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Quem é Claude? A origem do nome da IA da Anthropic

Sem confirmação oficial da Anthropic, o assistente de IA da empresa traz o nome do pesquisador que criou a teoria da informação e abriu caminhos para a inteligência artificial

Mudança estratégica busca otimizar infraestrutura e ampliar capacidade dos produtos Claude diante da demanda crescente (Getty Images). (Getty Images)

Mudança estratégica busca otimizar infraestrutura e ampliar capacidade dos produtos Claude diante da demanda crescente (Getty Images). (Getty Images)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 25 de setembro de 2026 às 20h01.

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O assistente de inteligência artificial Claude, lançado pela empresa de IA Anthropic em março de 2023, recebeu, segundo a explicação mais aceita, o nome em homenagem a Claude Shannon, embora a companhia nunca tenha confirmado a origem. Pesquisador do laboratório americano Bell Labs, Shannon criou a teoria da informação e participou dos primórdios da inteligência artificial.

Em 1952, um pesquisador da Bell Labs, nos Estados Unidos, construiu um camundongo mecânico batizado de Theseus. O bicho de metal aprendia sozinho o caminho de um labirinto e guardava essa memória para a próxima tentativa — uma das primeiras demonstrações práticas de uma máquina capaz de aprender, segundo o Museu do MIT.

O mesmo homem também inventou uma máquina de fazer malabarismo, um frisbee com propulsão a foguete e uma calculadora que operava em algarismos romanos, e ficou conhecido, na sede da empresa, por atravessar os corredores de monociclo enquanto malabarizava quatro bolas ao mesmo tempo, segundo obituário publicado pelo MIT em 2001. Chamava-se Claude Shannon, e é dele, segundo a explicação mais aceita, que vem o nome do Claude, assistente de inteligência artificial (IA) da Anthropic.

Lançado em março de 2023, o Claude nunca teve a origem do próprio nome confirmada oficialmente pela empresa — não houve comunicado nem campanha explicando a escolha. Ainda assim, a associação com Shannon, morto em 2001 após uma longa batalha contra o mal de Alzheimer virou consenso entre quem acompanha a indústria de tecnologia.  i

O homem que inventou o bit

Em 1948, ainda na Bell Labs, Shannon publicou o artigo "Uma Teoria Matemática da Comunicação".

Segundo o site de divulgação científica Plus Maths, mantido pela Universidade de Cambridge, foi ali que ele demonstrou, pela primeira vez, que qualquer tipo de informação — texto, som, imagem, esta própria reportagem — pode ser convertida em uma sequência de zeros e uns. A descoberta rendeu a Shannon o título de pai da teoria da informação e virou o alicerce técnico sobre o qual foram erguidos os computadores modernos, a internet e as telecomunicações digitais.

Anos antes disso, segundo o mesmo site, Shannon já havia notado algo que ninguém tinha juntado até então: circuitos elétricos, ligados ou desligados, podiam representar a lógica booleana usada em matemática. Era a receita, ainda que ele não soubesse, de todo processamento digital que viria depois.

Um dos pais não oficiais da IA

O camundongo Theseus não era só um brinquedo de cientista entediado. Segundo o The Boston Globe, ele rendeu a Shannon um convite para a conferência de Dartmouth, em 1956 — encontro tratado até hoje como o marco informal de nascimento do campo da inteligência artificial, ao lado de nomes como John McCarthy e Marvin Minsky, segundo artigo acadêmico da Universidade de Hasselt, na Bélgica.

Na mesma década, Shannon também escreveu um dos primeiros textos propondo como programar um computador para jogar xadrez, e chegou a construir uma máquina capaz de calcular jogadas — décadas antes do Deep Blue, da IBM, vencer o campeão mundial Garry Kasparov. Em 1965, durante uma viagem à União Soviética, desafiou o campeão mundial da época, Mikhail Botvinnik, para uma partida contra sua máquina. Perdeu em 42 lances, resultado que o próprio MIT descreveu, no obituário, como "uma excelente atuação" para a tecnologia da época.

Uma das ideias de Shannon ecoa direto no funcionamento dos modelos de linguagem de hoje: a de tratar a própria linguagem como um fenômeno estatístico, em que cada palavra carrega uma probabilidade de aparecer depois da anterior. É, em essência, o princípio por trás da forma como sistemas como o Claude preveem, token a token, qual deve ser a próxima palavra de uma resposta.

O cuidado com os nomes não parou no batismo do assistente. Desde o Claude 3, segundo a própria documentação técnica da Anthropic, a empresa organiza suas versões em três categorias — Haiku, Sonnet e Opus —, todas as formas de composição literária usadas para indicar o tamanho e a capacidade de cada modelo, do mais leve ao mais avançado.


'Perguntas frequentes'

Por que o Claude tem esse nome? +

O nome Claude seria uma homenagem a Claude Shannon, segundo a explicação mais aceita na indústria de tecnologia e repetida por veículos como o New York Times. A empresa de IA Anthropic, porém, nunca confirmou oficialmente a origem do nome.

Quem foi Claude Shannon? +

Claude Shannon foi um pesquisador da Bell Labs considerado o pai da teoria da informação. Segundo o site Plus Maths, mantido pela Universidade de Cambridge, Shannon demonstrou em 1948 que textos, sons e imagens podiam ser convertidos em sequências de zeros e uns.

Qual foi a contribuição de Claude Shannon para a inteligência artificial? +

Claude Shannon criou o camundongo mecânico Theseus, escreveu um dos primeiros textos sobre computadores capazes de jogar xadrez e participou da conferência de Dartmouth de 1956. Segundo um artigo acadêmico da Universidade de Hasselt, o encontro é tratado como o marco informal do nascimento da inteligência artificial.

Como funcionava o camundongo Theseus? +

Theseus aprendia sozinho o caminho de um labirinto e guardava essa memória para tentativas posteriores. Segundo o Museu do MIT, a criação de 1952 foi uma das primeiras demonstrações práticas de uma máquina capaz de aprender.

Como as ideias de Shannon se relacionam com os modelos de linguagem? +

Shannon tratou a linguagem como um fenômeno estatístico no qual cada palavra tem uma probabilidade de aparecer depois da anterior. Esse princípio se relaciona à forma como sistemas como o Claude preveem, token a token, a continuação de uma resposta.

O que significam Haiku, Sonnet e Opus nos modelos Claude? +

Haiku, Sonnet e Opus são formas de composição literária usadas pela Anthropic para diferenciar o tamanho e a capacidade dos modelos Claude, do mais leve ao mais avançado, segundo a documentação técnica da empresa.

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