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‘Vou indicar 5 ministros ao STF, porque Moraes vai cair’, diz Flávio Bolsonaro em ato na Paulista

Candidato do PL promete ampliar ofensiva contra Alexandre de Moraes caso seja eleito; manifestação reuniu aliados da direita a 27 dias do primeiro turno

Flávio Bolsonaro: senador reuniu aliados na paulista contra o STF (André Martins/EXAME)

Flávio Bolsonaro: senador reuniu aliados na paulista contra o STF (André Martins/EXAME)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 7 de setembro de 2026 às 16h58.

Última atualização em 7 de setembro de 2026 às 17h01.

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O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, afirmou neste domingo, 7, que pretende indicar cinco ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF) caso seja eleito, ao prever a saída de Alexandre de Moraes da Corte.

"Nós não vamos permitir que Lula indique mais quatro ministros. Eu vou indicar cinco ministros porque Alexandre de Moraes vai cair”, disse Flávio durante ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, em São Paulo

A declaração fez parte de uma ofensiva do senador contra Moraes e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dois dos principais alvos dos discursos no palanque. Flávio associou os dois e afirmou que uma eventual vitória de sua candidatura encerraria o que chamou de “consórcio de Lula com Moraes”.

“Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”, afirmou. Em outro momento, disse: “Primeiramente, fora Lula e fora Moraes. Vai ter Bolsonaro na Presidência, sim”.

Flávio também fez referências ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e lembrou o atentado a faca sofrido por ele durante a campanha presidencial de 2018. “Bolsonaro está mais vivo do que nunca”, disse. O senador classificou a condenação do ex-presidente como uma “segunda facada” e uma “farsa”.

“Mesmo que a minha própria vida esteja em risco, porque sei do que a esquerda é capaz”, afirmou Flávio. Na sequência, disse que adversários tentarão uma “terceira facada” contra ele e seus aliados.

O candidato também voltou a atacar o PT. “A partir do ano que vem, Flávio Bolsonaro vai acabar com a polarização porque não vai ter mais PT para acabar com o Brasil”, afirmou.

A manifestação ocupou parte da Avenida Paulista e reuniu apoiadores com cartazes contra Moraes. Entre os símbolos levados ao ato estavam um boneco gigante que retratava Lula vestido como presidiário, além de bandeiras do Brasil, dos Estados Unidos e de Israel.

Os discursos que antecederam Flávio tiveram como principais eixos pedidos de afastamento ou impeachment de Moraes, manifestações de apoio ao ministro André Mendonça, críticas à situação da economia e ao governo Lula e acenos ao eleitorado feminino. A principal ausência do evento foi a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).

Flávio promete medidas de segurança e faz aceno às mulheres

Além dos ataques a Lula e Moraes, Flávio usou o discurso para apresentar propostas na área de segurança pública. O senador prometeu endurecer o combate ao crime organizado caso assuma a Presidência.

“Eu vou declarar guerra aos narcoterroristas nesse país a partir de janeiro”, afirmou. Ao falar sobre moradores de áreas dominadas por grupos criminosos, disse que os integrantes dessas organizações “vão estar presos ou neutralizados pela polícia”.

Flávio também prometeu pena mínima de dois anos para ladrões de celulares. “Não gostou? Vota nessa porcaria que continua aí”, afirmou.

Na sequência, o candidato mudou o foco do discurso para fazer um aceno às mulheres. “Eu vou ser o presidente de todos os brasileiros. Além de fazer, eu vou cuidar do povo brasileiro”, disse.

“Vou cuidar das mulheres que estão sendo espancadas só porque são mulheres. Das mulheres que querem trabalhar, mas não têm creche”, afirmou.

Malafaia pede a Fachin afastamento de Moraes

Antes de Flávio subir ao palco, aliados concentraram parte dos discursos na crise no STF. O pastor Silas Malafaia fez uma das cobranças mais diretas e pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, o afastamento de Moraes.

“Vai aqui meu pedido ao excelentíssimo presidente do STF, Edson Fachin: pelo bem da Corte, afaste Alexandre de Moraes”, afirmou Malafaia.

O pastor também saiu em defesa de André Mendonça e afirmou que existiria um “jogo para implodir” o ministro. Apesar dos ataques a Moraes, disse que a manifestação não defendia o enfraquecimento do Supremo. “Não queremos a Suprema Corte desmoralizada. Queremos instituições fortes e independentes”, afirmou.

Malafaia também levou a economia ao discurso. “Não é só a liberdade que está em risco, mas a bomba econômica”, disse.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também defendeu o impeachment de Moraes e afirmou que o ato deveria enviar “um grande recado”. “Supremo é o povo brasileiro”, disse.

