Noa: Segundo o cineasta, o cinema desenvolveu, ao longo de mais de um século, uma linguagem própria compreendida por públicos do mundo inteiro (Phillip Faraone/VF24/ Vanity Fair/Getty Images)
Repórter
Publicado em 3 de agosto de 2026 às 15h09.
Última atualização em 3 de agosto de 2026 às 15h30.
Christopher Nolan, diretor de 'A Odisseia', decidiu comentar publicamente um incômodo recorrente entre cineastas: a forma como os críticos amadores avaliam os filmes.
Segundo o cineasta, vencedor de dois Oscars por Oppenheimer, esse tipo de análise revela uma falha na maneira como muitas pessoas interpretam o cinema atualmente, baseada na ideia de que, ao identificar os mecanismos narrativos de um filme, eles deixam de funcionar.
"O fato de você conseguir identificar o mecanismo de uma história não significa que ele seja inválido", afirmou o diretor, em entrevista ao apresentador chinês Zhong Shu. "Esse é um problema real da crítica hoje."
Segundo Nolan, muitos espectadores acreditam que, ao perceber como um roteiro busca gerar empatia por um personagem ou provocar determinada emoção, isso automaticamente torna a narrativa manipuladora ou menos eficiente.
"Há quem pense: 'Entendi por que a história me afetou, então ela não funcionou'. Mas não é assim que a narrativa funciona", explicou.
“Quando um clichê se torna muito familiar para o público, ele precisa ser mudado. Mas nós, como cineastas, nos valemos dessa linguagem comum. Construímos sobre esse entendimento. Nosso público já viu muitos filmes e entende essa linguagem”, disse ele.
A Odisseia: Christopher Nolan dobra a ambição técnica e parte na aventura pela conquista do segundo Oscar (Universal Pictures/Divulgação)
Para Nolan, o cinema desenvolveu, ao longo de mais de um século, uma linguagem própria compreendida por públicos do mundo inteiro. O diretor destacou que Hollywood consolidou convenções narrativas que funcionam como uma espécie de idioma universal do audiovisual.
"Existe uma linguagem moderna da narrativa extremamente acessível, criada por Hollywood ao longo dos últimos cem anos. Ela possui regras e convenções. Você pode quebrá-las, dobrá-las ou transformá-las, mas precisa conhecê-las", disse.
Ele acrescentou que os cineastas recorrem a essa gramática cinematográfica justamente porque o público já está familiarizado com ela. "O público entende essa linguagem porque assistiu a muitos filmes. Nós, cineastas, construímos nossas histórias a partir desse entendimento comum", afirmou.