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Lula diz que Marco Rubio é 'bolsonarista' e 'anti-latino-americano'

Secretário de Estado americano é visto pela diplomacia brasileira como principal promotor de sanções contra o Brasil

O presidente Lula durante convenção nacional do PT em SP (Miguel SCHINCARIOL/AFP)

O presidente Lula durante convenção nacional do PT em SP (Miguel SCHINCARIOL/AFP)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 7 de agosto de 2026 às 18h35.

Última atualização em 7 de agosto de 2026 às 18h47.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a atuação do secretário de Estado americano, Marco Rubio, nesta sexta-feira, 7. Lula chamou o republicano de "bolsonarista" e "anti-latino-americano" e disse que já comentou pessoalmente com o presidente dos Estados Unidos que Rubio "não gosta do Brasil".

As declarações foram dadas durante a visita de Lula à sede do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), e ocorrem após o presidente ter sinalizado publicamente que deseja telefonar a Donald Trump para falar sobre a defesa do multilateralismo e das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.

Em discurso a servidores e cientistas do Inpe, o presidente afirmou que Rubio atua contra o país. O secretário de Estado é visto pela diplomacia brasileira como o principal articulador de medidas dos EUA contra o Brasil na administração de Trump.

"Ele (Trump) tem um cidadão que não gosta do Brasil, não gosta da América Latina e que é um bolsonarista, que é o homem secretário de Estado, que é o Marco Rubio. Eu falei para o Trump que esse moço não gosta do Brasil, ele é um anti-latino-americano ou um latino-americano frustrado porque ele é um descendente de cubanos em Miami", disse Lula.

O presidente afirmou que Rubio "odeia Cuba, odeia a Colômbia, odeia o Brasil e faz as coisas diferente(mente) do que a gente conversa com o Trump".

Lula voltou a dizer que, em conversas anteriores com Donald Trump, foi tratado com respeito e também respeitou o líder americano. O presidente brasileiro ressaltou que, apesar da boa relação, ficou sabendo do novo tarifaço sobre exportações brasileiras por meio da imprensa.

Os dois líderes já tiveram duas reuniões bilaterais no último ano: em outubro de 2025, na Malásia, e e maio deste ano, quando Lula viajou a Washington e foi recebido no Salão Oval.

A partir da última reunião entre Lula e Trump, porém, a percepção do governo brasileiro é de que a ala mais ideológica do governo Trump, comandada por Rubio, tem ditado a dinâmica da relação com o Brasil. Reservadamente, um integrante do governo com acesso a Lula diz ver nas ações do secretário a intenção de interferir no processo eleitoral brasileiro.

Por isso, o Brasil negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que, na visão do governo brasileiro, viriam ao país para disseminar desinformação sobre urnas eletrônicas.

Em reação à não concessão dos vistos e ao que o Departamento de Estado considera como protelação do aceite do nome indicado por Trump para ser embaixador dos EUA no Brasil, o governo Trump revogou o status do visto da embaixadora brasileira, Maria Luiza Ribeiro Viotti, nesta semana.

Tarifaços

Ao todo, o Brasil tem hoje duas tarifas que incidem sobre as exportações aos Estados Unidos: uma de 25% apenas contra o Brasil e outra, de 12,5%, que também incide sobre dezenas de economias. A de alíquota menor tem como justificativa a acusação de que o país compra produtos feitos com mão de obra forçada.

Lula disse que o tarifaço de 12,5% teria como base o fato de o Brasil importar produtos da China, mas disse que não tem ingerência nem poder de fiscalização sobre o país asiático.

"A gente não tem preferência para vender para ninguém, a gente só quer vender para quem quiser comprar e cada coisa que você não quiser comprar de mim eu vou vender para outro", disse.

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