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Eleições 2026: quem são os candidatos ao governo do Amazonas?

Sete nomes disputam o governo do Amazonas em 2026: veja quem são, as propostas, o patrimônio declarado e quem tem o apoio do ex-governador Wilson Lima.

Eleições Amazonas: ex-governador, Lima, apoia a eleição de Roberto Cidade

Eleições Amazonas: ex-governador, Lima, apoia a eleição de Roberto Cidade

Diandra Guedes
Diandra Guedes

Colaboradora

Publicado em 22 de agosto de 2026 às 00h10.

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O Amazonas vai às urnas em 4 de outubro de 2026 para escolher o próximo governador do estado. Se nenhum candidato alcançar mais da metade dos votos válidos, um segundo turno acontece em 25 de outubro, conforme o calendário eleitoral aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

É importante lembrar que o estado é o 15º maior colégio eleitoral do país, com cerca de 2,8 milhões de eleitores aptos a votar, o equivalente a 1,76% do eleitorado nacional.

Com o fim do prazo de registro de candidaturas, em 15 de agosto, sete nomes estão confirmados na disputa pelo Palácio Rio Negro, sede do governo amazonense:

  • Cabo Daciolo (Mobiliza);
  • David Almeida (Avante);
  • Gilberto Vasconcelos (PSTU);
  • Isael Munduruku (Rede);
  • Omar Aziz (PSD);
  • Professora Maria do Carmo (PL);
  • Roberto Cidade (União Brasil).

A eleição amazonense tem um ingrediente pouco comum: o atual governador, Roberto Cidade, não foi eleito para o cargo. Ele assumiu o Executivo estadual em abril, depois que o então governador Wilson Lima renunciou para disputar uma vaga no Senado.

No campo das propostas, a disputa gira em torno de problemas recorrentes no estado: filas na saúde pública, infraestrutura precária no interior, segurança pública e o futuro da Zona Franca de Manaus, principal motor econômico do Amazonas.

A Amazônia também entra na pauta de forma direta, com candidatos discutindo a pavimentação da BR-319, a demarcação de terras indígenas, o combate ao desmatamento e a garantia de serviços públicos para comunidades ribeirinhas e povos originários, temas que ganham peso adicional em um estado que concentra a maior floresta tropical do planeta.

As propostas de cada candidato ao governo do Amazonas

Veja como o candidato se posiciona sobre as demandas do estado:

Cabo Daciolo (Mobiliza)

Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos, o Cabo Daciolo. Tem 50 anos, nasceu em Florianópolis (SC) e é bombeiro militar aposentado e pastor evangélico.

Foi deputado federal pelo Rio de Janeiro entre 2015 e 2019 e concorreu à Presidência da República em 2018, quando terminou em sexto lugar, com 1,26% dos votos.

Depois de ter a pré-candidatura à Presidência barrada pelo próprio partido em 2026, Daciolo mudou o domicílio eleitoral para Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas, e decidiu disputar o governo estadual. Sua chapa, formada sem coligação com outras siglas, tem Igor Oliveira como candidato a vice-governador.

O discurso de campanha de Daciolo é centrado na valorização econômica da Amazônia Legal, que reúne nove estados e cerca de 30 milhões de pessoas, e em críticas ao que ele chama de abandono da região pelo poder público federal.

O plano de governo formal da candidatura foi protocolado na Justiça Eleitoral.

David Almeida (Avante)

David Almeida, de 57 anos, é advogado e prefeito de Manaus desde 2021, reeleito em 2024.

Também já presidiu a Assembleia Legislativa do Amazonas e exerceu interinamente o governo do estado em 2017. Sua vice na chapa é a médica Shádia Fraxe, com experiência em atenção primária à saúde.

Em agosto, Almeida lançou o plano de governo "Pra Cima, Amazonas", com 170 propostas organizadas em nove eixos estratégicos.

