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Cannect compra farmácia digital Pill e amplia atuação além da cannabis medicinal

Com aquisição, companhia incorpora 150 mil clientes, aprofunda estratégia de tratamento de doenças crônicas e projeta faturamento superior a R$ 200 milhões até 2028

Allan Paiotti, CEO e cofundador da Cannect (Grupo Cannect/Divulgação)
Allan Paiotti, CEO e cofundador da Cannect (Grupo Cannect/Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 3 de agosto de 2026 às 14:56.

Última atualização em 3 de agosto de 2026 às 15:00.

O Grupo Cannect, plataforma de saúde especializada em cannabis medicinal, fechou nesta segunda-feira, 3, a aquisição da fármacia digital Pill, especializada na venda de medicamentos para doenças crônicas. O valor do negócio não foi anunciado.

Com a aquisição, o grupo, fundado pelos empresários Allan Paiotti e Fernando Domingues, prevê superar R$ 200 milhões de faturamento até o fim de 2028. A base atual da companhia é de 100 mil clientes, que agora vão se somar aos 150 mil clientes por assinatura da Pill.

A integração das operações permite que os pacientes possam programar o recebimento automático de medicamentos selecionados conforme a periodicidade do tratamento, evitando falhas na reposição e reduzindo o risco de interrupções por esquecimento.

Segundo a Cannect, a aquisição da Pill resolve o principal desafio no tratamento de doenças crônicas: a descontinuidade do tratamento.

Tratamento para quê?

O movimento acontece em um momento de forte crescimento da cannabis medicinal. O mercado brasileiro movimentou R$ 971 milhões em 2025 e já reúne cerca de 873 mil pacientes, segundo a Kaya Mind. Globalmente, a indústria foi estimada em US$ 22 bilhões no ano passado e deve mais que sextuplicar de tamanho até 2034, quando poderá atingir US$ 134 bilhões, de acordo com a Fortune Business Insights.

Com a aquisição, a Cannect expandea agora seu ecossistema. Além de já conectar mais de 100 mil pacientes a especialistas em neurologia, psiquiatria, pediatria, geriatria e endocrinologia, a empresa passa a oferecer acesso a mais de 17 mil medicamentos, contemplando também tratamentos voltados às áreas de cardiologia, pneumologia, nefrologia, gastroenterologia e oncologia. "Cuidar de uma doença crônica exige acompanhamento ativo e contínuo. Ao integrar a Pill ao Grupo Cannect, ampliamos os tratamentos disponíveis para qualquer patologia crônica, oferecendo a jornada do paciente de ponta a ponta: do diagnóstico ao medicamento, da prescrição ao tratamento contínuo", afirma Allan Paiotti, CEO do Grupo Cannect.

A integração técnica e operacional entre as plataformas já foi iniciada e será conduzida de forma faseada ao longo dos próximos 3 meses.

Investimento até do Luciano Huck

Desde a fundação, em 2021, a Cannect acumulou R$ 40 milhões em captações, segundo a própria companhia. Em 2023, a rodada mais recente, cujo valor não foi divulgado, liderada pela Supera Capital — gestora que reúne Globo Ventures, Luciano Huck, Gilberto Sayão e Duda Melzer — e pela BluStone, fundo criado por ex-executivos do Pátria Investimentos. Também participaram a mexicana YaaX Capital e alguns family offices.

A trajetória de financiamento da startup começou com investidores individuais. Na primeira captação, lá atrás, a empresa recebeu recursos de nomes como Rapha Avellar, Ricardo Dias e Gerard de Roure, da Adventures, além de Thiago Maluf, da Igah Ventures, e dos médicos Abdalla Skaff e Gustavo Nobre. Pouco depois, entre o fim de 2021 e o início de 2022, veio uma rodada seed superior a R$ 10 milhões, que atraiu executivos como Bruno Lagoeiro, da Afya, Rafael Larragoiti, da Advent, e Cesar Villares, da Go4it Capital. Os recursos foram direcionados à expansão da plataforma de cannabis medicinal da empresa.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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