Lula e Donald Trump: presidentes conversaram por telefone na sexta-feira, 21, em meio à escalada das tensões entre Brasil e Estados Unidos. (Ricardo Stuckert / PR)
Repórter
Publicado em 22 de agosto de 2026 às 10h19.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a buscar em Donald Trump um interlocutor capaz de ajudar a reduzir as tensões entre Brasil e Estados Unidos, enquanto o confronto com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, se intensifica. A avaliação é do Financial Times, que aponta a aproximação com Trump como uma estratégia do governo brasileiro em meio à disputa comercial e às eleições de outubro.
A leitura ocorre após Lula e Trump conversarem por telefone por uma hora e 20 minutos nesta sexta-feira, 21. Segundo o governo brasileiro, o diálogo foi "amistoso e cordial", e os dois presidentes concordaram sobre a importância de manter relações comerciais fortes entre os países.
O telefonema aconteceu depois de semanas de críticas públicas entre Lula e Rubio. O secretário de Estado americano acusou o presidente brasileiro de colocar o próprio ego acima dos interesses da população. Lula, por sua vez, chamou Rubio de "bolsonarista" e "anti-latino-americano" e afirmou que o americano "não gosta do Brasil".
Na avaliação apresentada pelo Financial Times, Lula não vê Trump apenas como o responsável pelas medidas que pressionam a economia brasileira. O presidente brasileiro também considera que o contato direto com o americano pode abrir espaço para conter decisões de integrantes do governo dos Estados Unidos.
"Trump é o melhor de todos eles, é o que fala mais sério comigo", disse Lula na semana passada, segundo o Financial Times. O presidente brasileiro também afirmou que os dois são chefes de Estado e têm mais de 80 anos.
Na semana passada, a EXAME mostrou que Trump havia deixado aberta a possibilidade de conversar diretamente com Lula "a qualquer momento". O contato ocorreu nesta sexta-feira, 21, após o presidente brasileiro dizer que pretendia procurar o americano para tratar das tarifas e da relação entre os dois países.
O atrito com Rubio ganhou força após o governo Trump impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. O secretário de Estado responsabilizou Lula pela medida e afirmou que as políticas do presidente brasileiro são prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos.
Para integrantes do governo brasileiro ouvidos pelo jornal, a postura do Departamento de Estado no segundo mandato de Trump se tornou mais ideológica e próxima de setores da direita latino-americana. Brasília avalia que integrantes da pasta têm demonstrado preferência por aliados da família Bolsonaro.
O Departamento de Estado americano rejeita a ideia de interferência nas eleições brasileiras e afirma que respeitará o governo escolhido pelos eleitores. Uma autoridade americana ouvida pelo jornal disse que as conversas planejadas com autoridades brasileiras sobre a integridade eleitoral seriam rotineiras.