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Eleições 2026: o que explica o crescimento de Flavio e a queda de Lula?

Em pesquisas recentes, senador fechou a diferença ante o presidente nas intenções no 2º turno; petista tem aprovação com saldo negativo persistentemente

Lula e Flávio: senador consolidou suas intenções de voto e petista enfrenta avaliação em queda (Divulgação/Exame)

Lula e Flávio: senador consolidou suas intenções de voto e petista enfrenta avaliação em queda (Divulgação/Exame)

Luciano Pádua
Luciano Pádua

Editor de Macroeconomia

Publicado em 15 de março de 2026 às 10h54.

As pesquisas eleitorais recentes mostram um crescimento significativo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência da República — e uma queda da competitividade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca reeleição. É um cenário que mostra, sobretudo, um desgaste do governo Lula e uma boa pré-campanha de Flávio, e que indica uma campanha competitiva e incerta até o final.

Ao longo da semana, quatro pesquisas foram divulgadas (Futura/Apex, Meio/Ideia, Genial/Quaest e Alfa Inteligência), afora o Datafolha de sabádo, 7.

Cada uma à sua maneira, todas mostram a mesma tendência de consolidação de Flávio nas perguntas espontâneas, avanço do senador nos cenários de 2º turno e piora sobretudo na avaliação de governo de Lula (e nos questionamentos se ele merece ficar no cargo por mais quatro anos).

No caso da Genial/Quaest, a diferença entre Lula e Flávio caiu de 5 pontos percentuais (43% vs. 38%), em fevereiro, para zero neste mês.

Na mesma pesquisa, a aprovação do petista teve saldo negativo de 7 pontos percentuais (44% aprovam; 51% desaprovam), o pior resultado desde julho do ano passado, segundo Felipe Nunes, da Quaest.

"A grande questão é ver o comportamento dos independentes: Lula aparece com mais potencial de voto (29% x 26%), mas também com mais rejeição (65% x 61%). Mas 6% dizem não ter condições de opinar sobre Lula e 13% não conseguem opinar sobre Flávio. Essa pequena faixa é que tende a definir o jogo", disse Nunes no X.

Para Nunes, três fatores explicam a queda de Lula na pesquisa: noticiário mais negativo (47% disseram ter sido impactos por notícias negativas e 24% por notícias positivas), piora da percepção sobre a economia (uma tendência negativa desde dezembro) e a falta de efeito da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, uma das principais apostas do governo para este ano.

'Lula merece continuar?': pergunta-chave

Para Mauricio Moura, presidente do Instituto Ideia, cuja pesquisa divulgada com o Meio mostrou tendência semelhante, o dado mais forte de consolidação de Flávio é na pergunta espontânea (quando não são apresentados candidatos aos entrevistados).

No levantamento, Flávio saltou de 6% para 18,5% desde janeiro. "É uma transferência de pessoas que iam votam em Jair e vão votar nele. Mostra um aumento de conscientização de que ele é o candidato", diz.

Flávio Bolsonaro — intenções de voto no 2º turno (%)
Institutodez/25jan/26fev/26mar/26
Meio/Ideia-3641,145,3
Datafolha36--43
Genial/Quaest36383841
Futura/Apex41,648,148,248,8
Alfa---38

Mas o ponto que mais importa a esta altura — a 7 meses do pleito —, avalia Moura, é a avaliação dos entrevistados sobre se Lula merece continuar por mais quatro anos.

Lula — intenções de voto no 2º turno (%)
Institutodez/25jan/26fev/26mar/26
Meio/Ideia-46,245,847,4
Datafolha51--46
Genial/Quaest46454341
Futura/Apex42,141,942,440,5
Alfa---41

Ele pondera que, nas simulações de segundo turno, por exemplo, o governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD), chega a mais de 40% das intenções de voto, mesmo sendo amplamente desconhecido como candidato nacionalmente. Isso demonstra um sentimento contrário ao atual governo bastante sólido.

"Sendo frio: o que mais vale medir agora é a aprovação (ou desaprovação) se o atual presidente merece continuar. Essa é a corrida real", afirma Moura. "Nesse aspecto, Lula está com o saldo negativo."

Na pesquisa da Ideia, esse indicador ("Lula merece outro mandato?") tem o saldo negativo de 3,9 pontos percentuais (50,6% dizem que não; 46,7%, que sim).

Uma tendência semelhante foi capturada pela Genial/Quaest. Ao perguntar se "Lula merece continuar mais 4 anos como presidente?", o instituto registrou um saldo negativo de 22 pontos percentuais (59% dizem que não; 37%, que sim).

Apesar da situação desfavorável a Lula, lembra Moura, em uma eleição de oposição (quando a desaprovação supera a aprovação) é mais vantajoso para o governo ter um candidato opositor com rejeição maior.

"O melhor adversário é o cara com maior rejeição. O governo está nessa posição delicada. A pergunta central é: Lula merece ou não continuar?", diz Moura.

O estrategista eleitoral Roberto Reis avalia que Lula vem sofrendo diversos revezes nos últimos meses, desde desgastes tradicionais do desenho do sistema de presidencialista de coalizão, além de ser o incumbente em um país com alto endividamento das famílias e percepção de poder de compra reduzida.

"Os impostos subiram muito, a criminalidade, especialmente a percepção sobre ela e as falas de Lula que parecem não punir o bandido", diz Reis. "Todo e qualquer escândalo de corrupção cai mais no colo do incumbente."

Reis entende o crescimento de Flávio também está ancorado no sentimento de não continuidade de Lula no poder. "Cerca de 60% do eleitorado em todas as pesquisas diz que Lula não merecia ter outro mandado", afirma.

Para ele, esse eleitor antilulista tende a votar no candidato melhor colocado que antagonize com o petista.

Em outra ponta, Reis avalia que o senador vem fazendo uma boa pré-campanha até aqui. "Está errando pouco, mas numa pré-campanha em que ninguém está batendo nele", afirma.

O que acontece agora?

Diante da situação, o Planalto planeja uma série de medidas para reverter as percepções sobre o governo. Algumas delas já foram tomadas, como zerar impostos e subvenções do diesel após os preços do petróleo dispararem com a Guerra no Irã. Outra, segundo o jornal O Globo, será numa campanha para trazer desgastes a Flávio.

"O desgaste só será efetivo se vier com novidades. O que ja é sabido, já é sabido", diz Reis. "É a mesma coisa que falar que se vai desgastar o Lula falando de mensalão ou Lava Jato."

Para o estrategista, Flávio treinou boas vacinas. "Está com resposta na ponta da língua para cada uma das questões. Na política, esse é o golpe esperado, e é aquele que nunca surte efeito", afirma.

Apesar disso, avalia Reis, Flávio tem sofrido poucos ataques, um cenário que tende a mudar rapidamente diante de sua consolidação.

Para além disso, o estrategista aponta o padrão de "voto emocional" no Brasil, pautado na rejeição. No caso de Lula e Flávio, ambos têm alta rejeição.

"É como se dissessem: 'para mim não importa como eleitor se meu candidato está errado; quero simplesmente que ganhe do outro'. Não faz diferente projetos nem defeitos. Um percentual do eleitor pensa assim; 30% do eleitor é de esquerda, 30%, de direita. Mas direita e esquerda não decidirão a eleição. Quem decide é o meio."

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