Lula: Presidente recebeu apoio formal do PDT à reeleição e citou o secretário de Estado dos EUA ao falar sobre soberania brasileira (Ricardo Stuckert/Flickr/Divulgação)
Repórter
Publicado em 20 de julho de 2026 às 20h44.
Última atualização em 20 de julho de 2026 às 20h49.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta segunda-feira, 20, o apoio do PDT à sua campanha pela reeleição, durante uma convenção em Brasília que também teve discursos sobre a relação do Brasil com os Estados Unidos sob o governo de Donald Trump.
No evento, Lula citou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e afirmou que ele poderia organizar um comitê em apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário na disputa presidencial.
Com a decisão, o PDT tornou-se o primeiro partido a formalizar sua participação na coligação liderada pelo PT para as eleições deste ano. O anúncio ocorreu durante a convenção nacional da legenda, que teve a soberania brasileira como um dos temas dos discursos.
'Cenário tende a piorar e vai corroer competitividade da indústria', diz CNI após tarifaço dos EUA"Hoje não temos um, mas vários traidores que vão aos Estados Unidos pedir para impor punição ao Brasil", disse o presidente. "Se o secretário de estado americano Marco Rubio quiser vir apoiar meu adversário, que venha, que monte o comitê, porque vamos derrotar todos em nome da defesa da democracia nesse país".
Lula voltou ao tema ao defender que decisões sobre o país devem ser tomadas internamente. Em seu discurso, relacionou a discussão sobre soberania à formação histórica do Brasil.
"Temos que dizer, em alto e bom som, que nada é mais sagrado do que, neste momento histórico, a defesa da soberania nacional. Precisamos fazer com que o povo brasileiro sinta orgulho. Este país foi criado e construído por brasileiros. Somos o que somos com 350 anos de escravidão, pela mantaça de indígenas, mas queremos uma coisa sagrada (a sobenaria). Aqui nós erramos por nós. Nós acertamos por nós. E aqui ninguém diz o que vamos fazer. Aqui nós decidimos que fazer, porque isso significa a gente voltar a andar de cabeça erguida e defender a nossa soberania".
Antes da fala do presidente, Carlos Lupi, presidente do PDT e ex-ministro da Previdência no governo Lula, abordou a relação entre Brasil e Estados Unidos após a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros.
Lupi também mencionou Leonel Brizola, fundador do PDT e personagem que teve diferentes momentos de aproximação e distanciamento político de Lula.
"Você representa hoje o único antídoto à desgraça chamada (Donald) Trump. O senhor resgata a história do povo brasileiro, de (Leonel) Brizola, dos brasileiros que morreram servindo a nação. O senhor é um patriota", disse Lupi. "O PDT vai apoiar o senhor desde o primeiro turno. Uma satisfação pessoal minha".
Lupi afirmou durante a convenção que o PDT apoiará Lula já no primeiro turno da eleição presidencial.Na sequência, Lula também recorreu à trajetória de Brizola ao falar sobre o ambiente político brasileiro e citar o espaço ocupado pela família Bolsonaro na disputa pelo poder.
"Eu tive aqui na última vez em uma homenagem que fizemos ao Brizola e eu acho que o Brasil sente saudade do tempo que a gente fazia política neste país, com um pouco de decência de respeitabilidade ao povo brasileiro, porque a política nos últimos anos apodreceu".
Até o momento, Lula reúne o apoio de partidos do campo da esquerda, entre eles PSB, PSOL-Rede, PV e PCdoB. PV e PCdoB fazem parte, ao lado do PT, de uma federação partidária.
Lula defende o Pix e vai aguardar Trump se manifestar sobre tarifaço: 'Ninguém ganha mentindo'Desde o fim do ano passado, aliados do presidente também atuam para que partidos do chamado centrão, grupo de legendas que ocupa espaço no Congresso e em diferentes governos, adotem posição de neutralidade na eleição presidencial. Entre os principais alvos dessa articulação está a federação União Brasil-PP, que possui representantes na Esplanada dos Ministérios.
O comando petista busca ainda uma posição de neutralidade do Republicanos. A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como principal adversário de Lula na disputa, porém, ampliou nas últimas semanas as conversas com a legenda presidida por Marcos Pereira em busca de apoio formal.
Nesse movimento, a articulação prevê o nome de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa durante o governo Bolsonaro e recém-filiada ao Republicanos, como candidata a vice-presidente na chapa de Flávio.
Enquanto Lula amplia as negociações para formar sua coligação, o PSD decidiu disputar a Presidência com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, tendo Gilberto Kassab como candidato a vice.Mesmo com uma candidatura própria ao Palácio do Planalto, diretórios estaduais do PSD que mantêm alianças com o PT deverão dividir palanque com Lula em alguns estados. Entre os casos citados estão Bahia, Rio de Janeiro e Sergipe.
A convenção do PDT também reuniu o presidente do PT, Edinho Silva, e integrantes do governo federal, como os ministros Waldez Góes, do Desenvolvimento Regional; Paulo Pereira, do Empreendedorismo; e Wolney Queiroz, da Previdência.
Pelo PDT, participaram nomes como Juliana Brizola, pré-candidata ao governo do Rio Grande do Sul; os deputados André Figueiredo (CE) e Afonso Motta (RS); e a senadora Leila Barros (DF).
O ex-ministro do Turismo Celso Sabino também esteve no evento. Expulso do União Brasil após se recusar a deixar o governo federal, ele acabou posteriormente substituído no ministério. Deputado federal, Sabino pretende disputar uma vaga no Senado pelo Pará.