Emily Henry: o sucesso nas livrarias abriu espaço para uma corrida entre estúdios, que enxergam nas histórias da autora a fórmula para renovar o gênero romântico (Imagem gerada por IA/EXAME)
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Publicado em 12 de julho de 2026 às 07h01.
A ascensão de Emily Henry ultrapassou as estantes das livrarias e chegou ao coração da indústria do entretenimento.
Depois de conquistar milhões de leitores com romances contemporâneos marcados por humor, emoção e personagens complexos, a autora americana virou um dos nomes mais disputados por estúdios de cinema e plataformas de streaming.
O resultado é uma fila de adaptações que promete recolocar as histórias de amor entre os grandes sucessos de Hollywood.
Durante anos, grandes franquias dominaram os investimentos dos estúdios. Agora, executivos enxergam nas obras de Emily Henry uma oportunidade de atender a um público que busca histórias românticas com apelo comercial e personagens capazes de criar comunidades de fãs nas redes sociais.
A estratégia ganhou força após o enorme sucesso editorial da escritora. Desde 2020, livros como "Leitura de Verão", "De Férias Com Você", "Loucos Por Livros", "Lugar Feliz", "Nem Te Conto" e "Uma Vida Incrível e Maravilhosa" alcançaram o topo das listas de mais vendidos e consolidaram Henry como um dos principais nomes da literatura romântica contemporânea. Juntos, os seis livros venderam mais de 12 milhões de exemplares.
O sucesso de Emily Henry acompanha a expansão de todo o mercado de romances. Em 2021, o gênero superou o suspense e assumiu a liderança entre as categorias de ficção mais vendidas nos Estados Unidos, consolidando uma indústria bilionária.
No ano passado, cinco dos dez autores de ficção que mais venderam livros no país pertenciam ao gênero de romance: Emily Henry, Colleen Hoover, Rebecca Yarros, Ana Huang e Sarah J. Maas. Juntas, elas responderam por 7% de todas as vendas de ficção.
Números da Circana BookScan mostram ainda a força de Henry: uma em cada três comédias românticas vendidas nos Estados Unidos em 2025 levava sua assinatura.
Hollywood também entrou na onda do sucesso dos romances contemporâneos. Estúdios e plataformas de streaming aceleraram a produção de adaptações inspiradas em best-sellers, de olho no enorme público formado por esses livros.
Emily Henry está entre as principais beneficiadas dessa tendência: cinco de seus livros já tiveram os direitos de adaptação vendidos para o cinema ou a televisão.
"De Férias Com Você" chegou à Netflix em 2026 e "Leitura de Verão" já está em produção pela 20th Century Studios, enquanto "Loucos Por Livros", "Nem Te Conto" e "Lugar Feliz" seguem em desenvolvimento por diferentes estúdios.
Entre os projetos mais aguardados está "Leitura de Verão", estrelado por Phoebe Dynevor, conhecida por "Bridgerton", e Patrick Schwarzenegger, da terceira temporada de "White Lotus". O longa acompanha dois escritores rivais que passam um verão lado a lado e decidem trocar de gêneros literários para recuperar a inspiração.
Embora o romance sempre tenha figurado entre os gêneros favoritos dos leitores, ele passou décadas à margem do prestígio literário.
Henry acredita que o sucesso comercial mudou a percepção do mercado editorial, mas avalia que ainda existe um certo preconceito. Em tom bem-humorado, a autora disse à Bloomberg, que os romances ajudam a financiar obras de ficção literária ao movimentarem o mercado. Ela também observa que muitos leitores ainda descrevem seus livros como um "prazer secreto". Para Henry, o gênero conquistará o reconhecimento que merece quando esse tipo de comentário deixar de existir.
Outro fator que diferencia essa nova fase é o envolvimento da própria autora. Após atuar como produtora executiva em "De Férias Com Você", Emily Henry assumiu um papel ainda mais ativo nas adaptações seguintes. Ela escreve o roteiro de "Nem Te Conto" e também participa da adaptação de "Lugar Feliz", ampliando sua influência sobre a transição das histórias para as telas.
Essa participação tem sido vista como uma forma de preservar o tom emocional que tornou seus livros um fenômeno editorial e de aproximar as produções das expectativas dos leitores.
O interesse por Emily Henry também acompanha a recuperação das comédias românticas, impulsionada pelo streaming e pelo crescimento de comunidades de leitores em plataformas como TikTok e Goodreads. Obras que nasceram como best-sellers passaram a oferecer uma base de fãs pronta para acompanhar suas versões audiovisuais, reduzindo parte do risco para os estúdios.
E o sucesso desses romances também acelerou a corrida de Hollywood por novas adaptações. A série "Bridgerton", criada por Shonda Rhimes a partir dos livros de Julia Quinn, tornou-se um dos maiores sucessos da Netflix e já chegou à quinta temporada.
Nos cinemas, "É Assim que Acaba", baseado no best-seller de Colleen Hoover, arrecadou US$ 351,4 milhões em bilheteria mundial.
Já a série literária "Empyrean", de Rebecca Yarros, despertou uma disputa entre estúdios pelos direitos de adaptação antes mesmo de chegar às telas.
Emily Henry também viu o interesse da indústria crescer rapidamente: um de seus livros chegou a mudar de mãos quando os produtores que detinham os direitos optaram por negociá-los antes do início das filmagens.
Entre os casos de maior repercussão está "Rivalidade Ardente". Baseada nos romances de Rachel Reid sobre a relação entre dois jogadores rivais de hóquei, a série se transformou em um fenômeno desde sua estreia na HBO Max, em novembro de 2025.
Com orçamento reduzido e um elenco formado em grande parte por atores pouco conhecidos, a produção alcançou média superior a 10 milhões de espectadores por episódio e reforçou a confiança dos estúdios no potencial comercial das adaptações de romances de sucesso.