O deputado federal e vice na chapa de Flávio,Alfredo Gaspar (PL), associou o presidente e o ministro do STF. “Temos duas faces de uma mesma moeda: Lula e Moraes. Não existe Lula sem Alexandre e não existe Alexandre sem Lula”, afirmou.

A coordenadora econômica da campanha bolsonarista, Daniela Marques, fez um aceno às mulheres e concentrou outra parte da fala na economia. “Eu me levantei por todas as mulheres”, disse. “Ninguém aguenta mais pagar imposto. Lula prometeu picanha e entregou pizza parcelada.”

Tarcísio chama Flávio de ‘herdeiro’ e cobra Senado

Penúltimo a discursar antes de Flávio, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cobrou que o Supremo apure as informações reveladas nos últimos dias.

“Está na hora de o tribunal não se dividir para se defender, mas se unir para apurar. Estamos orando pelos magistrados que querem o melhor para o Brasil. Ministro nenhum está acima da Constituição. Doa a quem doer, custe o que custar”, afirmou.

Tarcísio também cobrou atuação do Senado. “Nós precisamos eleger senadores comprometidos com o Brasil. O Senado precisa agir e se impor”, disse. “Se o Senado não cumprir o seu papel, vamos ver a pior das ruínas, a ruína da omissão.”

O governador fez ainda um dos acenos mais explícitos do ato à candidatura de Flávio. “Deus levanta Flávio para que ele possa fazer a diferença. Ele é o herdeiro. Ele está preparado para a missão”, afirmou.

Tarcísio também citou a economia. “O carrinho do supermercado está vazio”, disse. “As pessoas estão gastando dinheiro nas bets, perderam a esperança.”

Nikolas prevê impeachment de Moraes com novo Senado

Último a falar antes de Flávio, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também concentrou o discurso em Moraes e defendeu a eleição de senadores dispostos a apoiar um processo de impeachment contra o ministro.

“Fato é: ano que vem teremos bons senadores para tirar o Xandão da cadeira do STF”, afirmou. Em outro momento, elevou o tom: “O seu lugar, Xandão, é na cadeia”.

Nikolas também criticou Paulo Gonet após o procurador-geral da República pedir a nulidade da apuração conduzida por Mendonça e cobrou do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o andamento de um processo de impeachment contra Moraes.

O deputado afirmou ainda que pretende realizar uma manifestação no Amapá para pressionar Alcolumbre. Ao tratar da disputa presidencial, disse: “Vamos ganhar essa eleição mesmo com Jair Bolsonaro preso porque é o povo que consegue essa vitória para o país”.

Crise no STF entra no centro da manifestação

A ofensiva contra Moraes ocorre após uma semana de crise no Supremo Tribunal Federal provocada pela divulgação de documentos relacionados ao ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro e ao ministro.

Na terça-feira, 1º, André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reuniu mensagens entre Vorcaro e Moraes. O material trouxe detalhes sobre a relação do ex-banqueiro com o magistrado e com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

As mensagens mostram que Vorcaro pediu a Moraes que atuasse junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. As respostas de Moraes a essas mensagens não constam no material divulgado.

O relatório também trouxe informações sobre o contrato entre o Banco Master e o escritório de Viviane. O acordo previa R$ 131 milhões em honorários ao longo de três anos. Moraes nega irregularidades.

Ao retirar o sigilo, Mendonça afirmou que o material deveria ser analisado pelo plenário do Supremo em sessão pública. Gonet pediu posteriormente a nulidade da apuração e argumentou que Mendonça ultrapassou os limites de sua competência ao determinar diligências sem pedido do Ministério Público ou da própria Polícia Federal.

O presidente do STF, Edson Fachin, abriu um procedimento e pediu esclarecimentos a Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues sobre as informações reveladas e os questionamentos relacionados à condução da apuração.

Ato ocorre a menos de um mês da eleição

A manifestação ocorre a 27 dias do primeiro turno das eleições 2026, marcado para 4 de outubro. Aliados de Flávio esperam que a mobilização na Avenida Paulista represente uma virada na campanha do senador e dê impulso à candidatura na reta final da disputa.

A expectativa ocorre em um momento de redução da distância entre Lula e Flávio no Monitor Eleitoral, agregador de pesquisas da Inteligov em parceria com a EXAME. Na atualização mais recente, Lula aparece com 39,64% das intenções de voto, ante 33,38% de Flávio. A vantagem do presidente passou de 6,67 para 6,26 pontos percentuais.

Em Brasília, Lula participou pela manhã das comemorações oficiais do 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios.

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