Mr Beast: apostas em elementos dos vídeos da estrela do YouTube foram deturpadas por um de seus editores (Roy Rochlin/Getty Images)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 06h43.
Um editor da equipe do youtuber MrBeast foi suspenso e multado pela plataforma de mercados de previsão Kalshi após ser investigado por "insider trading". A violação ocorre quando há uso de informações privilegiadas para obter vantagem em apostas ou no mercado financeiro.
O caso foi encaminhado à Commodity Futures Trading Commission (CFTC), agência reguladora americana responsável por supervisionar esse tipo de mercado.
Identificado como Artem Kaptur, 22 anos, o funcionário realizou apostas de cerca de US$ 4 mil em agosto e setembro de 2025 vinculadas a vídeos do canal do YouTube MrBeast, de propriedade de Jimmy Donaldson.
O lucro obtido foi de aproximadamente US$ 5.400, mas a conta foi congelada antes que ele pudesse sacar os valores, segundo a Kalshi. Kaptur não respondeu aos pedidos de comentário feitos pelo New York Times.
Segundo Robert J. DeNault, chefe de fiscalização e assessor jurídico da Kalshi, os sistemas de monitoramento da plataforma identificaram um padrão incomum.
Kaptur registrava "sucesso quase perfeito" em apostas com baixa probabilidade. Além disso, outros usuários da plataforma enviaram alertas à empresa sobre o volume incomum de transações.
"Investigamos e descobrimos que o trader era empregado como editor do programa e provavelmente tinha acesso a informações materiais não públicas relacionadas às suas apostas", escreveu DeNault no LinkedIn.
Como punição, Kaptur foi multado em mais de US$ 20 mil e suspenso da Kalshi por mais de dois anos.
A Beast Industries, empresa fundada pelo MrBeast, afirmou em comunicado ter "tolerância zero para esse comportamento" e que já iniciou uma investigação independente.
A empresa disse ter "uma política de longa data contra o uso de informações proprietárias da empresa por funcionários".
A companhia, no entanto, não comentou sobre a situação de Kaptur na empresa nem sobre sua função específica. Em nota, a Beast Industries também pediu mais transparência à Kalshi no compartilhamento de suas conclusões.
O caso expõe uma vulnerabilidade estrutural dos mercados de previsão.
Na Kalshi, os usuários podem apostar em resultados dos mais variados: o que Donaldson vai dizer em seu próximo vídeo, a duração do upload, quem vai vencer as eleições presidenciais de 2028 ou quem vai levar um Oscar.
Críticos apontam que esse tipo de aposta torna a plataforma especialmente suscetível a manipulações por pessoas com acesso a informações privilegiadas.
A questão foi levantada diretamente ao CEO da Kalshi, Tarek Mansour, durante entrevista à CNBC no dia do Super Bowl.
Um apresentador questionou se era realista imaginar que informações privilegiadas sobre o setlist de Bad Bunny não teriam vazado para alguém próximo à produção. "Essa tem sido uma questão antiga para todos os tipos de mercados financeiros", respondeu Mansour.
A Kalshi vive um momento de expansão. Em dezembro de 2025, a empresa foi avaliada em US$ 11 bilhões.
No domingo do Super Bowl, o volume diário de negociações superou US$ 1 bilhão. Este foi o primeiro caso de insider trading divulgado publicamente pela empresa.
No mesmo comunicado, a Kalshi também anunciou a suspensão por cinco anos de um candidato na Califórnia que apostou US$ 200 na própria eleição para governador e publicou sobre as apostas nas redes sociais.