A saúde pública é apontada como prioridade principal da candidatura, incluindo a promessa de zerar a fila do SisReg, sistema estadual de regulação de vagas hospitalares, e de ampliar e regionalizar o atendimento especializado no interior.

Na área social, o candidato propõe dobrar o valor do Auxílio Estadual, hoje em R$ 150, para R$ 300 mensais.

O plano também prevê os programas Primeiro Emprego Amazonas e Qualifica Interior, voltados à qualificação profissional e à inserção de jovens no mercado de trabalho.

Almeida usa a gestão da capital, onde vive mais da metade da população do estado, como principal argumento de campanha.

Gilberto Vasconcelos (PSTU)

Professor da rede municipal de ensino, formado em Letras pela Universidade Federal do Amazonas, Gilberto Vasconcelos, de 59 anos, integra a coordenação da Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas) e concorre pelo PSTU, sem coligação com outros partidos.

A vice na chapa é a advogada Juliana Frota, servidora do Tribunal de Justiça do Amazonas.

O programa do PSTU defende bandeiras associadas à esquerda sindical: reforma agrária, fim da escala de trabalho 6 por 1, redução da jornada para 36 horas semanais sem corte de salário, demarcação de terras indígenas e proteção de territórios quilombolas.

A candidatura também se posiciona contra a exploração mineral em terras indígenas e áreas de preservação ambiental e defende o fim das escolas cívico-militares na rede estadual, hoje administradas pela Polícia Militar.

Vasconcelos critica o que chama de alternância entre os mesmos grupos políticos no poder e defende maior participação do Estado em setores considerados estratégicos, além de questionar os incentivos fiscais concedidos a multinacionais instaladas no Polo Industrial de Manaus.

Isael Munduruku (Rede)

Advogado e cacique-geral do Parque das Tribos, em Manaus, reconhecida como a maior comunidade indígena urbana do Brasil, Isael Munduruku concorre pela Rede Sustentabilidade, dentro da federação formada com o PSOL. O vice na chapa é Léo Balbi, do PSOL.

A candidatura tem como eixos a defesa da Zona Franca de Manaus, considerada estratégica para a geração de emprego e renda no estado, e melhorias na infraestrutura da BR-319, incluindo governança ambiental e respeito aos povos tradicionais na pavimentação da rodovia.

Munduruku também propõe a construção de uma ponte ligando Iranduba a Manaquiri para conectar Manaus à rodovia.

Outros pontos do programa incluem o fortalecimento de políticas de inclusão de povos indígenas e outras minorias na administração estadual, a proteção da Amazônia e o desenvolvimento sustentável.

Munduruku afirma que busca votos pelas propostas apresentadas, e não apenas pela representatividade indígena da candidatura.

Omar Aziz (PSD)

Senador desde 2015 e ex-governador do Amazonas entre 2010 e 2014, Omar Aziz tenta retornar ao Executivo estadual pelo PSD. Sua vice é a deputada estadual Alessandra Campêlo, também do PSD.

A coligação "Força Amazonas" reúne PSD, MDB, Republicanos e a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PC do B e PV, o que coloca Aziz ao lado de parte da base local do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Eduardo Braga (MDB).

O programa de Aziz, batizado de Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas, foi protocolado no Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) e detalha um diagnóstico fiscal do estado: a dívida pública amazonense passou de R$ 716 milhões em 2015 para R$ 2,4 bilhões em 2025, e os gastos com sentenças judiciais saltaram de R$ 15 milhões para R$ 426 milhões no mesmo período.

Com base nesse cenário, o candidato defende ajuste fiscal, corte de custeio e revisão da estrutura de cargos comissionados.

Entre as propostas setoriais estão a valorização de professores, com cumprimento da data-base e progressão de carreira, a expansão do ensino integral e investimentos em aeroportos, maternidades e hospitais regionais para reduzir o isolamento de municípios do interior durante a seca.

Professora Maria do Carmo (PL)

Maria do Carmo Seffair é empresária do setor educacional, formada em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Amazonas e em Direito, com mestrado e doutorado na área jurídica.

