Flávio Bolsonaro: senador é investigado por suposta lavagem de dinheiro no âmbito do caso Dark Horse (PABLO PORCIUNCULA/AFP /Getty Images)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 09h00.
Última atualização em 11 de setembro de 2026 às 16h20.
A pedido da Polícia Federal (PF), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) abriu um inquérito para investigar o senador e presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro (RJ), pela possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no contexto do financiamento do filme Dark Horse por Daniel Vorcaro.
A instauração do inquérito foi determinada por Mendonça em 22 de julho de maneira sigilosa e veio a público na noite desta quinta-feira, 10, após o ministro atender a um pedido do presidente do STF, ministro Edson Fachin, para retirar o sigilo do processo.
O inquérito teve pedido favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou "repasse de montante expressivo (de Daniel Vorcaro), sem contrapartida financeira conhecida, mediante sofisticada blindagem patrimonial e atuação de interpostas pessoas" para o suposto financiamento do filme.
A PGR destaca que Vorcaro classificou o financiamento da produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro como "o mais importante disparado" e obteve, às vésperas da deflagração da fase ostensiva da Operação Compliance Zero, a "promessa de apoio ou interferências do próprio
senador (Flávio Bolsonaro)".
A peça cita mensagem, já conhecida desde maio em que Flávio diz a Vorcaro, em 16 de novembro de 2025: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz". O banqueiro foi preso no dia seguinte enquanto tentava embarcar em um avião para sair do país. As mensagens e os áudios entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro foram revelados em maio deste ano pelo portal The Intercept Brasil.
No pedido de instauração do inquérito, a Polícia Federal menciona que o fundo Havengate, receptor dos recursos depositados por Vorcaro supostamente para o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, foi criado em 2020 pelo advogado Paulo Calixto e por seu sócio, Altieris Santana, mas permaneceu inerte até fevereiro de 2025, quando passou a receber dinheiro do controlador do Master. A primeira remessa foi de US$ 2 milhões.
Calixto é advogado de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e deputado cassado que vive no Texas. Segundo a PF, o ex-deputado apresentou "orientações sobre a forma pela qual os recursos poderiam ser geridos nos Estados Unidos, com menção à possibilidade de envio da maior quantidade possível de valores pelo modelo então em curso", referindo-se às remessas via Havengate.
A prova mencionada pela PF é um print de mensagens supostamente de Eduardo Bolsonaro enviado pelo publicitário Thiago Miranda a Vorcaro, em 21 de março de 2025. Miranda atuava como operador do banqueiro e elo entre ele e os Bolsonaro na negociação dos repasses ao filme Dark Horse.
"A reativação de um fundo originalmente criado para fins imobiliários, dormente por anos, sem lastro em qualquer operação imobiliária ativa, como veículo de remessas internacionais vinculadas a uma produção cinematográfica, constitui circunstância objetiva que reforça a necessidade de apuração da compatibilidade entre o perfil do veículo financeiro utilizado e a destinação declarada dos recursos", afirma a PF no documento.