Fleetwood Mac: banda 'hitou' no TikTok e voltou ao topo das paradas (Michael Ochs Archives / Correspondente autônomo/Getty Images)
Redatora
Publicado em 5 de junho de 2026 às 10h32.
Clássicos lançados há décadas estão ganhando espaço nas plataformas de streaming e disputando atenção com os lançamentos mais recentes. Dados do Spotify mostram que 2026 se tornou o ano mais nostálgico da história, com um crescimento expressivo na reprodução de faixas antigas.
O fenômeno é impulsionado principalmente pela Geração Z, que vem redescobrindo artistas como Michael Jackson, Fleetwood Mac, Radiohead e Katy Perry.
De acordo com informações do The New York Times, cerca de um terço das reproduções realizadas entre janeiro e abril de 2026 foram de músicas com pelo menos dez anos de lançamento. Já aproximadamente uma em cada seis execuções correspondeu a faixas com mais de 20 anos.
O crescimento representa uma mudança importante em relação ao cenário observado em 2016, quando os lançamentos recentes dominavam a plataforma.
O exemplo mais simbólico aconteceu em maio, quando "Billie Jean", de Michael Jackson, voltou ao topo da parada global do Spotify mais de quatro décadas após seu lançamento original. A música ganhou novo impulso após a estreia da cinebiografia do cantor.
A tendência não está restrita aos ouvintes mais velhos. Dados da empresa de monitoramento musical Luminate mostram que jovens entre 13 e 24 anos estão ouvindo cada vez mais músicas lançadas antes dos anos 2000.
Em 2021, 55% dos entrevistados dessa faixa etária afirmavam preferir músicas da década de 2020. Em 2025, esse índice caiu para 44%. No mesmo período, a parcela de jovens que declarou preferência por músicas dos anos 1990 ou anteriores aumentou de 18% para 25%.
O avanço desse interesse por canções mais antigas também se reflete nas paradas de streaming. Nos primeiros meses de 2026, apenas 68,8% das músicas presentes no Top 50 Global do Spotify haviam sido lançadas nos dois anos anteriores. Em 2019 e 2020, esse percentual superava 90%.
De acordo com o jornal, especialistas apontam que a facilidade de acesso ao catálogo musical e o impacto das redes sociais ajudam a explicar o fenômeno.
Plataformas como TikTok frequentemente transformam músicas antigas em novos sucessos virais, como aconteceu com "Dreams", do Fleetwood Mac, e mais recentemente com "Pretty Little Baby", de Connie Francis.
Além disso, filmes, séries e produções de entretenimento também têm impulsionado o retorno de canções clássicas às paradas de streaming.
O avanço das músicas antigas não significa que os lançamentos perderam relevância. Em 2025, quase metade dos streams sob demanda ainda foi destinada a músicas lançadas na década de 2020.
Mesmo assim, clássicos vêm ocupando cada vez mais espaço nas paradas globais. Entre as músicas que seguem acumulando reproduções estão "Every Breath You Take", do The Police, "Creep", do Radiohead, "Iris", do Goo Goo Dolls, "Yellow", do Coldplay e "Mr. Brightside", do The Killers.
Para especialistas do setor, o streaming criou um cenário em que músicas de diferentes épocas competem diretamente pela atenção do público. Ao contrário do que acontecia na era do rádio e das lojas de discos, ouvintes têm acesso imediato a praticamente toda a história da música gravada.
Analistas também apontam que parte desse movimento pode estar relacionada à busca por referências familiares em um ambiente digital cada vez mais marcado por algoritmos, excesso de oferta de conteúdo e avanços da inteligência artificial. Nesse contexto, canções já conhecidas continuam encontrando novos públicos e ampliando sua relevância décadas após o lançamento original.