É a primeira vez que ela concorre como cabeça de chapa a um cargo majoritário, depois de ter disputado a vice-prefeitura de Manaus em 2024. Seu vice é o coronel Aníbal Gomes Jr, do Corpo de Bombeiros do Amazonas.

A candidata tem apoio declarado do ex-presidente Jair Bolsonaro, da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República. Sua coligação, batizada de "Mudar é Urgente!", reúne o PL e o Novo.

Entre as propostas, Maria do Carmo defende dividir o interior do Amazonas em polos regionais de governo, funcionando como subsedes administrativas para descentralizar serviços públicos.

A candidata também propõe levar métodos de gestão da iniciativa privada para o governo estadual e defende investimentos em infraestrutura, crédito rural e fortalecimento da agropecuária como forma de gerar emprego e renda no interior.

Roberto Cidade (União Brasil)

Roberto Cidade, de 39 anos, é o atual governador do Amazonas. Presidia a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) quando assumiu o Executivo estadual, em abril de 2026, após a renúncia de Wilson Lima.

Cidade concorre à reeleição tendo como vice o atual vice-governador, Serafim Corrêa, do PSB. A coligação "União Pelo Amazonas" reúne a Federação União Progressista, o Podemos e o PSB.

O plano de governo da chapa, protocolado no TRE-AM, tem 44 compromissos organizados em três eixos: cuidar das pessoas, gerar emprego e renda a partir de novas matrizes econômicas e preparar o estado para o futuro, com investimentos em educação, tecnologia e inteligência artificial.

Entre as propostas está a ampliação do Auxílio Estadual de R$ 150 para R$ 250 mensais a partir de 2027, com a meta de alcançar 300 mil pessoas na capital e no interior, além de um benefício de R$ 500 por mês para famílias atípicas, voltado a pais e mães de pessoas com autismo.

O plano também prevê a criação do Centro TEA Amazonas, descrito pela campanha como o maior centro de inclusão da América Latina.

Na campanha, Cidade tem citado como legado de sua gestão o reforço do efetivo policial, a criação da Ronda Maria da Penha Fluvial e o maior concurso público já realizado pela Secretaria de Educação do estado.

Quem recebe o apoio de Wilson Lima, ex-governador do Amazonas?

Wilson Lima governou o Amazonas por dois mandatos consecutivos, eleito em 2018 e reeleito em 2022, quando venceu o segundo turno com 56,98% dos votos válidos contra o então senador Eduardo Braga. Por não poder concorrer a um terceiro mandato seguido, ele precisaria deixar o cargo até seis meses antes da eleição, caso quisesse disputar outra vaga em 2026.

No início de março, Lima chegou a anunciar publicamente que não renunciaria ao governo para disputar o Senado, rompendo uma tradição de 36 anos entre governadores amazonenses. Segundo ele, a decisão era motivada pela responsabilidade de honrar o mandato para o qual havia sido eleito.

Menos de um mês depois, porém, Lima mudou de posição. Em 4 de abril de 2026, renunciou ao governo do Amazonas, no mesmo dia em que o vice-governador, Tadeu de Souza, também deixou o cargo.

Lima explicou a mudança, afirmando que a experiência à frente do Executivo estadual mostrou os limites de atuação de um governador, já que boa parte das mudanças que pretende defender depende de leis aprovadas no Congresso Nacional, entre elas medidas mais rígidas na área de segurança pública.

Com as duas renúncias, quem assumiu o governo foi Roberto Cidade, então presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, que exerceu o cargo interinamente entre 4 de abril e 4 de maio, quando foi efetivado governador em votação da própria Aleam.

Livre para concorrer, Wilson Lima se tornou candidato ao Senado pela coligação "União Pelo Amazonas", a mesma que sustenta a candidatura de Roberto Cidade ao governo. Na prática, isso significa que o ex-governador apoia diretamente a reeleição de Cidade e tem participado de atos de campanha ao lado dele pelo interior e pela capital.

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