O ano foi marcado por uma grande revolução no mundo da música e programas que revolucionaram a cultura pop, como Batman (Montagem IA)
Repórter
Publicado em 1 de junho de 2026 às 16h38.
Última atualização em 1 de junho de 2026 às 16h42.
O ano de 1966 ficou marcado por contradições. Enquanto o planeta vivia sob a permanente tensão da Guerra Fria, com disputas ideológicas entre Estados Unidos e União Soviética moldando a política internacional, também assistia à consolidação de uma cultura global de massas — da televisão ao futebol. Nesse cenário, a Copa do Mundo realizada na Inglaterra transformou-se em um raro momento de convergência simbólica, em que política, mídia e esportes se encontraram de forma explícita.
O mundo em 1966 ainda era profundamente marcado pela divisão bipolar. A Guerra do Vietnã escalava com a intensificação da presença militar norte-americana no Sudeste Asiático, transformando-se em um dos conflitos centrais da década e alimentando protestos em diversas partes do mundo. Ao mesmo tempo, o processo de descolonização avançava, sobretudo na África, criando novas nações, mas também expondo desigualdades e disputas geopolíticas herdadas do período colonial.
Esse contexto se reflete inclusive no futebol. A Copa de 1966 foi marcada pelo boicote de seleções africanas às eliminatórias, em protesto contra uma regra da FIFA que não garantia vaga direta ao continente — obrigando seus representantes a disputar repescagens contra seleções asiáticas.
Paralelamente às tensões políticas, 1966 foi um marco da cultura pop. Londres vivia o auge da chamada Swinging London, fenômeno cultural que envolvia música, moda e comportamento jovem. Bandas como os Beatles e os Rolling Stones já tinham projeção global, e a cidade consolidava-se como epicentro de uma juventude mais liberal, conectada e midiática.
A Copa do Mundo se inseriu diretamente nesse ambiente. Foi o primeiro Mundial a ter um mascote oficial — o leão “World Cup Willie” — símbolo claro da tentativa de tornar o evento mais comercial e acessível ao grande público. Além disso, a edição contou com transmissão televisiva ampliada, inclusive via satélite para outros continentes, ampliando o alcance global do futebol.
Realizada entre 11 e 30 de julho, a Copa de 1966 reuniu 16 seleções e terminou com a conquista inédita da Inglaterra, que venceu a Alemanha Ocidental por 4 a 2 na final, disputada em Wembley diante de quase 100 mil espectadores.
O torneio ficou marcado por episódios que extrapolaram o campo esportivo. Um dos mais emblemáticos foi o chamado “gol fantasma” de Geoff Hurst na final: a bola bate no travessão, quica sobre a linha e o gol foi validado pela arbitragem, gerando debate até hoje.

Outro aspecto relevante foi o fracasso do Brasil — então bicampeão mundial — eliminado ainda na fase de grupos, após derrotas para Hungria e Portugal.
Por outro lado, a Copa revelou novas potências simbólicas. Portugal, liderado por Eusébio, terminou em terceiro lugar, com o atacante sendo o artilheiro do torneio, com 9 gols. Já a Coreia do Norte surpreendeu ao eliminar a Itália.
A Copa de 1966 foi também um reflexo das divisões ideológicas do período. Entre as quatro melhores seleções estavam Inglaterra (capitalista), Alemanha Ocidental (capitalista), Portugal (sob ditadura de Salazar) e União Soviética (socialista), evidenciando o caráter global e politicamente plural do torneio.
Além disso, a própria logística do evento foi marcada por elementos simbólicos: jogos transmitidos pela televisão, presença da monarquia britânica (como na cerimônia final com a rainha Elizabeth II) e o episódio curioso do roubo do troféu Jules Rimet antes do torneio — posteriormente recuperado por um cachorro chamado Pickles — que contribuiu para o folclore do evento