Flávio Bolsonaro avança: o candidato do PL conquistou mais de 47% dos votos válidos no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 (Vittor Sales/Flickr)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 5 de outubro de 2026 às 10h59.
A eleição presidencial brasileira ganhou espaço de destaque na imprensa internacional após a divulgação do resultado do primeiro turno, com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula (PT) na corrida pela Presidência.
Jornais de Espanha, Argentina e Reino Unido colocaram o resultado como manchete. Nos veículos dos Estados Unidos e da França, há matérias analisando a força da direita brasileira e as consequências da disputa para a região.
De diferentes perspectivas, as publicações destacam a mesma dimensão do resultado. O Brasil chega ao segundo turno como uma das principais disputas políticas da América Latina.
O avanço do bolsonarismo, a influência de Donald Trump na região e a possibilidade de uma mudança no alinhamento político do país aparecem entre os principais pontos levantados pelos jornais.
Na Espanha, o El País teve como manchete a vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e classificou o resultado como um possível novo capítulo da expansão da direita na região.
O jornal descreveu o cenário como parte de uma “onda ultraconservadora que percorre a América Latina” e afirmou que o bolsonarismo demonstrou força ao terminar a primeira etapa da eleição na frente de Lula.
El País: eleições brasileiras são a manchete do dia no jornal espanhol (Reprodução )
A publicação também destacou a força da direita nas eleições para outros cargos e relacionou o resultado brasileiro a uma possível mudança no equilíbrio político regional.
O El País destacou que, após a apuração, Flávio afirmou que “o Brasil quer mudança” e declarou que estava decretado o “fim da era do PT”.
Do outro lado, o j0rnal destacou que Lula classificou Flávio como uma representação da “incerteza” e voltou a fazer críticas ao histórico político da família Bolsonaro.
Na Argentina, o Clarín também colocou a eleição brasileira em posição de destaque. O jornal definiu o resultado como uma “virada surpreendente e dramática”, ressaltando que as pesquisas divulgadas antes da votação apontavam vantagem de Lula.
Clarín: na Argentina, onde Milei se posiciona como forte apoiador de Flávio Bolsonaro, as eleições brasileiras também foram acompanhadas com destaque (Reprodução)
A publicação destacou ainda o desempenho da direita em diferentes regiões do país, incluindo a vitória de Tarcísio de Freitas em São Paulo e o crescimento do Partido Liberal no Congresso.
Para o jornal argentino, o resultado brasileiro também precisa ser observado dentro de um contexto regional de fortalecimento de forças políticas de direita.
No Reino Unido, o The Guardian também tratou a eleição brasileira como um dos principais acontecimentos políticos da região. O jornal destacou a vantagem de Flávio no primeiro turno e avaliou que o resultado reforçou a força da direita no país.
The Guardian: jornal britânico publicou na semana das eleições uma reportagem sobre uma possível intervenção norte-americana nas eleições brasileiras (Reprodução)
A publicação chamou atenção ainda para o desempenho de candidatos ligados à família Bolsonaro e para o avanço da direita nas eleições legislativas. Segundo o veículo, dos 54 senadores eleitos, 34 são de direita ou extrema direita.
O jornal também colocou a eleição brasileira no contexto da influência de Donald Trump na América Latina. Na semana passada, o Guardian havia publicado uma reportagem sobre uma possível intervenção norte-americana no processo eleitoral brasileiro.
Na análise sobre o primeiro turno, o veículo destacou ainda que a eleição brasileira representa um teste para o crescimento de um bloco latino-americano alinhado a Trump.
Nos Estados Unidos, o New York Times destacou que a disputa entre Lula e Flávio pode ter consequências que ultrapassam as fronteiras brasileiras.
O jornal afirmou que uma eventual vitória de Flávio representaria um avanço importante para a direita em ascensão na América Latina, enquanto uma recuperação de Lula poderia ser interpretada como uma reação a esse movimento.
A publicação também chamou atenção para a influência de Trump sobre o cenário regional e para o peso do Brasil como o maior país ainda em disputa nesse processo de avanço da direita latino-americana.
Na França, o Le Monde destacou os resultados “inesperados” para Lula. O jornal ressaltou que o presidente havia afirmado antes da apuração estar convencido de que venceria no primeiro turno.
Com a vantagem de Flávio, a publicação apresentou a segunda rodada como uma nova etapa de uma disputa que, até a votação, era apontada pelas pesquisas como mais favorável ao atual presidente.