem uma agenda ideológica, o que é muito importante quando se fala sobre o perigo da polarização. É retratado do ponto de vista dos jornalistas.

Como foi trabalhar com a A24?

A A24 é uma produtora com a qual eu sempre quis trabalhar. Eles só fazem coisa boa, têm uma curadoria incrível e são muito corajosos, o que foi essencial para Guerra Civil. Esse é um filme que eu acho que os estúdios grandes americanos não bancariam, ainda mais em um ano de eleições americanas.

O filme mudou a sua relação com o jornalismo?

Acho que me deixou mais admirado. Eu tenho muita preocupação com relação ao estado do jornalismo hoje. Como um negócio, parece que está acabando, vive um mercado incerto. Mas é uma instituição essencial para a manutenção da democracia. Quando cada lado ouve só um tipo de mídia, muita narrativa mentirosa entra em ascensão. Tenho muito orgulho de esse filme ser, de certa forma, uma carta de amor ao jornalismo. Ao bom jornalismo, aquele que checa os dados, que registra ambos os lados da história.

Com a carreira em ascensão nos Estados Unidos, ainda sobra espaço para as produções nacionais?

Em fevereiro começo a filmar meu próximo trabalho, um filme com Kleber Mendonça Filho, então com certeza continuo gravando por aqui. Acho que o caminho agora está mais pavimentado, porque há uma globalização com o streaming, que abre mais portas. Isso vai impulsionar muitos talentos brasileiros, vai ter esse intercâmbio. Bruna Marquezine é prova disso. A tendência é ter mais gente talentosa do Brasil indo trabalhar no mercado americano, latino e europeu, até porque hoje todo mundo fala inglês superbem.

Por Luiza Vilela


DOCUMENTÁRIO

Um século de Caymmi

Dorival Caymmi — Um Homem de Afetos | Direção Daniela Broitman | 25 de abril nos cinemas (Divulgação/Divulgação)

Na semana em que Dorival Caymmi celebraria 110 anos, estreia nos cinemas o documentário Dorival Caymmi — Um Homem de Afetos. Dirigido por Daniela Broitman (Marcelo Yuka no Caminho das Setas), a produção apresenta o universo do cantor e compositor que revolucionou a canção no Brasil e abriu caminho para movimentos como a Bossa Nova e a Tropicália. Com depoimentos de familiares e artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Jobim.


LIVRO

Memórias de um naufrágio

Os náufragos do Wager — Uma história de motim e assassinato | David Grann | Companhia das Letras | 89,90 reais (Companhia das Letras/Divulgação)

Mesmo autor de Assassinos da Lua das Flores, David Grann reconstitui aqui a história real do afundamento de um navio britânico no século 18 e de seus sobreviventes em Os Náufragos do Wager. A obra publicada pela Companhia das Letras apresenta uma pesquisa completa do jornalista sobre a viagem e o comportamento humano em situações extremas por meio de uma aventura histórica.


ARTE

Virtude da cor

Detalhe da obra de Silvana Mendes na mostra Um Defeito de Cor: Brasil Império (Sesc Pinheiros/Divulgação)

Ana Maria Gonçalves narra, em Um Defeito de Cor, publicado em 2006, a jornada de uma mulher africana nascida no início do século 19 e escravizada no Brasil, e sua busca por um filho perdido. O livro vencedor do prêmio Casa de Las Américas agora ganha uma exposição no Sesc Pinheiros, em São Paulo. Com curadoria compartilhada entre a autora, Marcelo Campos e Amanda ­Bonan, a mostra conta com 372 peças entre arte têxtil, fotografias, instalações, cartazes, pinturas e esculturas de autoria de artistas do Brasil, da África e das Américas, fazendo alusão ao período do Brasil Império (1822-1889) para discutir os contextos sociais, culturais, econômicos e políticos do século 19 e seus desdobramentos em elementos contemporâneos.

Já no Sesc Avenida Paulista, o artista carioca Maxwell Alexandre apresenta a mostra Novo Poder: Passabilidade. Vencedor do prêmio Pipa 2021, Andrade traz 56 obras sobre a ideia da comunidade preta dentro de galerias, museus, centros culturais e fundações. Em suas obras, o artista dá ênfase a três signos-base: as cores preta, branca e parda. A cor preta aparece na representação dos personagens, a cor branca aponta tanto para o espaço expositivo como para o conhecimento acadêmico, e a cor parda representa a obra de arte e faz referência ao próprio papel, que é o suporte principal da série. “A moda e a arte são dois campos da cultura hegemônica ocidental que se consolidaram a partir da modernidade, cada um com suas especificidades, tendo como ponto em comum a forte influência que ambos exercem na construção de distinções sociais”, diz Maxwell.

Um Defeito de Cor | Curadoria: Amanda Bonan, Ana Maria Gonçalves e Marcelo Campos | De 25 de abril a 1o de dezembro de 2024| Sesc Pinheiros ­— Rua Paes Leme, 195, São Paulo

Novo Poder: passabilidade | Artista e curadoria: Maxwell Alexandre | De 19 de abril a 29 de setembro de 2024 | Avenida Paulista, 119, Bela Vista, São Paulo

Por Júlia Storch


um lugar para comprar decoração...

...em Lima (Peru)

Dédalo é uma loja, um espaço de exposição e um café localizado em um lindo casarão no descolado bairro Barranco. Os cômodos da casa apresentam uma curadoria cuidadosa e exibem uma ampla gama de obras de arte, artesanatos peruanos, objetos reciclados e móveis.    

...em Marrakech (Marrocos)

A caminho do Jardim Majorelle e do museu Yves Saint Laurent fica a 33 Rue Majorelle, uma loja-conceito que vende produtos com design marroquino. Tapeçaria, cerâmica, velas,  mobiliário, obras de arte estão disponíveis na cheirosa loja de dois andares. 

...na Cidade do México (México)

Lago é uma marca que impulsiona o design latino-americano através de vários projetos, como mercados itinerantes e feiras. Além disso, há duas lojas na Cidade do México que vendem cerâmicas e têxteis de designers do Peru, Colômbia, Equador, Argentina, Brasil e, claro, do México.

Por Carolina Gehlen

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