Brasil

Como foi o 7 de Setembro dos presidenciáveis a 27 dias do primeiro turno

Candidatos aproveitaram o Dia da Independência do Brasil para apresentar propostas, fazer críticas ao governo e falar sobre o Banco Master, enquanto presidente Lula participou do desfile oficial em Brasília

7 de setembro: segurança pública, corrupção e ciência e tecnologia também estiveram entre os temas abordados (Montagem Exame/Reprodução)

7 de setembro: segurança pública, corrupção e ciência e tecnologia também estiveram entre os temas abordados (Montagem Exame/Reprodução)

Publicado em 7 de setembro de 2026 às 18h01.

Última atualização em 8 de setembro de 2026 às 13h05.

Priorizar nos meus resultados Google

A 27 dias do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro, os principais candidatos à Presidência aproveitaram o 7 de Setembro para expor suas posições sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) e as investigações sobre o extinto Banco Master, além de fazer críticas ao governo Lula. Segurança pública, corrupção e ciência e tecnologia também estiveram entre os temas abordados ao longo do feriado.

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou do desfile oficial em Brasília ao lado de autoridades dos Três Poderes, Flávio Bolsonaro, Renan Santos e Romeu Zema realizaram atos em São Paulo. Augusto Cury participou de um ato de campanha no Rio de Janeiro, enquanto Ronaldo Caiado acompanhou o desfile cívico em Goiânia.

Lula

O presidente Lula participou do desfile cívico-militar de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Ele acompanhou a cerimônia ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin; do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP); do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB); e de 30 ministros.

O Palácio do Planalto estimou público de 70 mil pessoas na Esplanada. Além de Fachin, os demais ministros do STF não participaram do desfile neste ano.

A ausência ocorre em meio à crise na Corte após o ministro André Mendonça remeter ao plenário do STF um relatório da Polícia Federal que expõe a relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e autoridades no Desfile de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (Ivan Martínez-Vargas/EXAME)

Nas mensagens, o banqueiro pedia a Moraes auxílio para intervir junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para “reverter” investigações. Não há registro sobre o que Moraes respondeu. Vorcaro está preso, e as investigações da PF seguiram.

Andrei Rodrigues também participou do desfile. Antes do início da cerimônia, conversou brevemente com Fachin e com o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. O advogado-geral da União, Jorge Messias, também estava presente e cumprimentou o diretor-geral.

Davi Alcolumbre, que não havia participado do desfile no ano passado, desta vez acompanhou a cerimônia sentado ao lado de Lula e da primeira-dama Janja. Os dois conversaram diversas vezes durante o evento.

Flávio Bolsonaro

Em ato na Avenida Paulista, em São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, direcionou os principais ataques a Lula e Alexandre de Moraes.

Flávio afirmou que pretende indicar cinco ministros para o STF caso seja eleito. Segundo ele, isso ocorreria porque Moraes “vai cair”. “Eu vou indicar cinco ministros porque Alexandre de Moraes vai cair”, disse durante o ato.

O senador também afirmou que “quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”.

Ao mencionar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio fez referência ao atentado a faca sofrido por ele durante a campanha presidencial de 2018. O senador classificou a condenação do ex-presidente como uma “segunda facada” e uma “farsa”.

O candidato também voltou a atacar o PT. “A partir do ano que vem, Flávio Bolsonaro vai acabar com a polarização porque não vai ter mais PT para acabar com o Brasil”, afirmou.

A manifestação ocupou parte da Avenida Paulista e reuniu apoiadores com cartazes contra Moraes. Entre os símbolos levados ao ato estavam um boneco gigante que retratava Lula vestido como presidiário, além de bandeiras do Brasil, dos Estados Unidos e de Israel.

Renan Santos

Renan Santos, candidato à Presidência pelo Partido Missão, participou de um ato no Obelisco do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, e criticou os discursos de Lula, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury (Avante).

Renan afirmou que o discurso de Cury é “ainda pior” que o de Lula e Flávio e questionou a possibilidade de o escritor representar uma alternativa na disputa presidencial.

Segundo ele, parte do eleitorado, especialmente pessoas de meia-idade e mulheres, estaria recorrendo a Cury como forma de rejeitar a política. “As pessoas estão viciadas no erro. Eu olho pesquisas e vejo a ascensão da covardia, a ascensão do discurso vazio”, afirmou.

O candidato também criticou os dois líderes da disputa. Para Renan, Lula representa o risco de um governo autoritário de esquerda, enquanto Flávio Bolsonaro seria uma “oligarquia de corruptos do centrão”.

Romeu Zema

O candidato Romeu Zema (Novo) participou de um ato na Avenida Paulista e criticou quatro ministros do STF: Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.

Zema se referiu ao grupo como uma “turminha” ao falar da atuação de Moraes na Corte e classificou o ministro como “bandido”. 

Em relação à ministra Cármen Lúcia, porém, o candidato adotou outro tom. Ele afirmou que pretende enviar uma mensagem a ela e disse considerá-la “uma pessoa do bem”.

Zema declarou ainda esperar que a “consciência” de Cármen fale mais alto do que o que chamou de “espírito corporativista”. Segundo ele, a ministra é a única mulher no Supremo e ele tem seu contato, pretendendo procurá-la.

Ronaldo Caiado

O candidato Ronaldo Caiado (PSD) participou do desfile cívico-militar de 7 de Setembro em Goiânia, na Avenida Tocantins, no centro da capital.

Antes da cerimônia, marcada para as 8h, Caiado e o governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), fizeram a tradicional revista às tropas em um jipe aberto do Exército Brasileiro, a partir do Palácio das Esmeraldas.

Durante a agenda, Caiado criticou o governo Lula principalmente nas áreas de segurança pública, corrupção e ciência e tecnologia.

O candidato afirmou que o governo federal teria “devolvido o Brasil ao crime, à corrupção e ao maltrato das pessoas” e acusou a gestão de ter “conivência com o crime no Brasil”.

Augusto Cury

Augusto Cury (Avante) participou de um ato de campanha em Copacabana, no Rio de Janeiro, e declarou apoio ao ministro André Mendonça, do STF.

Ao fim do discurso, Cury enviou um “abraço especial” ao ministro. Depois do ato, afirmou à imprensa, segundo o jornal O Globo, que Mendonça e Edson Fachin devem ter independência para atuar em investigações.

“Eu defendo que o ministro André Mendonça e o ministro Fachin possam ter independência para investigarem qualquer ato de corrupção”, afirmou.

Sem citar Alexandre de Moraes, Cury defendeu que as investigações ocorram “doa a quem doer” e que integrantes do STF não sejam poupados.

Acompanhe tudo sobre:PolíticaEleições 2026

Mais de Brasil

Tarcísio e Ricardo Nunes confirmam ato na Paulista em apoio a Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro aciona Justiça Eleitoral contra diretor-geral da PF por suposto favorecimento ao PT

Flávio Bolsonaro fala em cenário favorável, mas alerta aliados contra salto alto no 2º turno

Corregedor do TSE revoga suspensão de Nunes Marques e mantém 'Exército do Lula' no ar