Neo Química Arena, palco dos jogos do Corinthians; Timão tenta renegociar financiamento com a Caixa. (Mauro Horita/Getty Images) (Mauro Horita/Getty Images)
Redator na Exame
Publicado em 2 de outubro de 2026 às 21h22.
RESUMO | Após suspender o pagamento de cerca de R$ 28 milhões da 3ª trimestral da Neo Química Arena, a diretoria do Corinthians intensificou conversas com a Caixa Econômica Federal para tentar liberar R$ 27 milhões de uma conta secundária, em meio às tratativas para quitar a dívida bilionária do estádio e conter um déficit de R$ 278,7 milhões.
O momento econômico do Corinthians exige articulações intensas nos bastidores e viagens estratégicas a Brasília.
Segundo informações da ESPNS, após conseguir um acordo com a Caixa Econômica Federal para suspender o pagamento de cerca de R$ 28 milhões referentes à terceira parcela trimestral de 2026 do financiamento da Neo Química Arena — com foco na reestruturação dos naming rights —, o clube alvinegro planeja uma nova rodada de reuniões na próxima semana com diretores do banco. O objetivo principal é tentar ter acesso a R$ 27 milhões atualmente retidos em uma conta secundária.
A liberação desses valores é fundamentada no próprio contrato de financiamento, que permite ao banco reter até 50% de premiações e receitas corintianas para compor uma garantia contra inadimplência (o chamado "colchão"). Como o clube tem honrado os compromissos — tendo quitado cerca de R$ 56 milhões apenas ao longo de 2026 —, a diretoria argumenta que há margem para destravar os recursos e aliviar o fluxo de caixa.
Segundo a ESPNS, as tratativas lideradas pelo presidente Osmar Stábile envolvem o futuro da pesada dívida de R$ 642 milhões que o clube ainda possui com a instituição financeira pela construção do estádio em Itaquera. N
Entre as várias possibilidades estudadas por Corinthians e Caixa para solucionar o impasse, destaca-se a hipótese de o próprio banco assumir os naming rights da arena no lugar da Hypera Pharma. Um processo recente valoração feito internamente pelo clube apontou que a arena gera um retorno de mídia estimado em R$ 298 milhões por ano (com base na temporada de 2025), cifra muito superior aos valores firmados no contrato original de 2020.
A urgência do clube em destravar receitas reflete o momento de forte aperto econômico. De acordo com o balancete financeiro de julho de 2026, o Corinthians registrou um déficit acumulado de R$ 278,7 milhões, valor que supera em quase 260% a projeção inicial de R$ 77,8 milhões aprovada no orçamento. Com um endividamento total na casa dos R$ 2,86 bilhões, o clube sofreu o impacto direto da ausência de grandes vendas de jogadores: a meta previa arrecadar o equivalente líquido de 25 milhões de euros (cerca de R$ 144 milhões) na temporada, mas o desempenho no primeiro semestre ficou aquém do esperado.
A escassez de caixa tem gerado reflexos diretos no departamento de futebol. O clube enfrenta atrasos recorrentes no pagamento de direitos de imagem do elenco profissional masculino (com dois meses em aberto), além de pendências em premiações e férias.
O clube busca destravar R$ 27 milhões de uma conta secundária de garantias e discute soluções estruturais para a dívida de R$ 642 milhões da Neo Química Arena.
Corinthians e Caixa chegaram a um acordo para suspender o pagamento de cerca de R$ 28 milhões da 3ª trimestral enquanto negociam os naming rights e termos do contrato.
O balancete de julho de 2026 apontou um déficit de R$ 278,7 milhões — impulsionado pela falta de vendas de jogadores —, mantendo a dívida total em torno de R$ 2,86 bilhões e gerando atrasos em direitos de imagem do elenco.
As conversas com a cúpula do banco em Brasília são comandadas pelo presidente Osmar Stábile.