Brasil

'Acham que temos que fazer no tempo deles', diz Lula sobre embaixador indicado por Trump

O presidente também respondeu à revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, pelo governo de Donald Trump

Lula responde à suspensão de visto: líder brasileiro afirmou que a medida é uma "atitude irresponsável" por parte dos Estados Unidos ( Ricardo Stuckert / PR/Flickr/Divulgação)

Lula responde à suspensão de visto: líder brasileiro afirmou que a medida é uma "atitude irresponsável" por parte dos Estados Unidos ( Ricardo Stuckert / PR/Flickr/Divulgação)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 5 de agosto de 2026 às 13h05.

Última atualização em 5 de agosto de 2026 às 13h08.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu nesta quarta-feira, 5, à revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, pelo governo de Donald Trump. O líder brasileiro afirmou que a medida é uma "atitude irresponsável" por parte dos Estados Unidos e que o país não enviou um embaixador ao Brasil por um ano e meio, sendo a indicação de Daniel Perez ao cargo precipitada.

"É uma atitude irresponsável, impensada, para um país que tem 203 anos de relação diplomática", afirmou o presidente em entrevista ao podcast Os Três Elementos. "Os Estados Unidos não deram importância para a embaixada no Brasil, porque faz um ano e meio que não mandaram um embaixador para cá. Aí tentam mandar e acham que a gente tem a obrigação de fazer na data que eles querem? Não é correto e não é possível. Queremos ser tratados com respeito."

Viotti teve seu visto revogado pelo Departamento de Estado do país nesta terça-feira, 4. A informação foi confirmada pela EXAME com o governo Lula. Reservadamente, um integrante do governo disse que Viotti poderia, a princípio, permanecer nos EUA mesmo sem visto

Segundo autoridades do Departamento de Estado dos Estados Unidos, a revogação do visto foi motivada pela ausência da concessão do agrément — autorização diplomática necessária para a posse de um embaixador estrangeiro — ao republicano Daniel "Danny" Perez, indicado pelo presidente Donald Trump em 1º de junho para chefiar a embaixada americana em Brasília. A confirmação de Perez pelo Senado americano acabou sendo adiada diante da falta desse aval do governo brasileiro.

Em entrevista coletiva a jornalistas, um alto funcionário do Departamento de Estado afirmou que a medida não equivale à expulsão da embaixadora brasileira e que o visto poderá ser restabelecido caso o impasse diplomático seja solucionado.

Lula critica interferência dos EUA no Brasil

Lula ainda disse que o Brasil exige ser tratado "com respeito" e voltou a afirmar que o país não aceitará qualquer tentativa de interferência estrangeira nas eleições de outubro. "O Brasil não só está preparado como vai enfrentar qualquer pessoa de fora que queira interferir no nosso processo eleitoral", disse em referência à tentativa do governo americano de enviar observadores para as eleições brasileiras.

De acordo com reportagem do The Washington Post do dia 20 de julho, o Departamento de Estado dos Estados Unidos pretendia enviar a Brasília os secretários-assistentes Riley M. Barnes e Samuel Samson, ambos nomeados pelo governo Trump, para levantar questionamentos sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas e produzir um relatório crítico ao sistema brasileiro. Em resposta, o Itamaraty negou visto aos diplomatas no dia 24.

Lula defendeu a atuação da diplomacia brasileira. "Depois eu fico sabendo da notícia de que vinham dois jovens para cá para se intrometer e fiscalizar, investigar as urnas brasileiras. O Itamaraty corretamente negou o visto para eles", afirmou.

O petista afirmou ainda que determinou ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que não receberá embaixadores de nenhum país até a realização das eleições. "Agora, até a eleição eu não recebo mais embaixador. Só depois da eleição é que vou receber, de qualquer país do mundo", disse.

Com O Globo

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