O senador Flávio Bolsonaro, ao lado do presidente Donald Trump, com Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro (Divulgação)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 28 de agosto de 2026 às 22h51.
Última atualização em 28 de agosto de 2026 às 23h35.
O senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira, 28, que o seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, não teve culpa no processo do tarifaço promovido pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Eduardo é investigado no Brasil por atuar de maneira a interferir no processo decisório para sobretaxar mercadorias do país.
As declarações ocorreram durante a entrevista dada pelo candidato ao Jornal Nacional, na TV Globo, a penúltima do ciclo de sabatinas com candidatos à presidência. Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Lula (PT) já participaram das entrevistas nesta semana.
"Se ele [Eduardo Bolsonaro] tivesse colocado seus próprios interesses no Brasil, ele não estaria exilado como está nos Estados Unidos", disse o candidato.
"Ele faz um trabalho de conscientização de mostrar ao mundo que o que está acontecendo no brasil hoje está longe de ser uma democracia plena. Ele nunca pediu tarifas para empresas brasileiras", afirmou, mencionando que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, é um "violador de direitos internacionais".
Quanto à possibilidade de Eduardo ter influenciado o governo norte-americano, o senador disse que seu irmão não é capaz de manipular um presidente dos Estados Unidos.
"O Trump faz o que está na cabeça dele", afirmou.
Flávio também disse que o governo Lula é o principal culpado pelas sanções. "Essa sobretaxa foi o Lula que cavou com força, o Lula procurou muito essa tarifa", disse.
A relação de Flávio Bolsonaro com o governo de Donald Trump se tornou um dos principais pontos de tensão no embate eleitoral entre ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobretudo após a aplicação de tarifas americanas de 25% e de 12,5% contra produtos brasileiros em julho.
Dias antes dos anúncios das tarifas, Lula passou a acusar diretamente Flávio e Eduardo Bolsonaro de atuarem junto ao governo Trump para prejudicar o Brasil.
O presidente chamou Flávio de "imbecil" e afirmou que os irmãos teriam pedido a Trump medidas que prejudicariam brasileiros, empresários e o agronegócio. "Imbecil. Ele não sabe que ele [Trump] não vai prejudicar o Lula, ele vai prejudicar é o povo brasileiro", afirmou Lula. O senador, por sua vez, negou ter pedido tarifas contra o país.
Alinhado politicamente ao presidente norte-americano, o Flávio já se encontrou com ele pessoalmente em maio e afirmou que Trump não declarou apoio à sua campanha, mas que foi um convite direto pelo republicano.
Ele reconheceu o peso da visita. "Isso é inédito na história do Brasil. Nunca antes um presidente dos Estados Unidos recebeu no Salão Oval um pré-candidato à presidência da República em pleno ano eleitoral. Isso não é coincidência", declarou Flávio na ocasião.
Além dessa aproximação com o mandatário dos EUA, o senador também participou em julho de uma audiência do USTR e pediu o cancelamento da tarifa adicional de 25%, que ainda estava em análise. Flávio também disse que a penalização também daria uma "vitória política" para Lula.
Poucos dias depois, porém, os EUA impuseram as taxas adicionais de 25%, por supostas práticas comerciais desleais conforme a Seção 301, e outra taxa de 12,5%, devido a acusações envolvendo o trabalho forçado, às exportações brasileiras.
A atuação de Flávio nos Estados Unidos ocorreu em meio ao agravamento das relações entre Brasília e Washington.
Em 2 de julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou Flávio e seu irmão, Eduardo Bolsonaro, de terem atuado junto ao governo americano em favor de sanções contra o Brasil.
A aproximação da família Bolsonaro com Trump também envolve Eduardo Bolsonaro, que passou a atuar nos Estados Unidos em defesa de medidas contra autoridades brasileiras e em articulações junto ao governo americano.
Em junho, um dia após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Eduardo publicou um vídeo em inglês no qual pediu a Trump que restabelecesse as sanções contra o ministro Alexandre de Moraes.
A Primeira Turma do STF havia condenado o ex-deputado a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo e articulação de sanções junto ao governo americano.
A atuação de Eduardo nos EUA passou a ser um dos elementos centrais das acusações contra ele. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-deputado teria buscado pressionar autoridades brasileiras por meio da ameaça de retaliações estrangeiras, com o objetivo de interferir no julgamento da chamada trama golpista envolvendo seu pai, Jair Bolsonaro.
Eduardo também recebeu, em julho, o Green Card dos Estados Unidos, que permite ao ex-deputado morar e trabalhar no país por tempo indeterminado. A autorização foi concedida poucas semanas após sua condenação pelo STF e em meio à escalada das tensões entre os governos brasileiro e americano.