Homem-Aranha: Novo filmecom Tom Holland quebra recorde de bilheteria da Marvel (Marvel/Divulgação)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 7 de agosto de 2026 às 06h01.
O novo filme do Homem-Aranha devolveu a Sony ao topo das bilheterias. Em poucos dias em cartaz, "Homem-Aranha: Um Novo Dia", quarto filme estrelado por Tom Holland, ultrapassou US$ 1,18 bilhão em arrecadação mundial e se tornou o filme de maior bilheteria de 2026.
O resultado reforça a força da principal franquia do estúdio, que nunca deixou de produzir filmes do super-herói desde o início dos anos 2000. Ao longo desse período, Tobey Maguire, Andrew Garfield e Tom Holland deram vida ao herói nos cinemas em diferentes fases da franquia.
Apesar do sucesso dos filmes protagonizados por Tom Holland, a Sony viveu um momento conturbado ao tentar expandir esse universo para personagens coadjuvantes. Na última década, filmes como "Morbius", "Madame Teia" e "Kraven" fracassaram nas bilheterias e foram mal recebidos pela crítica e pelo público.
Ainda assim, a Sony segue explorando a mitologia completa do Homem-Aranha, o que levantou questionamentos sobre possíveis obrigações contratuais para manter os direitos cinematográficos do personagem.
A primeira aposta da Sony para expandir o universo do Homem-Aranha foi "Venom". Protagonizado por Tom Hardy, o personagem é a antítese alienígena do 'amigo da vizinhança'.
Embora tenha recebido apenas 30% de aprovação no Rotten Tomatoes, site agregador de críticas, "Venom" arrecadou US$ 856,1 milhões nas bilheterias mundiais e deu origem a duas continuações, que arrecadaram menos que o original.
Na sequência, a Sony apostou em personagens menos conhecidos da mitologia do Homem-Aranha, como Morbius, o Vampiro Vivo; a clarividente Madame Teia; e Kraven, o Caçador. As produções fracassaram nas bilheterias e, em alguns casos, ganharam fama negativa.
Enquanto Morbius virou meme nas redes sociais por alguns meses, Dakota Johnson, protagonista de "Madame Teia", enfrentou semanas de críticas online e afirmou entender a reação do público. Já "Kraven", projeto mais recente da Sony, estreou com distribuição reduzida.
De acordo com o site The Wrap, após essa sequência de resultados negativos, a Sony não tem mais planos para novos filmes ou séries centrados em personagens coadjuvantes do universo do Homem-Aranha. Agora, o estúdio pretende concentrar seus investimentos na franquia Aranhaverso e nos filmes estrelados por Tom Holland.
O Homem-Aranha não foi criado pela Sony, mas pelo roteirista e editor Stan Lee e pelo artista Steve Ditko, da Marvel Comics.
A Sony adquiriu os direitos cinematográficos e televisivos do Homem-Aranha em 1998, quando a Marvel enfrentava dificuldades financeiras. As regras para o uso do personagem estão reunidas em um resumo executivo de um contrato de licenciamento de 71 páginas, que veio a público durante o ataque hacker à Sony Pictures Entertainment (SPE), em 2014.
O documento detalha desde os poderes, traços de personalidade e uniformes do herói até as regras para a produção dos filmes. Entre elas, estão a exigência de um orçamento mínimo de US$ 75 milhões, classificação indicativa PG-13 e lançamento inicial em pelo menos 2.000 salas de cinema nos Estados Unidos.
Uma das cláusulas mais importantes trata do chamado "Prazo de Produção". Na prática, a Sony mantém os direitos do personagem por tempo indeterminado, desde que continue produzindo e lançando novos filmes dentro dos prazos previstos no contrato. Como regra geral, o estúdio deve iniciar a produção de cada longa em até 3 anos e 9 meses após o lançamento do anterior e estreá-lo em até 5 anos e 9 meses.
O contrato também prevê uma flexibilização desse cronograma. Se a SPE lançar três filmes em um período de oito anos consecutivos, poderá iniciar a produção do seguinte em até cinco anos após o lançamento anterior e estreá-lo em até sete anos.
Ao desenvolver um filme do "Homem-Aranha", a Sony também é obrigada a consultar um dos dois executivos criativos seniores designados pela Marvel sobre diversos aspectos da produção, incluindo o roteiro, os cinco principais integrantes do elenco, os produtores, o diretor, o diretor de fotografia, o designer de produção, o compositor, o editor, o figurinista, o principal fornecedor de efeitos visuais, além do design do traje do Homem-Aranha e do principal vilão.
Embora a decisão final seja da Sony, a Marvel deve receber todos os roteiros, propostas de design e outros materiais de produção. Os executivos da editora, no entanto, não têm acesso aos sets de filmagem, a não ser que sejam convidados pela SPE.
O documento revela que a colaboração entre os dois estúdios é uma parceria. A SPE tem o direito de notificar a Marvel sobre um ou dois vilões de destaque em próximos filmes e, após receber tal notificação, a Marvel não pode utilizar esse vilão (exceto em participações especiais em episódios de séries de TV animadas que sejam transmitidos primeiramente na televisão ou vendidos no mercado de streaming) desde o recebimento da notificação até 30 dias após o lançamento do filme em questão.
Isso garante à Sony uma janela de exclusividade, que é retribuída. O acordo estabelece que a SPE deve disponibilizar à Marvel o diretor, um ator principal (por exemplo, o 'Homem-Aranha', o vilão principal ou o interesse amoroso) ou um indivíduo creditado como produtor para uma reunião com os licenciados de produtos da Marvel. A SPE e a Marvel devem trabalhar juntas para definir a pessoa a ser disponibilizada (cabendo à SPE a decisão final) e uma data de reunião mutuamente aceitável.
Em contrapartida, a Marvel financia cerca de 25% dos filmes do Homem-Aranha da Sony e recebe aproximadamente 25% dos lucros.