Lula e Edinho Silva: o atual presidente do PT definiu a reeleição de Lula como prioridade política do partido (Divulgação/Edinho Silva)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 3 de julho de 2026 às 18h57.
O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu concentrar a maior parte dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) de 2026 na disputa pela Câmara dos Deputados e na campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A estratégia foi aprovada pelo Diretório Nacional da legenda nesta sexta-feira, 3, em resolução que também classifica a permanência de Lula no Palácio do Planalto como uma "tarefa estratégica" para o partido.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PT terá direito a aproximadamente R$ 615 milhões do Fundo Eleitoral em 2026, o segundo maior montante entre os partidos brasileiros, atrás apenas do PL, que receberá cerca de R$ 881 milhões.
Pela divisão aprovada internamente, 43,06% dos recursos serão destinados às candidaturas para a Câmara dos Deputados, enquanto 20,64% financiarão a campanha presidencial. A distribuição revela que, embora a reeleição de Lula seja tratada como prioridade política, o maior investimento financeiro da legenda estará voltado para ampliar sua representação na Câmara.
Com base nos cerca de R$ 615 milhões destinados ao partido pelo TSE, a distribuição aprovada pelo Diretório Nacional corresponde aos seguintes valores estimados:
| Destino | Percentual | Valor estimado |
|---|---|---|
| Deputados federais | 43,06% | R$ 264,8 milhões |
| Presidência da República | 20,64% | R$ 126,9 milhões |
| Governadores | 11,70% | R$ 72,0 milhões |
| Senado | 10,08% | R$ 62,0 milhões |
| Assembleias Legislativas | 8,13% | R$ 50,0 milhões |
| Fundo de reserva | 6,40% | R$ 39,4 milhões |
A resolução também determina que deputados federais e estaduais que disputarão a reeleição sejam automaticamente classificados como candidaturas prioritárias.
A distribuição final dos recursos entre os estados ficará sob responsabilidade de um grupo de trabalho nacional do partido.
O tamanho do investimento também reflete a distribuição nacional do Fundo Eleitoral. O PT é o segundo partido com maior volume de recursos públicos para as eleições deste ano.
| Partido | Fundo Eleitoral |
|---|---|
| PL | R$ 881 milhões |
| PT | R$ 615 milhões |
| União Brasil | R$ 526 milhões |
| PSD | R$ 421 milhões |
| PP | R$ 417 milhões |
| MDB | R$ 400 milhões |
Juntos, PL, PT e União Brasil concentram quase 40% dos aproximadamente R$ 4,9 bilhões distribuídos pelo Tribunal Superior Eleitoral entre os 30 partidos registrados para as eleições de 2026.
A concentração de recursos na Câmara acompanha o diagnóstico político apresentado pelo Diretório Nacional do PT.
No documento divulgado nesta sexta-feira, a legenda afirma que "a reeleição do presidente Lula constitui uma tarefa estratégica para consolidar nosso projeto de nação soberana", mas sustenta que um novo mandato dependerá da construção de uma maioria parlamentar capaz de aprovar a agenda do governo.
Segundo o texto, a atual composição do Congresso impôs limitações ao Executivo e tornou necessária uma nova correlação de forças. Por isso, o partido defende que a reeleição presidencial seja acompanhada da eleição de governadores aliados e, principalmente, do fortalecimento das bancadas na Câmara dos Deputados e no Senado.
A estratégia ocorre em um momento em que o PL mantém a maior bancada partidária da Câmara e também passou a liderar o Senado.
Na Câmara dos Deputados, o PL possui atualmente 97 deputados, contra 82 parlamentares da Federação PT-PCdoB-PV.
| Maiores bancadas da Câmara | Deputados |
|---|---|
| PL | 97 |
| Federação PT-PCdoB-PV | 82 |
| PSB | 17 |
| Federação PSOL-Rede | 16 |
| PDT | 10 |
No Senado, mudanças partidárias ocorridas ao longo da legislatura fizeram o PL assumir a maior bancada da Casa, com 15 senadores. O PSD aparece em seguida, com 14 integrantes, enquanto o PT ocupa a quarta posição, com nove parlamentares.
| Maiores bancadas do Senado | Senadores |
|---|---|
| PL | 15 |
| PSD | 14 |
| MDB | 10 |
| PT | 9 |
Na avaliação do PT, ampliar a representação no Legislativo será fundamental para aprovar reformas consideradas estratégicas, aprofundar políticas públicas e dar sustentação parlamentar a um eventual novo governo Lula.
Embora a campanha presidencial seja considerada prioridade política pelo PT, o orçamento reservado para Lula representa pouco mais de um quinto do fundo recebido pela legenda.
Os cerca de R$ 126,9 milhões destinados à candidatura presidencial representam menos da metade dos R$ 300 milhões que o PL pretende investir na pré-campanha e na campanha do senador Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.
A informação foi divulgada pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, que afirma que o valor é mais que o dobro do utilizado por Jair Bolsonaro na disputa pela reeleição em 2022.