Assinatura eletrônica: como assinar documentos online com respaldo legal no Brasil ( Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
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Publicado em 15 de julho de 2026 às 14h06.
Documentos que antes exigiam assinatura física em cartórios já podem ser assinados online, pelo celular ou computador, em poucos minutos. A legislação brasileira reconhece a assinatura eletrônica desde 2001, e o governo federal mantém uma plataforma gratuita que já ultrapassou 500 milhões de usos. O processo é seguro e dispensa reconhecimento de firma na maioria dos casos.
Dois marcos legais validam a assinatura eletrônica no Brasil. A Medida Provisória 2.200-2, de agosto de 2001, criou a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil) e determinou que documentos eletrônicos têm validade jurídica quando as partes aceitam esse formato.
A Lei 14.063, de setembro de 2020, organizou as assinaturas eletrônicas em três níveis de confiança — simples, avançada e qualificada — e ampliou o uso em interações com órgãos públicos. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também entende que assinaturas eletrônicas avançadas têm validade plena, mesmo sem certificado ICP-Brasil, quando há acordo entre as partes e a tecnologia permite comprovar autoria e integridade.
A Lei 14.063/2020 classifica as assinaturas em três categorias, cada uma com nível de segurança e aplicação distintos:
O Assinador ITI (assinador.iti.br) é o serviço gratuito do governo federal para assinatura eletrônica avançada, que aceita arquivos em PDF, DOC, DOCX e ODT com até 100 MB. O passo a passo funciona tanto pelo navegador quanto pelo aplicativo do Gov.br, disponível para iOS e Android:
O documento assinado fica disponível para download. Se mais de uma pessoa precisar assinar, a primeira assina e baixa o arquivo, depois o envia para a próxima.
Além do Gov.br, plataformas privadas oferecem gestão de fluxo de assinatura com trilha de auditoria, envio por WhatsApp e integração com sistemas corporativos. Entre as mais usadas no Brasil estão ZapSign, Clicksign, D4Sign, DocuSign e Autentique. Os planos variam de versões gratuitas limitadas (em geral entre três e cinco documentos por mês) a pacotes corporativos com assinatura ilimitada e certificado ICP-Brasil.
Para uso esporádico e pessoal, o Gov.br resolve sem custo. Para operações recorrentes com múltiplos signatários, as plataformas privadas automatizam lembretes, organizam pastas e registram evidências (IP, data, hora, geolocalização) em um certificado de auditoria anexado ao PDF final.
Os planos pagos das plataformas brasileiras partem de cerca de R$ 15 a R$ 30 por mês para volumes baixos. Plataformas globais como a DocuSign cobram em dólar e tendem a sair mais caras após a conversão cambial e a incidência de IOF.
A maioria dos documentos do dia a dia aceita assinatura eletrônica simples ou avançada. Contratos de locação, prestação de serviços e trabalho (CLT e PJ) estão entre os mais comuns. Propostas comerciais, termos de confidencialidade (NDA), documentos de admissão, férias, holerites, procurações particulares e acordos de divórcio amigável (para homologação posterior) também podem ser assinados dessa forma.
Escrituras de imóveis, testamentos, atos que exigem registro público e transferência de veículos continuam exigindo assinatura qualificada com certificado ICP-Brasil ou registro em cartório.
O governo mantém o portal Validar (validar.iti.gov.br), onde qualquer pessoa pode enviar um PDF assinado e receber um relatório com o nome do signatário, a validade das chaves e a integridade do documento. O mesmo serviço está disponível no app VALIDAR, para Android e iOS. Plataformas privadas também listam as assinaturas coletadas e seus dados de autenticação no próprio documento ou em painel de acompanhamento.