Lula e Trump: petista defendeu o processo eleitoral brasileiro (Ricardo Stuckert/PR/Reprodução)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 21 de agosto de 2026 às 19h21.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, perguntou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como está o andamento do processo eleitoral brasileiro durante a conversa por telefone realizada nesta sexta-feira, 21. Outros temas polêmicos, como a suspensão do visto da embaixadora do Brasil em Washington, não foi citado na conversa.
Segundo relatos sobre a ligação, o tema apareceu de forma breve no início da conversa e não avançou para uma discussão sobre cenário político ou resultado das eleições.
Lula respondeu ao americano que o processo eleitoral brasileiro está funcionando normalmente e afirmou que o sistema eleitoral do país é confiável.A eleição não foi um dos temas centrais da conversa, que durou cerca de 1h20 e teve como principais assuntos a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, o combate ao crime organizado e conflitos internacionais.
Segundo pessoas próximas ao assunto, Trump não apresentou questionamentos sobre o sistema eleitoral brasileiro nem fez comentários sobre a disputa eleitoral no país. O senador Flávio Bolsonaro (PL), que se encontrou com o Republicano no início do ano, também não foi mencionado.
A conversa entre Lula e Trump, de acordo com esses aliados, foi centrada na tentativa de reabertura das relações diplomáticas entre os dois países em meio ao novo tarifaço do governo americano.
A conversa entre os dois presidentes permaneceu concentrada na retomada do diálogo entre os dois governos, sem discussão sobre reconhecimento de resultado eleitoral ou interferência no processo brasileiro.Hoje, a campanha petista vê que pode existir uma resistência do governo americano em reconhecer uma eventual vitória de Lula em outubro, principalmente influenciada pelo entorno ligado ao secretário de Estado, Marco Rubio.
O telefonema marcou a retomada do contato direto entre os presidentes após um período de tensão na relação bilateral.
A tarifa atual de 25% foi adotada após uma investigação contra o Brasil, iniciada em julho de 2025, por meio da Seção 301. No começo de junho, o USTR, um órgão do governo americano, concluiu que o Brasil age de forma não razoável no comércio bilateral, por práticas como o uso do Pix, a taxação do etanol americano e a falta de combate à corrupção e ao desmatamento.
No mesmo mês, o Brasil foi tarifado novamente, desta vez em 12,5%, pela acusação de que exportações feitas pelo país se beneficiam de trabalho forçado.
Ao final da conversa, Trump indicou disposição para que suas equipes voltassem a conversar com representantes brasileiros.
Para o governo brasileiro, o principal resultado político da ligação foi a reabertura do canal de negociação entre os dois países, enquanto temas eleitorais ficaram fora da agenda principal.A conversa não tratou de dois dos principais pontos de atrito recente entre Brasil e Estados Unidos: as críticas públicas envolvendo o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o impasse diplomático relacionado a vistos de representantes dos dois países.
Rubio ganhou protagonismo na crise bilateral após atribuir ao presidente Lula a responsabilidade pelo novo tarifaço aplicado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em manifestação pública, o secretário afirmou que o governo brasileiro não teria negociado “de boa-fé” e disse que Lula teria colocado seu próprio “ego” à frente de um acordo comercial. O governo brasileiro reagiu e classificou as declarações como ofensivas.
Apesar desse histórico, segundo relatos sobre a ligação, Marco Rubio não foi citado por Trump ou Lula durante a conversa. O telefonema também não abordou a situação da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, cujo visto americano havia sido revogado pelo governo dos Estados Unidos.
O diálogo também não tratou dos pedidos de visto negados pelo Brasil a dois funcionários do Departamento de Estado americano, David Gamble e Ethan Goldrich, segundo relatos. Os dois eram esperados pelo governo americano para uma agenda relacionada a temas políticos e eleitorais no país.
combate ao crime organizado foi um dos temas tratados por Lula e Trump, mas a conversa não mencionou diretamente o Primeiro Comando da Capital (PCC) ou o Comando Vermelho, facções brasileiras classificadas pelo governo americano como organizações terroristas.
A classificação feita pelos Estados Unidos havia provocado reação do governo brasileiro, que demonstrou preocupação com possíveis impactos sobre a soberania nacional e com o uso da medida como justificativa para ações externas no Brasil.
Segundo o relato sobre a ligação, Lula apresentou as ações adotadas pelo Brasil no combate ao crime organizado e destacou a cooperação entre os dois países na área. Trump, por sua vez, compartilhou informações sobre o enfrentamento ao tráfico de fentanil nos Estados Unidos.