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China lidera ranking global de indústrias mais avançadas

70% das fábricas referência em tecnologia estão na China, segundo Fórum Econômico Mundial

Fórum Econômico Mundial: entidade divulga nova lista de fábricas referência  (Fabrice COFFRINI/AFP)

Fórum Econômico Mundial: entidade divulga nova lista de fábricas referência (Fabrice COFFRINI/AFP)

China2Brazil
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Agência

Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 15h19.

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O Fórum Econômico Mundial (WEF) divulgou uma nova lista de fábricas reconhecidas como referência global em tecnologia industrial, conhecidas como “fábricas-farol”. Das 16 novas unidades incluídas, 11 estão localizadas na China, o equivalente a cerca de 70% do total. Com isso, o país passou a concentrar 101 fábricas desse tipo, o maior número no mundo.

A lista reúne unidades industriais que utilizam automação avançada, inteligência artificial e análise de dados para elevar produtividade, resiliência da cadeia de suprimentos e sustentabilidade. Entre as fábricas reconhecidas estão operações de multinacionais instaladas na China, como Schneider Electric (Wuhan), Zeiss Optics (Guangzhou), Michelin (Shenyang), Siemens CNC (Nanjing) e Faurecia Automotive Components Systems (Yancheng).

Criada pelo Fórum Econômico Mundial em parceria com a McKinsey & Company, a iniciativa “Lighthouse Factory” passa por uma reformulação a partir de setembro de 2025. O programa adotará cinco categorias: Farol Centrado no Cliente, Farol da Produtividade, Farol da Resiliência da Cadeia de Suprimentos, Farol da Sustentabilidade e Farol do Talento.

Nesse novo formato, a fábrica da Schneider Electric em Wuhan tornou-se uma das primeiras “fábricas-farol de talento” do mundo. A unidade estruturou um modelo de capacitação voltado à manufatura digital, combinando automação, inteligência artificial e formação profissional.

Segundo dados do Fórum Econômico Mundial, entre 2020 e 2024, a fábrica aumentou sua taxa de automação em 55% e ampliou o portfólio de produtos em 239%. No mesmo período, a empresa enfrentava limitações na qualificação da mão de obra, com apenas 20% dos funcionários capacitados em automação e alta rotatividade técnica. Após a adoção de programas de requalificação com apoio de inteligência artificial e parcerias com universidades, o tempo médio de integração caiu de 75 para 15 dias e a rotatividade dos técnicos de manutenção recuou para 6% em cinco anos.

Em entrevista concedida em 21 de janeiro, Zhang Kaipeng, vice-presidente sênior da Schneider Electric e responsável pela cadeia de suprimentos globais da empresa na China, afirmou que a dependência de fornecedores únicos elevou os riscos em um cenário global mais instável. Segundo ele, a integração entre tecnologia e desenvolvimento de talentos tornou-se central para a resiliência das cadeias produtivas.

Outras fábricas reconhecidas também ilustram a estratégia de adaptação ao mercado local. A unidade da Zeiss em Guangzhou utiliza aprendizado de máquina e gêmeos digitais para produzir lentes oftálmicas personalizadas com base em perfil visual e estilo de vida dos clientes. A adoção dessas tecnologias ampliou o portfólio de produtos personalizados em 400% e elevou a taxa de entrega no prazo para 98,5%.

Na indústria automotiva, a fábrica da Michelin em Shenyang respondeu à expansão do mercado de veículos de nova energia com um aumento de 340% no número de especificações de pneus, que ultrapassaram 250 modelos. O pedido mínimo caiu 71% e o ciclo de produção experimental foi reduzido em 51%.

Dados do Ministério do Comércio indicam que, nos primeiros 11 meses de 2025, a China criou 61.207 novas empresas com investimento estrangeiro, alta de 16,9% na comparação anual. No mesmo período, o uso efetivo de capital estrangeiro em indústrias de alta tecnologia superou 220 bilhões de yuans, com destaque para serviços de comércio eletrônico, fabricação de equipamentos médicos e setor aeroespacial.

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