Supercomputadores: China avança no desenvolvimento da tecnologia (MIT Technology Review)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 23 de junho de 2026 às 12h57.
A China passou a ter o supercomputador mais potente do mundo após o sistema LineShine assumir a liderança do ranking TOP500, divulgado na segunda-feira, 22, durante a conferência internacional de ciências da computação ISC, em Hamburgo, na Alemanha.
A máquina chinesa superou o El Capitan, equipamento do Departamento de Energia dos Estados Unidos que ocupava o primeiro lugar.
A conquista encerra uma década de predominância americana no topo da lista e destaca os esforços de Pequim para desenvolver tecnologias próprias de computação.
Esta é a primeira vez desde 2017 que um supercomputador chinês ocupa a liderança do ranking, publicado duas vezes por ano desde 1993 e considerado uma referência informal na disputa tecnológica entre as maiores potências da área.
O LineShine está instalado no Centro Nacional de Supercomputação de Shenzhen, no sul da China, e atingiu uma capacidade de processamento de 2,2 exaflops, medida usada para indicar a quantidade de cálculos que um computador consegue realizar por segundo.
Um dos principais aspectos da máquina é que ela foi construída integralmente com processadores projetados na China, em vez de utilizar os chips fabricados nos Estados Unidos que equipam grande parte dos supercomputadores mais avançados do mundo, segundo a AFP.
A liderança chinesa ocorre em um momento de crescente disputa tecnológica entre Pequim e Washington, especialmente em áreas relacionadas à fabricação de semicondutores e computação avançada.
A China já havia liderado o ranking pela primeira vez em 2010 e alternado posições com Estados Unidos e Japão até 2023, quando deixou de enviar sistemas para avaliação após anos de restrições comerciais americanas.
O LineShine, segundo detalhes divulgados com os resultados, não utiliza chips avançados específicos para inteligência artificial, possivelmente porque tecnologias desse tipo continuam submetidas a controles de exportação dos Estados Unidos.
De acordo com a Reuters, o LineShine representa também uma tentativa da China de demonstrar sua capacidade de desenvolver sistemas próprios após anos de restrições americanas à exportação de tecnologias de chips e equipamentos de computação.
Apesar de ocupar o primeiro lugar no TOP 500, especialistas ouvidos pela Reuters afirmaram que o resultado não significa que a China tenha o computador mais rápido do mundo para aplicações de inteligência artificial.
O ranking tradicional mede o desempenho em testes voltados principalmente para cálculos científicos complexos, como simulações usadas em pesquisas acadêmicas e laboratórios nacionais.
Nos últimos anos, grandes empresas de computação em nuvem passaram a desenvolver supercomputadores voltados especificamente para inteligência artificial, mas muitas delas não participam da lista.
Em um teste criado para simular cargas de trabalho mais próximas das utilizadas em inteligência artificial, o LineShine ficou na quarta posição.
“Se as grandes empresas de computação em nuvem submetessem seus sistemas, esse ‘mais rápido do mundo’ provavelmente não estaria entre os cinco primeiros”, afirmou Jimmy Goodrich, pesquisador do Instituto de Cooperação e Conflito Global da Universidade da Califórnia, à Reuters.
Mesmo perdendo a liderança, os Estados Unidos continuam com forte presença entre os supercomputadores mais avançados. O país ocupa três das quatro primeiras posições da lista, segundo a AFP.
O antigo líder, El Capitan, está instalado no Laboratório Nacional Lawrence Livermore e é utilizado pelo governo americano em atividades relacionadas ao desenvolvimento e manutenção do arsenal nuclear do país.
O quinto lugar do ranking ficou com o sistema alemão JUPITER Booster.